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Cerca de 80 milhões de árvores estão sob risco por causa de um fungo mortal, e cientistas agora querem desenvolver uma espécie de “vacina” para tentar salvá-las

Cientistas estudam uma “vacina” para árvores enquanto um fungo ameaça uma população de milhões de freixos britânicos

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Cerca de 80 milhões de árvores estão sob risco por causa de um fungo mortal, e cientistas agora querem desenvolver uma espécie de “vacina” para tentar salvá-las
A doença é causada pelo fungo Hymenoscyphus fraxineus. (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Os freixos fazem parte da paisagem britânica, mas muitos estão adoecendo por causa de um fungo que ataca folhas e galhos. A ameaça alcança uma população estimada em cerca de 80 milhões de árvores no Reino Unido. Agora, cientistas estudam se moléculas de RNA aplicadas diretamente nas plantas poderiam dificultar a infecção, em uma proposta comparada a uma “vacina”.

Qual fungo está ameaçando os freixos?

A doença é conhecida como declínio do freixo e é causada pelo fungo Hymenoscyphus fraxineus. Ele afeta especialmente o freixo-europeu, espécie presente em bosques, parques e margens de estradas no Reino Unido. Seus esporos podem ser levados pelo vento e alcançar as folhas de outras árvores durante a época favorável à infecção.

Depois, o problema pode avançar para ramos e partes maiores da planta. Árvores jovens podem morrer mais rapidamente, enquanto exemplares adultos às vezes resistem por mais tempo. Nem todo freixo infectado terá o mesmo destino: alguns apresentam maior tolerância, característica que também interessa aos pesquisadores.

Como reconhecer os efeitos da doença nas árvores?

Os sintomas costumam aparecer primeiro na copa. Folhas e brotos escurecem, murcham ou caem antes do esperado. Com a progressão da infecção, galhos podem secar e lesões escuras podem surgir na casca. Entre os sinais observados pelos pesquisadores estão:

  • Folhas escurecidas ou murchas durante o verão;
  • Queda antecipada da folhagem;
  • Morte de brotos e galhos na copa;
  • Marcas escuras na casca de ramos e do tronco.

O aspecto de uma árvore isolada não basta para confirmar a causa. Seca, outras doenças e danos físicos também podem produzir alterações visíveis. Por isso, o acompanhamento da população de freixos considera o conjunto dos sintomas e as condições do lugar onde cada exemplar cresce.

Cerca de 80 milhões de árvores estão sob risco por causa de um fungo mortal, e cientistas agora querem desenvolver uma espécie de “vacina” para tentar salvá-las
A doença é causada pelo fungo Hymenoscyphus fraxineus. (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

O que seria a “vacina” estudada pelos cientistas?

A proposta envolve injetar moléculas de RNA nas árvores para interferir na capacidade de infecção do fungo. A comparação com uma vacina ajuda a explicar o objetivo de proteção, mas não significa que os freixos recebam uma vacina igual à aplicada em pessoas. Trata-se de uma técnica experimental de proteção vegetal.

Pesquisadores ligados à Universidade de Cardiff participam do projeto. Eles ainda precisam testar se as moléculas chegam às partes necessárias da árvore, quanto tempo dura o possível efeito e se a aplicação funciona fora das condições controladas de pesquisa. Não há, por enquanto, uma campanha para vacinar milhões de freixos.

Por que a perda dessas árvores preocupa tanto?

Os freixos oferecem abrigo e alimento a diferentes organismos. A estrutura de sua copa também deixa a luz alcançar o solo, favorecendo plantas que crescem sob as árvores. Uma perda extensa pode alterar essa combinação de sombra, vegetação e habitat em bosques onde a espécie é comum.

O impacto aparece ainda em caminhos, propriedades e áreas públicas que precisam acompanhar a condição de árvores enfraquecidas. Entre as consequências possíveis estão:

Impactos sobre a floresta

Consequências que podem afetar o ambiente e o uso das árvores

  • 1Mudanças no abrigo disponível para insetos, líquens e outros organismos;
  • 2Abertura de espaços na copa das florestas;
  • 3Necessidade de avaliar árvores danificadas perto de vias e construções;
  • 4Redução da madeira de freixo disponível no futuro.

Os 80 milhões de freixos estão condenados?

Não. O número representa a dimensão aproximada da população sob ameaça no Reino Unido, não uma contagem de árvores que necessariamente morrerão. A intensidade da doença varia entre lugares e indivíduos. Pesquisadores também procuram freixos que continuam saudáveis ou apresentam sintomas leves após a exposição ao fungo.

Esses exemplares podem ajudar em programas de seleção e produção de novas árvores mais tolerantes. A possível proteção por RNA é outra linha de pesquisa, ainda sujeita a testes. As duas abordagens procuram responder à mesma dificuldade: o fungo já está amplamente presente, e a recuperação dos bosques depende de freixos capazes de conviver melhor com ele.

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O que precisa acontecer antes de uma aplicação ampla?

Primeiro, os cientistas terão de demonstrar que a técnica protege as árvores de forma consistente e avaliar seus efeitos no ambiente. Também será necessário entender como aplicar o RNA em árvores de diferentes idades e tamanhos. Uma solução que funcione em poucos exemplares de teste pode enfrentar obstáculos quando levada a florestas inteiras.

Enquanto a pesquisa avança, a observação dos freixos sobreviventes continua valiosa. Ela pode revelar quais árvores toleram melhor o fungo e fornecer material para futuras gerações. A chamada “vacina” representa uma possibilidade de proteção, mas seu resultado ainda depende dos experimentos que estão começando.