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Em 2026, Marrocos construiu uma “cidade solar” no deserto que gera 580 MW e abastece mais de 1 milhão de pessoas
Marrocos combina espelhos e painéis solares em complexo que abastece cerca de 1 milhão de casas
Na borda do deserto do Saara, perto da cidade de Ouarzazate, o Marrocos ergueu o Noor Ouarzazate, um dos maiores complexos de energia solar do mundo. Com 580 MW de potência instalada, a estrutura consegue suprir as necessidades energéticas de cerca de 1 milhão de residências, segundo dados do Banco Mundial.
Como funciona esse complexo de energia solar no deserto?
O Noor Ouarzazate não é uma instalação única, e sim um conjunto de quatro unidades diferentes. A Noor I, com 160 MW, entrou em operação em 2016 usando coletores parabólicos para concentrar a radiação solar. Depois vieram a Noor II, com 200 MW, a Noor III, com 150 MW, e a Noor IV, uma instalação fotovoltaica de 70 MW, somando os 580 MW totais do complexo.
O diferencial do projeto está no fato de que parte da energia não vem da conversão direta da luz solar em eletricidade. Milhares de espelhos, chamados heliostatos, acompanham o movimento do sol e direcionam a radiação para um receptor no topo de uma torre central.
Por que essa usina consegue gerar eletricidade mesmo à noite?
O calor concentrado pelos espelhos é armazenado em sais fundidos, um material capaz de reter temperatura por longos períodos. Esse calor pode ser convertido em vapor posteriormente, movimentando uma turbina que produz eletricidade mesmo depois do pôr do sol. O Banco Mundial destaca esse sistema de armazenamento como o elemento central da tecnologia usada no complexo.

Que papel o Noor Ouarzazate ocupa na estratégia energética marroquina?
A primeira fase da usina entrou em funcionamento em 2016, dentro de um esforço mais amplo do Marrocos para aumentar a participação de fontes renováveis na matriz elétrica do país. Durante anos, a nação dependeu fortemente da importação de combustíveis fósseis, mesmo possuindo um potencial solar e eólico expressivo em seu próprio território.
O complexo se tornou um dos projetos centrais dessa transição energética, alinhado à meta marroquina de alcançar 52% da capacidade elétrica instalada proveniente de fontes renováveis até 2030, conforme dados oficiais do Banco Mundial.
Quais tecnologias diferentes compõem o Noor Ouarzazate?
O complexo combina duas abordagens distintas de captação solar, cada uma com características próprias de geração e armazenamento. Entre os principais elementos técnicos que sustentam essa operação estão:
- Tecnologia heliotérmica, que usa espelhos e torres para concentrar calor
- Painéis fotovoltaicos, que convertem luz solar diretamente em eletricidade
- Sistema de armazenamento térmico em sais fundidos
- Capacidade de produção contínua mesmo sem luz solar direta

Uma década depois, qual o legado desse projeto no deserto
Quase dez anos após o início das obras, o Noor Ouarzazate segue como uma das referências mais citadas quando o assunto é energia solar em larga escala. A combinação entre tecnologia heliotérmica, painéis fotovoltaicos e armazenamento térmico tornou o complexo um modelo estudado por outros países que buscam soluções semelhantes em regiões desérticas.
Mais do que uma usina isolada, o projeto representa um marco na tentativa marroquina de reduzir a dependência de combustíveis fósseis, aproveitando justamente o recurso mais abundante numa região como o Saara. A escala do complexo mostra como a energia solar pode transformar um território árido numa fonte constante de eletricidade para milhões de pessoas.