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A psicologia sugere que quem prefere assistir a filmes e séries repetidos em vez de buscar novidades não tem falta de criatividade, mas está utilizando a previsibilidade da história para relaxar o cérebro

Estudos da University at Buffalo e do Journal of Consumer Research ligam as reprises à recuperação de energia e emoções

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A psicologia sugere que quem prefere assistir a filmes e séries repetidos em vez de buscar novidades não tem falta de criatividade, mas está utilizando a previsibilidade da história para relaxar o cérebro
Rever uma série favorita ajuda a restaurar o autocontrole depois de um dia exigente - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Tem gente que já sabe as falas da série favorita de cor e mesmo assim aperta o play de novo. De fora, o hábito pode parecer preguiça ou falta de curiosidade. Pesquisas em psicologia e comportamento do consumidor sugerem outra explicação. Rever filmes e séries conhecidos funciona como uma forma de recuperar energia e controlar as próprias emoções.

O que a psicologia diz sobre rever filmes e séries?

Uma pesquisa divulgada pela University at Buffalo, nos Estados Unidos, concluiu que assistir à reprise de um programa favorito ajuda a restaurar o autocontrole. O efeito apareceu em pessoas que tinham acabado de gastar força de vontade em outras tarefas.

A autora, a pesquisadora Jaye Derrick, explicou a lógica no comunicado da universidade. Quando alguém assiste a uma reprise favorita, normalmente não precisa fazer esforço para controlar o que pensa, diz ou faz. A história já conhecida dispensa atenção extra e permite descansar.

A mente humana busca atalhos que dão sensação de controle no cotidiano. Esta leitura mostra outro hábito comum ligado à previsibilidade da rotina.

O que os estudos encontraram sobre as reprises?

Há também um estudo publicado em 2012 no Journal of Consumer Research. Os autores entrevistaram pessoas que releem livros, reveem filmes e voltam a lugares já visitados. O quadro abaixo compara os dois trabalhos.

O QUE DIZEM AS PESQUISAS
ESTUDOS
Dois estudos sobre o hábito de rever histórias conhecidas
Pesquisa Como foi feita Principal achado
Jaye Derrick, University at Buffalo Estudos com participantes que gastaram força de vontade antes de ver TV Reprises favoritas ajudam a restaurar o autocontrole
Cristel Russell e Sidney Levy, 2012 Entrevistas sobre reler livros, rever filmes e revisitar lugares Repetir dá eficiência emocional e ajuda a refletir sobre a própria trajetória

Os dois trabalhos chegam a conclusões complementares. Um mede a recuperação de energia mental. O outro descreve como as pessoas usam a repetição para encontrar emoções que já sabem que vão sentir, sem depender da surpresa.

Rever histórias é mesmo sinal de pouca criatividade?

Nenhum dos dois estudos trata o hábito como defeito. O resumo do artigo de Russell e Levy, publicado pela University of Arizona, trata o reconsumo como uma escolha ativa e consciente. A pessoa decide o que rever e mantém o controle sobre a própria experiência.

Os autores observam que quem revê uma obra ganha percepções mais profundas sobre ela, porque passa a notar detalhes que escaparam na primeira vez. Também passa a perceber o próprio crescimento, porque compara o que sente hoje com o que sentiu nas vezes anteriores.

A psicologia sugere que quem prefere assistir a filmes e séries repetidos em vez de buscar novidades não tem falta de criatividade, mas está utilizando a previsibilidade da história para relaxar o cérebro
Histórias conhecidas permitem descansar sem esforço para acompanhar a trama – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Por que a previsibilidade ajuda a relaxar o cérebro?

Uma história conhecida não traz sustos nem exige que a pessoa acompanhe cada reviravolta. Segundo a pesquisa de Buffalo, é justamente essa ausência de esforço que permite recuperar a energia gasta ao longo do dia.

Russell e Levy chamam o fenômeno de eficiência emocional. Quem escolhe rever um filme otimiza a busca pelas emoções que deseja sentir, sem arriscar o tempo com algo que pode decepcionar. A previsibilidade, nesse caso, é uma vantagem.

A psicologia sugere que quem prefere assistir a filmes e séries repetidos em vez de buscar novidades não tem falta de criatividade, mas está utilizando a previsibilidade da história para relaxar o cérebro
O efeito aparece em quem já gastou força de vontade em outras tarefas – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Vale rever aquela série favorita sem culpa?

Pelo que as pesquisas indicam, sim, desde que o hábito ajude a descansar e não substitua outras atividades importantes. Reassistir a uma história querida pode ser uma forma legítima de recarregar as baterias depois de um dia exigente. O mais importante é perceber se esse conforto vem acompanhado de descanso real.

Então, na próxima noite cansativa, não se cobre por escolher aquele episódio que você já viu dez vezes. Aproveite a sensação de conforto e repare se, no dia seguinte, você acorda com mais disposição.

O cérebro também prega peças curiosas quando uma informação nova chama a atenção, como explica este outro fenômeno.