Rio
PM afirma que facção faz disparos em vias para desviar atenção de operações no Rio
Porta-voz da corporação pontua que prisão de suspeitos e apreensão de fuzis não anulam perda
A morte de um passageiro baleado dentro de um ônibus impede que a operação realizada na Comunidade Dois Irmãos, nesta quarta-feira (30), seja considerada bem-sucedida, segundo a Polícia Militar. A corporação destacou que o desfecho negativo anula outros resultados da ação, como a captura de suspeitos e a apreensão de fuzis.
“A gente não pode falar em êxito quando a gente tem inocentes mortos”, pontuou a porta-voz da PM, tenente-coronel Cláudia Moraes ao RJ1.
O que motivou a ação da PM na região?
A intervenção policial foi desencadeada após o assassinato de uma pessoa na comunidade durante a noite anterior e alertas sobre um possível confronto entre grupos rivais. Segundo a porta-voz, o território enfrenta disputas armadas constantes entre facções criminosas.
Cláudia Moraes explicou que a área sob controle de milicianos atua em conjunto com a facção Terceiro Comando. De acordo com ela, o grupo adota como tática abrir fogo em direção a vias públicas quando se vê encurralado, com o objetivo de dispersar as forças policiais e desviar o foco da operação.
De onde partiram os tiros que atingiram o ônibus?

A suspeita da polícia é que os disparos tenham sido efetuados de um acampamento descoberto pelos agentes em um trecho de mata perto da Transolímpica. A porta-voz detalhou que o ponto encontrado na vegetação ficava muito próximo ao local onde o coletivo acabou atingido.
O veículo do BRT foi perfurado pelos tiros nas proximidades da estação Ventura e seguiu até parar na altura da estação Asa Branca. O esclarecimento final sobre a trajetória dos projéteis e a autoria dos disparos dependerá dos laudos da perícia e do trabalho de investigação da Polícia Civil.
Por que a via não foi interditada durante a operação?
O trânsito continuou liberado porque não havia tiroteio ativo no instante exato em que o passageiro foi alvejado. A tenente-coronel afirmou que os bloqueios viários são avaliados caso a caso pelos policiais que estão no terreno, levando em conta o risco imediato e as retenções que uma interrupção prolongada causa na circulação de pessoas.
“Quem está no local verifica essa situação da necessidade ou não do fechamento”, disse a militar, reforçando que os primeiros levantamentos indicavam ausência de confronto naquele momento específico.