Rio
Ex-vereadora Mãe Loira é procurada pela polícia, foge e deixa cachorros no Recreio
Verônica Costa é considerada foragida após Justiça determinar cumprimento de pena de 10 anos e 8 meses por tortura contra o ex-marido
A Polícia Civil não conseguiu prender a ex-vereadora Verônica Costa, conhecida como Mãe Loira do Funk, nesta quinta-feira (24). Ela é considerada foragida após a Justiça determinar o cumprimento de pena de 10 anos e 8 meses de prisão por tortura contra o ex-marido, Márcio Costa.
Durante as buscas, agentes foram a endereços ligados à ex-parlamentar no Rio de Janeiro. Num apartamento no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste da cidade, encontraram o imóvel vazio, com dois cachorros dentro.
Da cultura funk à política carioca
Antes de entrar para a política, Verônica construiu sua fama no funk carioca pela ligação com a Furacão 2000, uma das principais produtoras do gênero. A popularidade nos bailes rendeu uma base eleitoral com forte presença nas favelas da cidade. No Legislativo, ela fez do funk uma bandeira, atuando pelo reconhecimento de manifestações culturais ligadas às comunidades. Um dos projetos de sua autoria transformou o passinho em patrimônio cultural imaterial do povo carioca, tornando-se lei municipal.
Verônica foi eleita pela primeira vez em 2000 e manteve presença quase contínua na Câmara Municipal ao longo das décadas seguintes, com passagens por PL, PMDB, DEM e Republicanos. Em 2020, pelo DEM, foi reeleita com 17.939 votos, 0,68% dos votos válidos para vereador na capital, bem abaixo dos 36.961 votos que obteve em sua estreia eleitoral.
Pena dobrou após recurso do MP
A condenação definitiva veio em 2023, quando a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio acolheu recurso do Ministério Público e elevou a pena de 5 anos e 10 meses para 10 anos e 8 meses. O caso teve início em 2011, quando Márcio Costa denunciou as agressões à Polícia Civil, mas a condenação em primeira instância só ocorreu em 2019. A mesma decisão de 2023 manteve a perda do mandato de vereadora, já determinada pela 16ª Vara Criminal quatro anos antes.
Outros quatro réus ligados à ex-vereadora também tiveram as penas elevadas pelo tribunal. Bruno Chaves Ribeiro recebeu 10 anos e 8 meses. Tatiane Chaves Ribeiro, Bruno Marcelo Bahia Marques e Sebastião de Oliveira Evangelista foram condenados a 10 anos cada. Todos deverão cumprir as penas em regime fechado. As defesas recorreram, mas os recursos foram rejeitados pelos desembargadores.