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Um paraíso no Brasil com o maior campo de dunas da América do Sul com 155 mil hectares e 33 mil lagoas alimentadas pela chuva que se deslocam
Dunas de areia e 33 mil lagoas temporárias formam uma paisagem única.
Poucas paisagens do planeta conseguem reunir uma formação geológica tão singular quanto o deserto sazonal do litoral do Maranhão. Localizado a cerca de 250 km de São Luís, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses tem 155 mil hectares, sendo maior em extensão do que a cidade de São Paulo, e é considerado o maior campo de dunas da América do Sul. Cerca de 2/3 da área total do parque é coberta por dunas de areia branca que se estendem até o horizonte, entre as quais se formam mais de 33 mil lagoas cristalinas alimentadas exclusivamente pela água das chuvas. Em 26 de julho de 2024, o parque foi declarado Patrimônio Natural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), tornando-se o 8º sítio natural brasileiro a receber tal distinção. O parque é gerido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e abrange os municípios de Barreirinhas, Santo Amaro do Maranhão e Atins.
Como funciona o maior campo de dunas da América do Sul?
Segundo dados oficiais do Ministério do Turismo do Brasil, em conjunto com o ICMBio, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses abriga ecossistemas diversos e frágeis, como a restinga, o manguezal e um campo de dunas que ocupa cerca de 2/3 da área total da unidade. Todo esse conjunto se estende por três municípios maranhenses que dispõem de estrutura para recepção e condução de visitantes: Barreirinhas, Santo Amaro do Maranhão e Primeira Cruz, com Atins como base charmosa complementar.
A paisagem única surge da combinação de fatores raros no mundo. Os ventos alísios sopram do oceano para o continente e transportam areia branca por vários quilômetros, formando cordões de dunas que avançam continente adentro. Entre elas, no período chuvoso, surgem as lagoas interdunares, principal atrativo do parque, alimentadas exclusivamente pela água que cai das chuvas e pela elevação do lençol freático. Essa combinação de dunas móveis com lagoas sazonais alimentadas apenas pela chuva é rara em todo o planeta e foi um dos critérios centrais para o reconhecimento internacional pela UNESCO.

Como os Lençóis Maranhenses viraram Patrimônio da UNESCO em 2024?
O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses foi declarado Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO em 26 de julho de 2024, durante a 46ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada em Nova Délhi, na Índia. O dossiê de candidatura foi encaminhado em 2018 e passou por uma rigorosa avaliação que comprovou o Valor Universal Excepcional do parque. Entre os critérios atendidos figuram a beleza natural, as características geomórficas significativas e a proteção de habitats para conservação da biodiversidade, incluindo espécies ameaçadas de extinção.
Com o reconhecimento, os Lençóis Maranhenses tornaram-se o 8º sítio natural brasileiro na lista da UNESCO, ao lado de destinos como as Cataratas do Iguaçu e o Pantanal. Foi a primeira vez em 23 anos que o Brasil integrou um novo local ao rol. O título entregue oficialmente pelo ICMBio em agosto de 2025 reforçou o status turístico do parque, que já vinha registrando recordes sucessivos de visitação: em 2024, recebeu 440 mil visitantes e se tornou o 6º parque nacional mais visitado do país. O Ministério do Turismo classificou o parque como 4º destino mais desejado pelos brasileiros em 2024.
Quais são as principais lagoas dos Lençóis Maranhenses?
O parque oferece dezenas de circuitos que percorrem as lagoas mais famosas espalhadas pelos três municípios de acesso. Cada base tem passeios próprios com paisagens distintas, e a maior parte dos circuitos combina atravessamento de dunas com paradas para banho e contemplação.
- Circuito da Lagoa Azul: um dos mais tradicionais, sai de Barreirinhas e revela a lagoa mais fotografada do parque, cercada por dunas monumentais.
- Circuito da Lagoa Bonita: também partindo de Barreirinhas, com mirante natural sobre o mar de dunas e ampla vista aérea do parque.
- Lagoa das Emendadas: em Santo Amaro, com formato serpenteado que emenda várias lagoas menores entre as dunas.
- Lagoa da Esperança: acessível por Santo Amaro, com águas transparentes e visitação mais tranquila.
- Lagoa da Gaivota e Lagoa da Betânia: opções mais reservadas em Santo Amaro, perto de comunidades tradicionais.
- Circuitos de Atins: acessíveis em cerca de uma hora de veículo 4×4, revelam lagoas menos massificadas em cenário rústico.
- Canto dos Lençóis e Baixada Grande: pontos oficiais do parque com paisagens preservadas e menor fluxo turístico.

Como é o passeio pelo Rio Preguiças até Caburé e Mandacaru?
Um dos passeios mais famosos dos Lençóis Maranhenses parte de Barreirinhas e desce o Rio Preguiças até a foz do oceano. Ao longo do trajeto, o barco passa por comunidades tradicionais como Vassouras e Caburé, ambas às margens dos Pequenos Lençóis, e chega até Atins, na foz. No caminho, o rio revela paisagens únicas: grandes dunas de areia branca margeando o curso d’água, palmeiras de açaí, buriti, dendê e carnaúba, além de mangues com raízes aéreas e igarapés que sustentam ecossistemas amazônicos raros no litoral nordestino.
Na volta, o barco sobe até o povoado de Mandacaru, onde fica o famoso Farol de Mandacaru. A torre tem escadaria interna que leva ao topo, com vista panorâmica do encontro do Rio Preguiças com o oceano e dos Pequenos Lençóis. Novo almoço em Caburé é comum antes do retorno a Barreirinhas. Outros passeios famosos da região incluem a bóia-cross pelo Rio Formigas, o quadriciclo pelos Pequenos Lençóis, sobrevoos panorâmicos de aeronave leve sobre o parque e cavalgadas ao pôr do sol partindo de Atins.
