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Em 2014, 385 mil jardas cúbicas de lama retirada de um porto foram usadas para reconstruir uma ilha que havia desaparecido, e mais de 30 espécies de aves voltaram ao local

Lama retirada de um porto ajuda a reconstruir ilha desaparecida e área passa a receber mais de 30 espécies de aves

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Em 2014, 385 mil jardas cúbicas de lama retirada de um porto foram usadas para reconstruir uma ilha que havia desaparecido, e mais de 30 espécies de aves voltaram ao local
Mais de 30 espécies de aves limícolas foram registradas na área restaurada. (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Na baía de Green Bay, no estado americano de Wisconsin, uma cadeia de ilhas havia sido quase apagada pela erosão. O material retirado do canal do porto ganhou outro destino: ajudar a recompor o terreno perdido. Após o início da deposição de sedimentos em 2014, o local passou a receber aves migratórias e voltou a oferecer espaço para ninhos.

Como a cadeia de Cat Island desapareceu?

Cat Island fazia parte de um conjunto de ilhas que incluía Willow e Bass. Essas faixas de terra funcionavam como barreira contra as ondas e ofereciam áreas de alimentação e reprodução para aves. Nos anos 1960 e 1970, a ação da água, das tempestades e do gelo desgastou grande parte da estrutura natural.

A perda não afetou apenas a paisagem. Sem as ilhas, diminuíram os locais de parada para aves que atravessam a região dos Grandes Lagos. A margem também ficou mais exposta à força das ondas. Recuperar aquele espaço exigia criar uma barreira resistente e, depois, preencher áreas onde os habitats pudessem se formar novamente.

Por que usar sedimentos retirados do porto?

O canal de navegação de Green Bay precisa ser dragado para manter a passagem das embarcações. Nesse processo, areia e outros sedimentos são retirados do fundo. Em vez de tratar todo o material adequado apenas como algo a descartar, o projeto passou a direcioná-lo à reconstrução da cadeia de ilhas.

Uma barreira de pedras começou a ser construída em 2012 para conter as ondas. Depois veio o preenchimento com material limpo da dragagem. O aproveitamento dos sedimentos uniu duas tarefas concretas: manter o canal navegável e criar terreno para áreas úmidas e espaços usados pelas aves.

Em 2014, 385 mil jardas cúbicas de lama retirada de um porto foram usadas para reconstruir uma ilha que havia desaparecido, e mais de 30 espécies de aves voltaram ao local
Mais de 30 espécies de aves limícolas foram registradas na área restaurada. (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Quando foram depositadas as 385 mil jardas cúbicas?

A deposição associada à fase iniciada em 2014 já havia ultrapassado 385 mil jardas cúbicas até 2015, cerca de 294 mil metros cúbicos. O volume não foi colocado inteiro em um único dia, nem significa que toda a restauração tenha terminado naquele ano. A recomposição das ilhas foi planejada como um trabalho de longo prazo.

A sequência ajuda a entender o projeto:

  • Em 2012, começou a construção da barreira contra as ondas;
  • A partir de 2014, avançou o depósito de sedimentos dragados;
  • Até 2015, o volume depositado superava 385 mil jardas cúbicas;
  • Em 2016, uma ave ameaçada voltou a criar filhotes na área.

À medida que o terreno se elevava, surgiam superfícies rasas e abertas. Para aves que procuram alimento perto da água ou precisam de áreas livres para descansar durante a migração, essas mudanças tinham valor antes mesmo da conclusão de toda a cadeia.

Quais aves passaram a usar a área recuperada?

Um levantamento realizado entre 2013 e 2014 registrou mais de 30 espécies de aves limícolas no local da restauração. São aves associadas a margens, águas rasas e terrenos úmidos. O dado mostra que a área passou a servir como ponto de parada, embora não signifique que todas essas espécies tenham construído ninhos ali.

O marco reprodutivo veio em 2016: um casal de batuíras da espécie conhecida em inglês como piping plover criou três filhotes que chegaram à fase de voo. Foi o primeiro registro bem-sucedido dessa espécie na parte baixa de Green Bay em mais de 75 anos. A população dos Grandes Lagos é considerada ameaçada, o que deu importância especial ao retorno do ninho.

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O que foi necessário além de despejar o material?

Recriar um habitat depende do formato do terreno, da proteção contra ondas e do acompanhamento das espécies. O sedimento precisa ser adequado ao uso pretendido, e a posição das áreas rasas influencia quais aves conseguem pousar, alimentar-se ou nidificar. Por isso, a obra reuniu engenharia, gestão do porto e conservação da fauna.

Os resultados observados podem ser separados em três partes:

Dragagem e criação de habitat

Como a manutenção do canal também favoreceu novas áreas para aves

  • 1O canal continuou a receber manutenção por dragagem;
  • 2O material adequado passou a formar novas superfícies e áreas úmidas;
  • 3As aves encontraram locais de parada e, em alguns casos, de reprodução.

O trabalho ainda requer manutenção e monitoramento. Sedimentos recém-depositados mudam com a água e a vegetação, enquanto os ninhos dependem das condições de cada temporada.

O que a reconstrução da ilha mostra hoje?

O retorno das aves não se limitou aos primeiros anos da obra. Segundo o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos, as batuíras passaram a nidificar na área anualmente desde 2016. Até a atualização publicada em 2025, haviam sido registrados 68 filhotes nascidos ali que chegaram à fase de voo.

Cat Island ainda é um projeto de restauração em andamento. Seu resultado mais visível é a volta de terreno onde antes havia água aberta, mas os números das aves revelam outra parte da história: sedimentos retirados para manter um porto em funcionamento também ajudaram a devolver à baía um lugar de parada e reprodução.