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Saúde

Doença celíaca silenciosa afeta a fertilidade e pode reduzir a reserva ovariana sem dar sinais claros

Doença celíaca pode comprometer os ovários e a qualidade dos óvulos; saiba quais exames podem ajudar na investigação.

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Mulher de suéter pêssego e jeans sentada, com as mãos no abdômen, em aparente desconforto ou dor.
Sintomas como dores abdominais podem ser alertas para a doença celíaca, que afeta a fertilidade feminina e a dificuldade para engravidar. [Créditos: depositphotos.com / sitthiphong]

A dificuldade para engravidar sem uma causa aparente pode ter uma origem surpreendente: a sensibilidade ao glúten. A doença celíaca, uma condição autoimune que vai muito além de desconfortos digestivos, está diretamente ligada à saúde reprodutiva feminina e nem sempre dá sinais claros, como dores de estômago ou diarreia.

Esse alerta reforça a importância de reconhecer os sinais da doença celíaca, um diagnóstico que muitas mulheres demoram a receber. A identificação tardia pode prolongar os sintomas e dificultar o controle da condição.

O que a doença celíaca tem a ver com a dificuldade para engravidar?

A doença celíaca provoca uma inflamação crônica no intestino delgado quando a pessoa consome glúten. Essa reação inflamatória, no entanto, não fica restrita ao sistema digestivo e pode se espalhar pelo corpo, afetando outros órgãos, inclusive os reprodutivos.

Mas eu não sinto nada no estômago. Como isso é possível?

Aqui reside o principal obstáculo para o diagnóstico. Muitas pessoas possuem a chamada doença celíaca “silenciosa” ou “não clássica”. Nesses casos, os sintomas gastrointestinais são mínimos ou inexistentes, mas a condição se manifesta de outras formas.

Segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia (FEBRAGE), manifestações como anemia por deficiência de ferro que não melhora com suplementação, enxaquecas, aftas recorrentes e infertilidade podem ser os únicos sinais da doença. A inflamação intestinal acontece, mas de forma oculta.

Como o glúten afeta diretamente os ovários?

A inflamação crônica causada pelo glúten leva à má absorção de nutrientes vitais para a saúde ovariana, como zinco, selênio, ferro e ácido fólico. Essa deficiência nutricional pode levar a um envelhecimento precoce dos ovários, resultando em uma reserva ovariana reduzida.

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Para quem está tentando engravidar e suspeita da condição, o caminho investigativo é claro e deve ser orientado por um médico. A investigação começa com exames de sangue que buscam por anticorpos específicos, como o anti-transglutaminase tecidual (anti-tTG) IgA.

Caso os marcadores venham alterados, o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico é a endoscopia com biópsia do duodeno, a primeira porção do intestino delgado. É fundamental não cortar o glúten da dieta antes de realizar os testes, pois isso pode alterar os resultados e mascarar a doença.

Para quem planeja uma gravidez, investigar a relação com o glúten não é um exagero, mas uma etapa essencial de cuidado com a própria saúde reprodutiva.