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A psicologia explica que pessoas competentes que cometem uma pequena gafe em público não perdem a admiração dos outros, mas passam a parecer mais simpáticas
O experimento clássico mostra por que um deslize humaniza algumas pessoas, mas prejudica outras
Derrubar o café na reunião, tropeçar no palco ou trocar uma palavra no meio da apresentação costuma parecer o fim do mundo para quem erra. Para quem já é visto como competente, porém, a psicologia sugere o contrário: um deslize pequeno pode aproximar em vez de afastar.
O que é o efeito pratfall descrito pela psicologia?
O nome vem do inglês “pratfall”, que significa um tombo desajeitado ou uma trapalhada. O efeito pratfall descreve a tendência de gostar mais de uma pessoa competente depois que ela comete uma falha pequena e humana diante dos outros.
A ideia foi testada em 1966 pelos psicólogos Elliot Aronson, Ben Willerman e Joanne Floyd. O estudo, publicado na revista Psychonomic Science e disponível na plataforma da editora Springer, foi realizado na Universidade de Minnesota. O artigo ocupa apenas duas páginas do volume 4 da revista, e a pesquisa recebeu apoio da Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos.
O experimento chegou a um resultado que ficou famoso. A atratividade de uma pessoa superior aumentou depois que ela cometeu uma trapalhada desajeitada.

Por que um erro pode deixar alguém mais simpático?
Os autores propuseram uma explicação simples. Uma pessoa muito competente pode ser vista como sobre-humana e, por isso, distante. O deslize a torna mais humana e, em consequência, mais atraente para quem observa.
Em outras palavras, o erro funciona como uma ponte. Ele lembra ao público que aquela pessoa brilhante também derruba coisas, esquece palavras e passa por constrangimentos, como qualquer um de nós.
Esse ganho de simpatia, porém, não tem relação com fingir erros. O efeito descrito no estudo surgiu de uma trapalhada genuína, e não de uma encenação planejada para agradar.
O constrangimento de errar em público também costuma provocar reações curiosas em quem está por perto. Uma delas é o riso em momentos tensos, que nem sempre significa deboche.
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O efeito pratfall funciona com qualquer pessoa?
Não, e essa é a parte menos lembrada do estudo. O mesmo tipo de trapalhada que aumentou a atratividade da pessoa superior tendeu a diminuir a atratividade de uma pessoa medíocre.
A diferença está no que o público já pensa de quem errou. Para alguém visto como competente, o deslize humaniza. Para quem ainda não demonstrou competência, o mesmo erro pode apenas reforçar uma impressão negativa.
Resumindo o experimento, o mesmo erro produziu efeitos opostos conforme a imagem de quem o cometeu. Os dois cenários ficam assim:
- Pessoa vista como competente: a trapalhada aumentou sua atratividade diante do público.
- Pessoa vista como medíocre: o mesmo deslize tendeu a reduzir sua atratividade.
Por isso, a lição do experimento não é errar de propósito. O efeito depende de uma reputação construída antes do tropeço, e a gafe só ajuda porque contrasta com o desempenho que as pessoas já reconhecem.
Também vale lembrar que o estudo tratou de um deslize pequeno e desajeitado. Falhas graves, que causam prejuízo ou colocam alguém em risco, pertencem a outra categoria e não entram nessa conta.

Como lidar melhor com uma gafe em público?
A pesquisa oferece um alívio para quem vive com medo de errar na frente dos outros. Se você é reconhecido pelo que faz bem, um tropeço pequeno dificilmente apaga essa imagem e pode até tornar você mais próximo das pessoas.
Na próxima gafe, respire, ria de si mesmo se couber e siga em frente. Conte para a gente qual foi o deslize mais memorável que você já cometeu em público e como as pessoas reagiram.
A forma como tratamos as pessoas no dia a dia também revela muito sobre nós. Um gesto simples no supermercado, por exemplo, chama a atenção da psicologia.
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