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A “Capital das Blusinhas” recebe mais de 100 mil compradores toda semana, movimenta milhões e ajuda a vestir o Brasil inteiro com sua força no comércio de roupas

A famosa “Capital das Blusinhas” recebe mais de 100 mil compradores toda semana.

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A “Capital das Blusinhas” recebe mais de 100 mil compradores toda semana, movimenta milhões e ajuda a vestir o Brasil inteiro com sua força no comércio de roupas
A cidade começou em 1750, quando o português Antônio Burgos ergueu uma cruz de madeira à beira do Rio Capibaribe.

Boa parte das roupas que enchem sacolas nas capitais brasileiras não sai de grandes indústrias do Sudeste. Muita coisa passa antes por Santa Cruz do Capibaribe, no agreste de Pernambuco, a “Capital das Blusinhas” que transformou retalhos descartados por fábricas têxteis em um dos maiores parques de confecção da América Latina. É de lá que sai boa parte da moda popular vendida no país.

Como retalhos de tecido viraram uma indústria em Santa Cruz do Capibaribe?

A cidade começou em 1750, quando o português Antônio Burgos ergueu uma cruz de madeira à beira do Rio Capibaribe. Segundo a Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe, o povoado cresceu lentamente ligado à pecuária, ao algodão e a pequenas manufaturas de confecção.

A virada veio a partir dos anos 1950, quando comerciantes passaram a trazer do Recife sacos de retalhos descartados por fábricas têxteis. Os moradores começaram costurando colchas, depois roupas simples, e o improviso ganhou nome próprio: sulanca, apelido que remete à helanca vinda de São Paulo. A cidade se tornou a maior produtora de confecções do estado.

A capital que não está no mapa comum mas dita tendências
Inaugurado em 7 de outubro de 2006, o Moda Center Santa Cruz ocupa cerca de 32 hectares e reúne mais de 10 mil pontos comerciais entre boxes e lojas – Foto: Wikimedia Commons

O que é o Moda Center Santa Cruz e como funciona?

Segundo a Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe, o município abriga o Moda Center Santa Cruz, considerado o maior parque de confecções da América Latina na categoria. O complexo funciona como um shopping atacadista organizado em módulos identificados por cores, onde os próprios fabricantes vendem direto ao lojista.

As feiras concentram a maior parte do movimento e recebem cerca de 100 mil visitantes em semanas comuns, número que sobe em datas fortes como Carnaval e Natal. Os dias e horários de funcionamento variam conforme o calendário da administração do parque, então quem vai de longe costuma checar o cronograma antes de comprar passagem.

Quanto o Polo de Confecções do Agreste realmente movimenta?

Santa Cruz do Capibaribe não trabalha sozinha. Forma o Polo de Confecções do Agreste junto com Toritama, especializada em jeans, e Caruaru, que reúne feira de artesanato e confecção. De acordo com a Agência Sebrae de Notícias em Pernambuco, o agreste concentra mais de 9,1 mil empresas formalizadas no setor.

Nos últimos anos, uma parte relevante das confecções migrou para o comércio eletrônico. O Sebrae/PE firmou parceria com a Amazon para levar pequenas empresas locais para o marketplace, e alguns empreendedores já fazem quase toda a receita por canais digitais, sinal de que a sulanca aprendeu a costurar também para fora do balcão físico.

O que se compra na cidade que veste o Brasil?

O forte é a moda popular feminina, mas o mix é mais amplo do que aparenta. As peças chegam com preço de fábrica e etiquetas que, muitas vezes, viram outra marca quando cruzam o portão do parque atacadista.

  • Malharia feminina: blusinhas, vestidos, saias e conjuntos, o carro-chefe da cidade e origem do apelido.
  • Moda íntima e moda praia: segmentos em que Santa Cruz aparece como referência no estado, segundo estudos do Sebrae.
  • Moda infantil: peças básicas e temáticas com preços de atacado.
  • Roupa em brim: bermudas, saias e camisas que dividem espaço com o jeans vindo de Toritama.
  • Moda fitness e streetwear: nichos que cresceram com o e-commerce e ganharam produção local dedicada.

O que visitar em Santa Cruz do Capibaribe além das compras?

A cidade oferece paradas culturais e naturais que ajudam a esticar a viagem para além do parque atacadista. A herança da cruz de madeira original e o relevo do agreste rendem passeios rápidos entre uma feira e outra.

  • Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus dos Aflitos: construída no século XIX, guarda memória do povoado que nasceu da cruz de Antônio Burgos.
  • Mirante do Cruzeiro: vista panorâmica da cidade e do vale do Capibaribe, com monumento em homenagem a Frei Damião.
  • Serra do Pará: elevação a poucos quilômetros da sede, com trilhas e vista aberta para o agreste pernambucano.
  • Parque Florestal Fernando Silvestre: área verde preservada dentro da zona urbana, boa para caminhada e contato com a caatinga.

Leia também: Aos 89 anos, um jardineiro esculpiu 200 árvores e criou a “Mais Bela Praça” em uma pequena cidade com apenas 3 mil moradores no interior do RS.

Como é o clima e a melhor época para ir?

O clima é semiárido, com temperaturas altas o ano inteiro e chuvas concentradas em poucos meses. O calendário de compras se organiza em torno das grandes datas do varejo, o que ajuda a escolher o mês certo.

☀️ Verão Dez-Fev
Média: 22-33°C
Chuva: Baixa
Compras de fim de ano e liquidações.
🍂 Outono Mar-Mai
Média: 21-31°C
Chuva: Alta
Garimpo com feiras menos cheias.
❄️ Inverno Jun-Ago
Média: 19-28°C
Chuva: Média
São João e feiras aquecidas.
🌸 Primavera Set-Nov
Média: 21-33°C
Chuva: Baixa
Estoques novos para o Natal.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à Capital das Blusinhas?

Santa Cruz do Capibaribe fica a cerca de 186 km do Recife, acessada principalmente pelas rodovias BR-232 e BR-104. O trajeto de carro leva em torno de duas horas e meia, atravessando cidades da Zona da Mata e do agreste.

Muitos lojistas chegam em excursões de ônibus que saem de capitais do Norte e Nordeste, com destino direto ao parque atacadista. Para quem prefere avião, o aeroporto internacional mais próximo é o Aeroporto do Recife, de onde saem transfers e ônibus fretados nos dias de feira.

Uma cidade que costurou o próprio destino

Santa Cruz do Capibaribe é o retrato raro de um município que virou potência a partir do que outros descartaram. Uma cidade que começou com uma cruz de madeira em 1750 hoje veste milhões de brasileiros sem que a maioria saiba de onde vem a roupa que compra.

Você precisa cruzar os corredores do Moda Center num dia de feira e sentir a energia de uma cidade inteira que faz da costura o seu ganha-pão.