Quais comunidades tradicionais vivem dentro do parque?
Além das dunas e lagoas, os Lençóis Maranhenses abrigam comunidades tradicionais que vivem dentro do parque há gerações, mantendo o modo de vida ancestral baseado na pesca, na agricultura familiar e no artesanato. A convivência entre a atividade turística crescente e a preservação cultural dessas populações é uma das prioridades da gestão do ICMBio.
- Queimada dos Britos: pequena comunidade cercada por dunas e lagoas em Santo Amaro, acessível apenas por veículos 4×4 e passeios organizados.
- Baixada Grande: outra comunidade tradicional dentro do parque, com estrutura básica para receber visitantes em passeios de meio dia.
- Betânia: comunidade em Santo Amaro com acesso facilitado e visitantes recebidos por moradores locais.
- Rancharia: pequeno vilarejo dentro do parque acessível a partir de Santo Amaro, com culinária local servida em casas de família.
- Atins: charmoso vilarejo à foz do Rio Preguiças, com ruas de areia, pousadas rústicas e restaurantes com toque gourmet.
- Vassouras e Caburé: comunidades ribeirinhas ao longo do Rio Preguiças, com pescadores e agricultores tradicionais.
O que comer nos Lençóis Maranhenses?
A gastronomia local combina a tradição da culinária maranhense com os frutos do mar frescos da região. Os restaurantes concentram-se em Barreirinhas, no vilarejo de Atins e nos pequenos povoados ao longo do Rio Preguiças.
- Peixe frito ou grelhado: preparado com pescados do Atlântico e do Rio Preguiças, servido em restaurantes das margens do rio.
- Camarão empanado: entrada clássica dos bares e pousadas, servida com molho tártaro e limão.
- Arroz de cuxá: prato-símbolo da culinária maranhense, com folhas de vinagreira, camarão seco, gergelim e temperos regionais.
- Torta capixaba: variação local com peixe, camarão e ovos, servida em restaurantes das pousadas.
- Doce de buriti: sobremesa típica feita com o fruto amazônico presente na região.
- Sucos de frutas amazônicas: cupuaçu, bacuri, açaí, buriti e cajá servidos naturalmente em cafés e pousadas.
Qual a melhor época para visitar os Lençóis Maranhenses?
O clima da região é equatorial, quente e úmido o ano inteiro, com temperaturas médias entre 24°C e 32°C. As chuvas concentram-se de janeiro a maio, período em que as lagoas se enchem e ficam prontas para receber os visitantes. Segundo dados climatológicos, a média mensal de chuva em julho é de 45 mm, enquanto agosto cai para apenas 10 mm. A melhor época para ver as lagoas cheias e o parque em seu esplendor máximo vai de junho a setembro, com algumas lagoas mais profundas mantendo água até outubro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar aos Lençóis Maranhenses?
A porta de entrada dos Lençóis Maranhenses é São Luís, capital do Maranhão, com Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado operando voos regulares de várias capitais brasileiras. A partir de São Luís, o acesso a Barreirinhas, principal base turística, é feito por rodovia asfaltada em cerca de quatro horas de viagem, com serviços regulares de transfer, ônibus intermunicipal partindo do Terminal Rodoviário ou voos fretados de aeronaves leves que pousam em Barreirinhas em cerca de 50 minutos. Para Santo Amaro do Maranhão, a rota é feita em veículos 4×4 ou vans regulares. Atins é acessada por veículo 4×4 desde Barreirinhas ou por barco pelo Rio Preguiças. Uma vez dentro do parque, apenas veículos credenciados pelo ICMBio podem circular na área das dunas.
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Voe até São Luís e conheça o maior campo de dunas da América do Sul
Os Lençóis Maranhenses são o tipo de destino que combina o maior campo de dunas da América do Sul com uma das paisagens naturais mais singulares do planeta. Localizados a cerca de 250 km de São Luís no litoral do Maranhão, o Parque Nacional tem 155 mil hectares administrados pelo ICMBio, sendo maior em extensão do que a cidade de São Paulo, com aproximadamente 2/3 da área ocupada por dunas brancas e mais de 33 mil lagoas cristalinas alimentadas exclusivamente pela água das chuvas. Recebeu em 26 de julho de 2024 o título de Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO na 46ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial em Nova Délhi, tornando-se o 8º sítio natural brasileiro com o reconhecimento internacional. Registrou 440 mil visitantes em 2024 e virou o 6º parque nacional mais visitado do país. Reúne o Circuito da Lagoa Azul e o Circuito da Lagoa Bonita partindo de Barreirinhas, a Lagoa das Emendadas em Santo Amaro, o passeio pelo Rio Preguiças até Caburé, Vassouras e o Farol de Mandacaru, o vilarejo charmoso de Atins na foz do rio, as comunidades tradicionais de Queimada dos Britos e Baixada Grande, os ecossistemas de restinga, manguezal e dunas móveis, e a gastronomia maranhense com arroz de cuxá, peixe fresco e doce de buriti.
Você precisa reservar pelo menos quatro dias nos Lençóis Maranhenses, subir uma duna ao amanhecer com a lagoa cheia refletindo o céu e navegar até o Farol de Mandacaru para entender por que esse deserto sazonal maranhense virou o mais novo Patrimônio Natural da Humanidade e uma das paisagens mais surreais do planeta.