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Em 1957, Elvis Presley comprou Graceland, uma propriedade de 5,6 hectares, por mais de R$ 500.000; 25 anos depois, o local foi aberto ao público e, desde então, já recebeu mais de 20 milhões de visitantes
Graceland custou US$ 102.500 em 1957 e hoje carrega um legado visitado por milhões
Em 19 de março de 1957, Elvis Presley deu uma entrada de mil dólares e fechou a compra de Graceland, uma mansão colonial com 5,6 hectares de terreno nos arredores de Memphis, Tennessee, pelo valor total de US$ 102.500. Convertido para o poder de compra atual, o valor equivale a aproximadamente R$ 560 mil. Elvis tinha 22 anos, já havia gravado dois álbuns de estúdio e 48 singles, e estava terminando seu segundo filme em Hollywood. A motivação para a compra não foi luxo: foi privacidade. A casa anterior da família havia se tornado ponto de peregrinação constante de fãs, e ele precisava de um lugar onde pudesse viver sem câmeras na janela.
Como era Graceland quando Elvis a comprou?
A propriedade havia sido construída em 1939 e fazia parte de uma fazenda maior. O nome Graceland vinha de Grace Toof, ligada à família que originalmente possuía o terreno. Quando Elvis assinou a escritura, a mansão tinha cerca de 950 metros quadrados e 13,8 acres de terreno com vegetação densa, o que garantia o isolamento que ele buscava. A localização era rural para os padrões da época, diferente do bairro residencial de Audubon Drive onde a família morava antes e que havia se tornado intransitável de tanto fã do lado de fora.
A família se mudou para Graceland em 16 de maio de 1957, depois das reformas iniciais. Elvis estava filmando Jailhouse Rock na época e só passou sua primeira noite na mansão em 26 de junho daquele mesmo ano. Nos meses seguintes, ele mandou erguer o muro de pedra rosa que ainda existe na frente da propriedade, instalado para proteger a privacidade e desestimular fãs de escalar a cerca. Os portões ornamentados com silhuetas de Elvis tocando guitarra contra um fundo de pautas musicais foram instalados em abril de 1957, pela quantia de US$ 2.700.
O que aconteceu com Graceland depois que Elvis morreu?
Elvis Presley morreu no quarto principal de Graceland em 16 de agosto de 1977, aos 42 anos. A mansão passou para Lisa Marie Presley, filha única dele com Priscilla, que na época tinha nove anos. Por quase vinte anos após a morte do pai, os portões raramente se abriram para visitantes. Quando Elvis vivia lá, o lugar era o seu refúgio, e essa função se manteve mesmo depois que ele se foi.
A abertura ao público aconteceu em 1982. Vinte e cinco anos depois da compra, Graceland abriu suas portas para visitantes, e o resultado foi imediato: filas, viagens internacionais organizadas especificamente para conhecer o lugar e uma demanda que não diminuiu nas décadas seguintes. Atualmente, Graceland recebe cerca de 600.000 visitantes por ano e já ultrapassou a marca de 20 milhões de pessoas desde a abertura. É a segunda residência mais visitada dos Estados Unidos, atrás apenas da Casa Branca.

O que os visitantes encontram dentro da mansão hoje?
O interior de Graceland foi preservado exatamente como estava quando Elvis morreu, o que é parte central do apelo do lugar. Quem entra vê os ambientes que Elvis reformou conforme o próprio gosto, frequentemente ousado e distante do que arquitetos recomendariam.
- A sala de televisão no subsolo, com três televisores embutidos na parede sul para que Elvis pudesse assistir aos três canais comerciais americanos ao mesmo tempo.
- A sala de bilhar com paredes e teto forrados por cerca de 360 metros de tecido plissado colorido, instalado em 1974.
- A famosa Sala da Selva, decorada com plantas artificiais, móveis de vime e tecidos com estampa de animais, ambiente que Elvis havia reformado pouco antes de morrer.
- O jardim da meditação, onde Elvis está enterrado ao lado de membros da família, incluindo sua mãe Gladys, seu pai Vernon e, mais recentemente, Lisa Marie, que faleceu em 2023.
- Os portões originais com as silhuetas de guitarra, restaurados em 1990 pelo Museu Nacional de Metal Ornamental.
Qual o valor atual de Graceland e qual a disputa que envolveu a propriedade recentemente?
A propriedade que custou US$ 102.500 em 1957, equivalente a aproximadamente R$ 560 mil hoje em termos de poder de compra, vale atualmente centenas de milhões de dólares considerando o valor imobiliário e o negócio turístico que a envolve. Graceland foi incluída no Registro Nacional de Lugares Históricos dos Estados Unidos antes da morte de Lisa Marie em janeiro de 2023.
Após a morte de Lisa Marie, a propriedade entrou em disputa judicial. Uma empresa chamada Naussany Investments alegou que Lisa Marie havia colocado Graceland como garantia de uma dívida não paga, e tentou levar o imóvel a leilão. Priscilla Presley e Riley Keough, neta de Elvis e herdeira de Lisa Marie, negaram a legitimidade do contrato e contestaram judicialmente a tentativa de venda. Um juiz bloqueou o leilão em 2024, e a disputa se resolveu com a propriedade permanecendo com a família. Graceland segue aberta ao público e operando normalmente.

O que a história de Graceland revela sobre o legado de Elvis além da música
Um imóvel comprado por privacidade se tornou o oposto absoluto do que motivou a compra: um dos pontos de peregrinação mais intensos da cultura popular americana. Isso diz algo sobre a escala do fenômeno que Elvis Presley representou. Não apenas como músico, mas como figura que reorganizou o que a cultura americana reconhecia como entretenimento, comportamento e identidade jovem no pós-guerra.
Os 20 milhões de pessoas que passaram pelos portões de guitarra desde 1982 não foram ver uma casa bonita. Foram ver onde alguém que mudou o som do século XX acordava, dormia, assistia televisão em triplicata e morreu antes dos 50 anos. O lugar preservado exatamente como estava em agosto de 1977 transforma a visita em algo que poucos museus conseguem oferecer: a sensação de que o tempo parou ali dentro, enquanto o mundo lá fora continuou girando sem ele.