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Voto em senador redefine o equilíbrio entre os poderes: o papel pouco conhecido de quem pode julgar o presidente da República com base na Constituição
54 cadeiras de senador estão em disputa nas eleições; entenda como a escolha pode impactar a composição do STF.
O seu voto para o Senado no próximo dia 4 de outubro decide muito mais do que a simples eleição de um político. Ele define quem terá o poder de julgar o presidente da República e aprovar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), conforme determina a Constituição Federal em seu artigo 52.
Com a eleição presidencial dominando as atenções, a escolha dos senadores muitas vezes fica em segundo plano. No entanto, entender a função deles é fundamental para um voto consciente, especialmente em um ano que renovará dois terços da casa, com 54 vagas em disputa.
Qual a diferença fundamental entre senador e deputado?
A principal distinção está em quem eles representam. Os deputados federais são os representantes do povo, e o número de vagas por estado varia conforme o tamanho da população. São Paulo, por exemplo, tem 70 deputados, enquanto o Amapá possui apenas oito.
Já os senadores representam os estados e o Distrito Federal, não a população. Por isso, a representação é igualitária: cada unidade da federação tem direito a três senadores, com mandato de oito anos, totalizando 81 no plenário. Essa regra, prevista na Constituição, garante que estados menos populosos tenham o mesmo peso que os gigantes demográficos nas decisões do Senado.
O que um senador faz na prática?
Além de criar e votar leis, os senadores possuem atribuições exclusivas de grande impacto. Segundo o artigo 52 da Constituição, compete privativamente ao Senado aprovar nomes indicados pelo presidente para cargos-chave, como ministros do STF, o procurador-geral da República, diretores do Banco Central e embaixadores.
Eles também atuam como uma casa revisora. Qualquer projeto de lei aprovado na Câmara dos Deputados precisa passar pelo crivo dos senadores antes de seguir para a sanção presidencial. Na prática, eles funcionam como um filtro de controle do Poder Legislativo.
Como o Senado pode julgar um presidente?
Essa é uma de suas competências mais conhecidas. Em um processo de impeachment, a Câmara dos Deputados autoriza a abertura do processo por crime de responsabilidade. O julgamento, contudo, é realizado exclusivamente pelo Senado Federal, em uma sessão presidida pelo presidente do STF. A decisão de condenar ou absolver um presidente está nas mãos dos 81 senadores.
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A renovação do Senado não acontece de uma só vez. Como o mandato é de oito anos, as eleições ocorrem a cada quatro, alternando a quantidade de vagas. Em uma eleição, os eleitores votam para uma vaga. Na eleição seguinte, como a de 2026, são renovadas as outras duas vagas.
Neste ano, eleitores de todos os estados, incluindo o Rio de Janeiro, escolherão dois nomes para o Senado. É por isso que 54 cadeiras estarão em jogo em outubro, correspondendo a dois terços da composição da Casa.
O voto para senador, portanto, não é um complemento ao do presidente: é uma escolha estratégica sobre quem fiscalizará e equilibrará os outros Poderes da República.