Rio
Julgamento de grupo acusado de espancar capivara começa nesta segunda no Rio
Animal sofreu traumatismo craniano e precisou de meses de tratamento; réus respondem por quatro crimes
A 21ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro inicia, às 13h30 desta segunda-feira (14), o julgamento de seis homens acusados de agredir violentamente uma capivara na Ilha do Governador. O episódio ocorreu em março deste ano, na Zona Norte da capital fluminense, e gerou forte comoção pública.
Os réus Wagner da Silva Bernardo, Isaías Melquiades Barros da Silva, Matheus Henrique Teodosio, Pedro Eduardo Rodrigues, José Renato Bezerra da Silva e Paulo Henrique Souza Santana estão presos desde o final daquele mês. O grupo foi denunciado pelo Ministério Público por uma série de crimes cometidos durante a ação.
Acusações enfrentadas pelos réus no processo:
- Maus-tratos e caça ilegal. Os acusados respondem por ferir o animal silvestre com o uso de métodos cruéis durante a madrugada. A denúncia aponta que a conduta configura crime ambiental grave contra a fauna local.
- Associação criminosa e corrupção de menores. A investigação indica que o grupo agiu de forma organizada para praticar as agressões. O crime também envolveu a participação de dois adolescentes, que foram apreendidos pela polícia na ocasião.
Imagens de segurança flagraram a perseguição

O crime foi registrado por câmeras de monitoramento na orla do Quebra Coco no dia 21 de março. As gravações mostram o momento em que os homens, portando pedaços de pau, cercam e golpeiam o animal. A capivara tentou fugir, mas acabou caindo após receber diversos impactos.
Segundo relatos de moradores da região, o animal pertencia a uma família de capivaras que habitava o local há bastante tempo. Os animais eram conhecidos pela convivência pacífica com a vizinhança e costumavam circular livremente pelas ruas próximas à praia antes do ataque.
Recuperação e soltura do animal na natureza

A capivara foi encontrada com traumatismo craniano, perfurações pelo corpo e uma lesão severa em um dos olhos. O mamífero precisou passar por dois meses de cuidados intensivos em uma clínica veterinária especializada para se recuperar dos ferimentos causados pelos agressores.
Após o período de reabilitação e a confirmação de que o animal estava com a saúde restabelecida, a equipe técnica responsável pelo caso realizou a soltura na natureza. O grupo de agressores fugiu do local logo após o espancamento, sem prestar qualquer auxílio ao bicho ferido.