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A Capital do Pantanal na fronteira com a Bolívia que dá acesso a uma região reconhecida pela concentração de onças-pintadas e pelo turismo de natureza
Rios, áreas alagáveis e mata preservada.
Às margens do Rio Paraguai, na divisa com a Bolívia, Corumbá funciona como uma das principais portas de entrada para o maior pantanal do planeta. Conhecida como “Capital do Pantanal”, a cidade reúne paisagens em que o rio ganha tons intensos ao entardecer e estradas de terra que atravessam áreas onde a presença da onça-pintada faz parte da fauna local.
Como o antigo porto internacional transformou Corumbá?
A prosperidade de Corumbá esteve diretamente ligada ao movimento de seu porto, que chegou a concentrar 25 bancos internacionais durante o auge do ciclo portuário, enquanto a libra esterlina circulava pelas ruas. A origem do município remonta a 21 de setembro de 1778, quando o capitão Luiz de Albuquerque fundou a localidade com o objetivo de conter o avanço espanhol na fronteira oeste do Brasil.
A posição estratégica transformou o porto em um importante entreposto da Bacia do Prata, conectado ao continente europeu por embarcações de diferentes países. Parte dessa história permanece no Casario do Porto Geral, conjunto reconhecido e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1993. A presença de solo claro e rico em calcário também marcou a identidade do município, originando o apelido de Cidade Branca.
Com a maior extensão territorial de Mato Grosso do Sul, Corumbá concentra cerca de 60% do Pantanal sul-mato-grossense. A dimensão dessa relação com o bioma ajudou a consolidar o título de Capital do Pantanal, reconhecimento aprovado pela Câmara dos Deputados.

Quais atrações conhecer em Corumbá além do centro histórico?
A região central concentra parte importante da história, mas Corumbá também oferece mirantes, museus e diferentes formas de contato com o Pantanal a poucos minutos de distância. Para montar um roteiro urbano de pelo menos dois dias, estes são alguns dos lugares destacados pela Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur):
- Casario do Porto Geral: conjunto de construções neoclássicas às margens do Rio Paraguai, com bares, artesanato e um dos principais pontos para acompanhar o pôr do sol da cidade.
- Cristo Rei do Pantanal: localizado no alto do Morro do Cruzeiro, o monumento criado pela artesã Izulina Xavier proporciona uma vista de 360 graus sobre a planície alagada.
- Museu de História do Pantanal (Muhpan): ocupa um edifício construído em 1876 na área portuária e apresenta aspectos da história do bioma e das populações que vivem nele. A entrada é gratuita.
- Forte Coimbra: antiga fortificação que pode ser alcançada de barco e teve participação em episódios importantes da Guerra do Paraguai.
- Memorial do Homem Pantaneiro: instalado na Casa Vasquez, construída em 1909, preserva um acervo dedicado aos costumes e à cultura pantaneira.
Onde é possível avistar onças-pintadas no Pantanal?
A Estrada Parque é uma das rotas para observar a fauna pantaneira em seu ambiente natural. O caminho de terra atravessa áreas do bioma onde é possível encontrar jacarés, tuiuiús e capivaras próximos à estrada, enquanto a onça-pintada aparece como um dos grandes atrativos para quem percorre a região em busca de animais selvagens.
Durante a estação seca, a concentração de onças-pintadas no Pantanal favorece a realização de safáris fotográficos, atividade que se tornou uma das experiências mais procuradas por visitantes. Também há passeios de barco que partem do porto e avançam por áreas do bioma em roteiros de dia inteiro. O Pantanal recebeu da UNESCO o reconhecimento como Patrimônio Natural Mundial em 2000.
Quais sabores representam a gastronomia de Corumbá?
A gastronomia de Corumbá reflete a localização fronteiriça e combina ingredientes e tradições do Pantanal com influências bolivianas e paraguaias, além de preparações ligadas à culinária brasileira. Peixes de rio, churrasco de chão e receitas trazidas de outros países aparecem entre os sabores que ajudam a contar a história cultural do município.
- Mojica de pintado: ensopado cremoso preparado com peixe pintado e mandioca, considerado um dos pratos representativos da culinária pantaneira.
- Sarrabulho: receita de origem portuguesa feita com miúdos bovinos, azeitonas e vinho tinto, tradicionalmente servida como entrada do churrasco em festas.
- Chipa: pão de polvilho e queijo com formato de ferradura, de origem paraguaia e muito presente nos cafés da manhã locais.
- Saltenha: empanado boliviano recheado com frango, batata e uva-passa, preparado com uma massa levemente adocicada.
- Tereré: bebida feita com erva-mate gelada e tradicionalmente servida em recipiente de chifre de boi, incorporada à rotina de muitos moradores.

Qual a melhor época para visitar a Cidade Branca
A seca, de maio a setembro, é a melhor janela para os safáris, com rios baixos e fauna concentrada. No verão chegam o calor intenso e as chuvas que renovam o bioma e enchem a planície.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. As condições podem variar.
Qual é a melhor forma de chegar a Corumbá?
A 420 km de Campo Grande, Corumbá pode ser acessada pela BR-262, em uma viagem de aproximadamente cinco a seis horas de carro ou ônibus que atravessa uma paisagem cênica do Pantanal. Para quem prefere o transporte aéreo, o Aeroporto Internacional de Corumbá recebe voos de Campinas e conexões pela capital. A cidade vizinha de Ladário também fica próxima, a apenas 6 km, facilitando a circulação pela região.
Por que conhecer a Capital do Pantanal?
A Capital do Pantanal concentra em um mesmo destino a história marcada pela fronteira, a natureza preservada e uma gastronomia formada pelo encontro de diferentes culturas. A possibilidade de observar onças-pintadas, percorrer um casario centenário e acompanhar o pôr do sol sobre o rio cria uma combinação pouco comum entre os destinos brasileiros.
Conhecer Corumbá significa entrar em contato com o ritmo da maior planície alagável do mundo e observar de perto como o Pantanal, a história e a vida de fronteira moldaram a identidade da cidade.