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Robô inspirado em papagaios-do-mar surpreende ao nadar debaixo d’água e depois levantar voo ao sair da superfície
Aparelho bioinspirado transita entre água e ar em testes inovadores
Uma inovação tecnológica desenvolvida por pesquisadores combina a capacidade de navegar sob as águas e voar pelos céus em um único dispositivo. Inspirada no comportamento biológico das aves marinhas, essa criação promete revolucionar a exploração e o monitoramento ambiental oceânico.
Como o novo robô consegue nadar e voar?
Engenheiros do MIT e da EPFL desenvolveram um veículo aéreo e aquático com asas batentes inspirado nos papagaios do mar. O equipamento consegue emergir diretamente da água e iniciar o voo de forma fluida, imitando o movimento natural observado nessas espécies.
A estrutura mecânica possui peso inferior a trezentas gramas e combina leveza com resistência biomecânica. Seu projeto permite compreender como animais transitam entre meios físicos com densidades distintas, abrindo caminho para uma nova geração de robôs oceânicos autônomos.
Quais são as características técnicas do protótipo FAAV?
O protótipo conta com uma fuselagem central selada, bateria interna e um motor elétrico à prova de água. Esse sistema aciona uma manivela mecânica responsável por bater as asas flexíveis em frequências totalmente ajustáveis durante a navegação.
As asas do robô foram revestidas com nanopartículas hidrofóbicas para repelir gotas líquidas instantaneamente. Além disso, a cauda motorizada permite alterar o ângulo de inclinação, garantindo controle preciso para mergulhar ou subir em direção à superfície.

Como os testes aquáticos demonstraram o desempenho do robô?
Os pesquisadores realizaram testes em tanques de laboratório e nas águas abertas do Lago Genebra. O veículo aquático foi colocado a meio metro de profundidade para avaliar o comportamento das asas sob diferentes frequências de batimento.
Desempenho em Dois Meios
Resultados dos Experimentos
O protótipo atingiu uma velocidade de natação subaquática de aproximadamente um metro por segundo com batimentos a cinco hertz.
Ao romper a superfície e projetar-se no ar, a velocidade de voo alcançou cerca de seis metros por segundo na mesma frequência.
Com asas de tamanho médio, a estrutura mecânica do veículo alcançou o equilíbrio ideal entre flexibilidade subaquática e sustentação aerodinâmica. Essa configuração específica garantiu impulsão suficiente sem comprometer a estabilidade do robô ao mudar de meio físico.
A validação do protótipo envolveu a medição detalhada de diversos parâmetros operacionais durante os ensaios:
- Tamanhos de envergadura testados com asas de sessenta, oitenta e cem centímetros.
- Velocidades de deslocamento observadas na água e na atmosfera.
- Ângulos de inclinação da cauda aplicados para controlar a trajetória.
Por que o ângulo de saída é fundamental para o voo?
A transição da água para o ar exige um ajuste exato no ângulo de inclinação do robô. Os cientistas constataram que uma inclinação de setenta graus permite romper a lâmina d’água sem que as pontas das asas toquem na superfície.
Diferente das aves reais, que costumam usar os pés para remar durante a decolagem, a máquina dispensou o uso de patas. A flexibilidade combinada das asas e da cauda mostrou-se suficiente para gerar a elevação necessária no ar.
O sucesso do salto para fora da água depende diretamente da harmonia entre três elementos chaves:
- Angulação de inclinação íngreme próxima a setenta graus no momento da saída.
- Rigidez adequada das membranas para manter a sustentação aerodinâmica.
- Frequência constante do batimento das asas ao abandonar o meio aquático.

Como essa tecnologia pode ser aplicada na oceanografia?
A robótica bioinspirada abre novas possibilidades para pesquisadores estudarem ecossistemas marinhos com baixo custo operacional. O dispositivo pode voar até áreas de difícil acesso, mergulhar para coletar amostras ambientais e retornar autonomamente com todas as informações.
No futuro, esses robôs voadores e nadadores poderão monitorar o derretimento de icebergs, rastrear a vida marinha e avaliar ecossistemas vulneráveis. A engenharia moderna continua encontrando na natureza as soluções para os desafios científicos mais complexos.