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Especialistas em psicologia concordam: “Quem sempre chega atrasado pode não ter apenas dificuldade de planejamento, mas ser otimista demais sobre o tempo ou tentar manter controle sobre cada tarefa”

A psicologia explica por que algumas pessoas subestimam o tempo das tarefas mesmo depois de já terem se atrasado antes

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Especialistas em psicologia concordam: “Quem sempre chega atrasado pode não ter apenas dificuldade de planejamento, mas ser otimista demais sobre o tempo ou tentar manter controle sobre cada tarefa”
Começar uma tarefa de última hora pode ocupar justamente o período que deveria ser reservado para sair. (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Chegar atrasado repetidamente pode envolver mais do que esquecer um compromisso. A psicologia estuda como estimamos a duração das tarefas e por que essas previsões nem sempre correspondem à realidade. Em algumas situações, a pessoa organiza o dia contando com um cenário ideal, sem espaço para interrupções, deslocamentos ou atividades que demoram além do previsto.

Por que podemos ser otimistas demais ao calcular o tempo?

Uma explicação estudada é a falácia do planejamento, a tendência de subestimar quanto tempo uma tarefa exigirá, mesmo quando experiências anteriores indicam uma duração maior. Pesquisas de Roger Buehler, Dale Griffin e Michael Ross investigaram como as pessoas se concentram no plano imaginado e deixam em segundo plano informações relevantes do passado.

Na rotina, isso pode aparecer quando alguém calcula o trajeto com base no dia em que encontrou todas as ruas livres. A previsão considera o melhor cenário, embora ele não seja o mais frequente. Otimismo na estimativa não significa necessariamente uma personalidade otimista em todos os aspectos. Pesquisas distinguem esse viés específico de previsão temporal de um traço global de personalidade, como mostra a Organizational Behavior and Human Decision Processes. Trata-se de uma maneira de avaliar aquela tarefa ou situação.

Especialistas em psicologia concordam: “Quem sempre chega atrasado pode não ter apenas dificuldade de planejamento, mas ser otimista demais sobre o tempo ou tentar manter controle sobre cada tarefa”
Começar uma tarefa de última hora pode ocupar justamente o período que deveria ser reservado para sair. (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Quais detalhes costumam ficar fora do planejamento?

Um compromisso não começa apenas quando chegamos ao destino. Antes disso, há uma sequência de preparativos que precisa caber no horário disponível. Imagine uma consulta às 15h, com um trajeto de 20 minutos: sair às 14h40 pode ser insuficiente se ainda houver espera e caminhada. Entre as etapas esquecidas estão:

  • Guardar materiais de trabalho e encerrar o que estava sendo feito antes de sair;
  • Separar documentos, procurar chaves e conferir os objetos necessários;
  • Esperar o elevador, caminhar até o ponto ou aguardar o transporte;
  • Encontrar uma vaga e percorrer a distância entre o estacionamento e o destino;
  • Fazer cadastro na recepção ou localizar a sala onde ocorrerá o atendimento.

Querer terminar tudo antes de sair pode provocar atrasos?

Outra situação possível é a dificuldade de interromper uma atividade ainda incompleta. Alguém percebe que precisa sair, mas decide responder mais uma mensagem, revisar um detalhe ou guardar a última peça de roupa. Nesse exemplo, o horário pode até ter sido calculado corretamente. O atraso surge porque uma nova tarefa ocupa o período reservado à saída.

Esse comportamento pode ser explorado como uma tentativa de deixar tudo resolvido antes de mudar de atividade, mas não permite concluir que a pessoa seja controladora. Um atraso isolado ou frequente não revela, sozinho, um traço de personalidade. Também é preciso considerar excesso de compromissos, transporte imprevisível, responsabilidades familiares e outras condições concretas da rotina.

Especialistas em psicologia concordam: “Quem sempre chega atrasado pode não ter apenas dificuldade de planejamento, mas ser otimista demais sobre o tempo ou tentar manter controle sobre cada tarefa”
Começar uma tarefa de última hora pode ocupar justamente o período que deveria ser reservado para sair. (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Como construir uma previsão mais próxima da realidade?

Um ponto de partida é comparar o tempo imaginado com o efetivamente gasto. Durante alguns dias, anotar o início dos preparativos, a saída e a chegada ajuda a localizar onde a previsão falha. A partir desse registro, é possível experimentar ajustes específicos, sem depender apenas da intenção de se apressar:

  • Use a duração habitual do percurso como referência, em vez do menor tempo já conseguido;
  • Inclua os preparativos e a entrada no local, além do deslocamento principal;
  • Defina um horário para parar a atividade anterior e outro para sair;
  • Evite começar tarefas opcionais quando já estiver no período reservado aos preparativos;
  • Deixe uma margem compatível com as variações observadas naquele trajeto;
  • Revise compromissos consecutivos quando o intervalo entre eles não comportar a transição.

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Compreender o atraso também envolve cuidar de quem espera

Investigar por que alguém costuma chegar atrasado ajuda a substituir rótulos por ajustes observáveis. Se o problema está na estimativa, convém rever os tempos usados. Se aparece ao encerrar tarefas, o foco pode ser respeitar o horário de interrupção. Reconhecer o mecanismo não elimina o impacto sobre colegas, amigos ou profissionais que reservaram aquele período.

A pontualidade depende de um plano que caiba no tempo disponível. Quando o atraso já for inevitável, avisar assim que perceber e informar uma previsão realista permite que os outros reorganizem seus compromissos. Para os próximos encontros, o aprendizado está em usar a experiência anterior, limitar tarefas de última hora e considerar também o tempo de quem espera.