Automobilismo
Semáforo com quatro luzes pode virar realidade: entenda para que servirá a nova cor branca e por que ela pode reduzir congestionamentos nas cidades
Uma quarta luz no semáforo pode mudar a forma de atravessar cruzamentos quando carros autônomos estiverem presentes
O vermelho manda parar, o amarelo pede atenção e o verde libera a passagem. Uma proposta de pesquisadores acrescenta uma luz branca a essa sequência para coordenar carros autônomos e veículos dirigidos por pessoas nos cruzamentos. A ideia pode reduzir o tempo perdido em filas, mas ainda precisa sair das simulações antes de chegar às ruas.
O que a luz branca indicaria ao motorista?
Na proposta, a luz branca acenderia quando houvesse veículos autônomos suficientes se aproximando do cruzamento. Esses carros trocariam informações entre si e com o sistema do semáforo para organizar a passagem. Ao motorista de um veículo convencional, o sinal daria uma instrução: acompanhar o comportamento do carro imediatamente à frente.
Se o veículo da frente parar, o motorista também para. Se ele avançar, acompanha o fluxo. A luz branca não seria uma autorização para atravessar por conta própria. Quando não houvesse carros autônomos suficientes para coordenar o tráfego, o semáforo voltaria a operar com vermelho, amarelo e verde.
Como os carros autônomos ajudariam a organizar o cruzamento?
O sistema usaria a comunicação entre os veículos para decidir a ordem e o momento da passagem. Assim, os carros autônomos poderiam conduzir grupos que também incluíssem motoristas humanos. Para entender o funcionamento proposto, basta acompanhar esta sequência:
- Veículos autônomos se aproximam e compartilham informações sobre seus trajetos;
- O sistema identifica quando há carros conectados suficientes para ativar a fase branca;
- Os veículos coordenam a passagem pelo cruzamento;
- Os motoristas humanos seguem o veículo à frente enquanto a luz branca estiver acesa.
O objetivo é diminuir paradas e arrancadas desnecessárias. Isso depende, porém, de comunicação confiável e de uma definição clara sobre como cada veículo deve agir. A luz visível é apenas a parte da proposta que informa os motoristas sobre a coordenação em andamento.

Quanto os congestionamentos poderiam diminuir?
Nas simulações iniciais, os resultados variaram conforme a proporção de veículos autônomos. Com 10% deles no tráfego de um cruzamento, a redução dos atrasos foi de cerca de 3%. Com 30%, chegou a 10,7%. Quanto maior a presença de carros capazes de se comunicar, maior foi o benefício observado naquele modelo.
Esses números medem atrasos nas condições simuladas, não uma queda garantida dos congestionamentos de uma cidade inteira. Uma pesquisa posterior incluiu a circulação de pedestres nos cálculos e também encontrou redução do tempo de espera em determinados cenários. O resultado reforça o potencial da proposta, mas seu desempenho nas ruas ainda teria de ser avaliado.
E quem atravessa a rua durante a fase branca?
Pedestres continuam precisando de uma travessia organizada por sinais próprios. Por isso, os pesquisadores ampliaram o modelo para considerar o momento de atravessar e o tempo de espera de quem está a pé. A coordenação dos carros não pode tratar a faixa de pedestres como um espaço livre só porque os veículos conseguem trocar informações.
Em uma implantação real, o funcionamento teria de deixar claras situações como estas:
Pontos que ajudam a entender a travessia e o controle do fluxo
- 1Quando o sinal permite ao pedestre iniciar a travessia;
- 2Como os veículos reconhecem pessoas próximas à faixa;
- 3Quando o fluxo de carros precisa parar para liberar os pedestres;
- 4Como o semáforo retorna ao ciclo convencional se a fase branca não puder ser usada.
A quarta luz já está sendo instalada nas cidades?
A fase branca descrita pelos pesquisadores ainda é uma proposta de engenharia de tráfego. Os ganhos divulgados vêm de modelos computacionais. A equipe apontou a necessidade de testes físicos antes de pensar em cruzamentos usados pelo público e mencionou locais com circulação concentrada de veículos comerciais como possíveis espaços para projetos pilotos.
Também existem sinais brancos usados em alguns lugares para orientar ônibus e bondes. Eles cumprem outra função e não significam que a fase branca para carros autônomos já tenha sido adotada. A distinção importa para quem vê imagens de semáforos com luzes adicionais e imagina que todos operam da mesma maneira.
O que falta para a ideia chegar ao trânsito cotidiano?
Antes de instalar uma quarta luz, seria necessário testar a comunicação entre veículos e semáforos, a compreensão do sinal pelos motoristas e a segurança das travessias. A proposta também depende de haver carros autônomos conectados em quantidade suficiente para que a fase branca seja acionada com alguma frequência.
Por enquanto, vermelho, amarelo e verde continuam sendo os sinais que orientam o motorista comum. A luz branca mostra uma possibilidade para cruzamentos com tráfego misto: usar veículos conectados para organizar a passagem e reduzir esperas. Se essa possibilidade funcionará fora das simulações é a pergunta que os testes nas ruas precisarão responder.