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A psicologia explica que quem acha a estante que montou sozinho mais bonita que a da loja não está sendo teimoso, mas sentindo o chamado efeito IKEA
Estudo publicado em 2012 mostra que o esforço bem-sucedido aumenta o valor que damos àquilo que construímos com as próprias mãos
Montar uma estante com as próprias mãos, entre parafusos e manuais confusos, muda a forma como enxergamos o resultado. A psicologia deu nome a esse orgulho: efeito IKEA, a tendência de valorizar mais aquilo que construímos do que um produto idêntico comprado pronto.
O que é o efeito IKEA e quem criou esse nome?
O termo foi proposto pelos pesquisadores Michael Norton, da Harvard Business School, Daniel Mochon e Dan Ariely. O estudo saiu em 2012 no Journal of Consumer Psychology, como registra o repositório acadêmico da Universidade Harvard.
Os autores definem o fenômeno como o aumento da valorização de produtos feitos pela própria pessoa. Para testar a ideia, pediram que voluntários montassem caixas da IKEA, dobrassem origamis e construíssem conjuntos de Lego.

O que os experimentos revelaram sobre montar os próprios móveis?
No primeiro teste, 52 universitários foram divididos em dois grupos. Metade montou uma caixa organizadora preta da IKEA, enquanto a outra metade apenas examinou a mesma caixa já pronta.
Depois, todos fizeram lances para comprar o produto. No fim, um preço era sorteado, e quem tivesse oferecido valor igual ou maior levava a caixa para casa. Os resultados, descritos no estudo publicado pela Harvard Business School, mostram uma diferença clara, resumida na tabela abaixo.
HARVARD
| Situação | Lance médio |
|---|---|
| Caixa montada pelo próprio participante | US$ 0,78 |
| Mesma caixa entregue pronta | US$ 0,48 |
| Origami avaliado pelo próprio autor | US$ 0,23 |
| Mesmo origami avaliado por outras pessoas | US$ 0,05 |
| Origami de especialista avaliado por outras pessoas | US$ 0,27 |
Quem montou a caixa ofereceu 62,5% a mais pelo mesmo objeto. No teste com origami, os amadores deram às próprias dobraduras um valor próximo ao de peças de especialistas. Já os outros participantes viam aquelas criações quase como papel amassado.
O prazer de construir algo com as próprias mãos vai muito além de uma estante. Há famílias que levam essa experiência ao limite e erguem a casa inteira.
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Por que o esforço faz o objeto parecer mais bonito?
O estudo mostra que o carinho depende de um detalhe: o trabalho precisa dar certo. Quando os voluntários montavam e depois desmontavam a peça, ou não conseguiam terminá-la, o efeito desaparecia.
Outro achado curioso é que a valorização surgiu até entre pessoas sem interesse especial por projetos do tipo “faça você mesmo”. Os participantes ainda esperavam que outras pessoas compartilhassem a mesma opinião sobre suas criações.
Esse último ponto ajuda a entender certas discussões domésticas. Quem montou o móvel tende a acreditar que todos vão enxergar nele o mesmo valor, o que nem sempre acontece.

O efeito IKEA é diferente de gostar do que é nosso?
Os pesquisadores fizeram essa mesma pergunta. No segundo experimento, eles separaram o efeito IKEA de outros fenômenos que também elevam o valor que damos a um produto.
Um deles é o efeito dotação, a tendência de valorizar algo só porque nos pertence. Outro é o simples ato de tocar o objeto. Mesmo com essas influências isoladas, o trabalho de montar manteve seu peso na avaliação.
Gostar mais do móvel que você montou é teimosia?
Não é teimosia, e sim um mecanismo psicológico documentado. O esforço bem-sucedido cria um vínculo com o objeto, e esse vínculo muda a percepção de valor, mesmo quando a peça tem pequenas imperfeições.
Da próxima vez que alguém estranhar o seu orgulho pela estante montada em casa, explique a ciência por trás dele. Conte para a gente qual móvel você montou e não troca por nenhum da loja.
O apego a objetos e lugares também aparece em outras fases da vida. Um exemplo comum envolve pais idosos e a casa onde a família cresceu.
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