O vulcão que cospe "lava azul" à noite, esconde o maior lago ácido do planeta e fica dentro de uma antiga caldeira em uma montanha na Indonésia - Super Rádio Tupi
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O vulcão que cospe “lava azul” à noite, esconde o maior lago ácido do planeta e fica dentro de uma antiga caldeira em uma montanha na Indonésia

Fogo azul, gases tóxicos e um lago de ácido.

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Imagine subir uma montanha no escuro e ver rios de fogo azul-elétrico escorrendo pela encosta. É o que acontece no vulcão Kawah Ijen, na Indonésia, que ainda guarda no topo o maior lago altamente ácido do planeta. Mas aquele azul não é o que parece.

Aquilo é lava azul mesmo?

A cena engana quase todo mundo. Parece lava colorida descendo a montanha, e é assim que muita foto na internet vende o fenômeno. A realidade é outra, e mais curiosa.

O que brilha ali é gás. O vulcão solta gases ricos em enxofre por rachaduras no chão, e eles saem a uma pressão e temperatura altíssimas. Ao encostar no ar cheio de oxigênio, esse gás pega fogo e as chamas queimam em azul.

Canos direcionam o gás do vulcão, que esfria, vira líquido vermelho e endurece em blocos amarelos. / Créditos: Wikipédia

Por que a chama é azul e só aparece de noite?

O azul não vem do calor, e esse é o detalhe que surpreende. Vem de uma reação química específica da queima do enxofre, o elemento amarelo que dá o cheiro de ovo podre. A cor é da reação, não da temperatura.

O que está por trás desse brilho:

1
Gás sob pressão O enxofre sai das fendas do vulcão como gás muito quente.
2
Contato com o ar Ao tocar o oxigênio, o gás se inflama na hora.
3
Só visível no escuro A chama azul some com a luz do dia e reaparece à noite.

E esse lago ácido no topo, o que tem de especial?

No centro da cratera fica um lago de água turquesa de quase um quilômetro de largura. A cor é linda e o conteúdo é traiçoeiro: é o maior lago altamente ácido da Terra, com acidez que supera a de uma bateria de carro.

Vale ver os números que fazem dele um caso à parte:

Característica Detalhe Nível
Acidez pH abaixo de 0,5 Mais corrosiva que ácido de bateria, capaz de dissolver metal. Extremo
Tamanho Quase 1 km de largura O maior lago altamente ácido do planeta. Recorde
Cor turquesa Metais dissolvidos A própria acidez e os minerais pintam a água. Enganosa

Quem trabalha num lugar desses?

Aqui a beleza dá lugar à dureza. Todo dia, mineradores descem à cratera para arrancar enxofre à mão, cercados por fumaça tóxica. Canos direcionam o gás do vulcão, que esfria, vira líquido vermelho e endurece em blocos amarelos.

Eles quebram esses blocos com barras de ferro e sobem a encosta carregando cargas que passam de 70 quilos, muitas vezes com pouco mais que um pano no rosto. Segundo o relato registrado pela documentação do fenômeno, foi um fotógrafo que ajudou a desfazer o mito da lava azul e a mostrar a rotina desses trabalhadores.

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Por que Kawah Ijen fascina tanta gente?

Talvez porque num só lugar cabem os dois extremos. O mesmo vulcão que pinta a noite de azul e guarda uma piscina turquesa esconde um dos trabalhos mais brutais que ainda existem. A imagem de sonho e a realidade pesada dividem a mesma cratera.

Da próxima vez que aparecer uma foto do “vulcão de lava azul”, você já vai saber: não é lava, é gás de enxofre em chamas, sobre uma água que dissolveria uma moeda. E no meio de tudo isso, gente subindo a montanha com o peso nas costas.

💡 Curiosidade As chamas de enxofre de Kawah Ijen podem alcançar vários metros de altura, e o enxofre pega fogo a cerca de 360 graus, bem abaixo dos 600 graus que os gases atingem ali.