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Árvore da calçada cai sobre o carro durante o temporal, e a prefeitura pode ser obrigada a indenizar mesmo sem culpa comprovada
Árvore da calçada cai sobre o carro: o município responde mesmo sem culpa provada, diz o artigo 37 da Constituição
O temporal derrubou a árvore da calçada em cima do seu carro. A conta é sua ou da prefeitura?
Uma árvore da calçada que despenca sobre um veículo durante o temporal costuma render duas respostas rápidas e opostas. O motorista pensa em acionar a prefeitura, e a prefeitura pensa em culpar o vento. A jurisprudência trabalha com uma terceira leitura, mais técnica e mais favorável a quem teve o carro amassado.
A prefeitura responde mesmo sem culpa provada?
Responde, e o fundamento está na Constituição. O artigo 37, parágrafo 6º, estabelece a responsabilidade objetiva do poder público, baseada na teoria do risco administrativo.
Um informativo de jurisprudência do TJDFT registra decisão em que os documentos confirmaram a omissão do Estado na manutenção e na poda de árvores em via pública, conforme o informativo do próprio tribunal. Responsabilidade objetiva significa que não é preciso demonstrar intenção nem descuido individual de servidor.
O que a vítima precisa demonstrar é outro conjunto:
- Dano: o prejuízo material no veículo, com orçamento e fotos.
- Nexo causal: a ligação direta entre a queda da árvore e o estrago.
- Omissão: a falta de conservação daquela árvore pelo poder público.
- Localização: que a árvore estava em área sob responsabilidade do município.

O temporal serve de desculpa para o município?
Nem sempre, e a decisão citada rejeitou esse argumento. O tribunal entendeu que a manutenção previsível de árvores é obrigação específica e contínua, e não um evento imprevisível.
A lógica é direta. Vento forte acontece todo ano nas cidades brasileiras, e um programa de poda existe justamente para que a árvore resista a ele. Quando a queda ocorre num tronco doente, oco ou com raiz comprometida, a chuva funciona como gatilho, e não como causa exclusiva.
O que é preciso provar para receber a indenização?
O prejuízo e a ligação dele com a omissão do poder público. A prova documental montada na hora vale mais que qualquer reconstituição feita semanas depois.
O estado do tronco costuma ser o detalhe decisivo. Fotos que mostram madeira apodrecida, oca ou com cupim reforçam o argumento de falta de manutenção. Registros anteriores também pesam, como reclamação de morador pedindo poda naquele endereço.
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Responsabilidade objetiva não significa condenação automática. O poder público pode tentar demonstrar que a queda decorreu de causa totalmente estranha ao seu dever de conservação, e cada processo é julgado pelo conjunto de provas apresentado. O que a teoria do risco administrativo dispensa é a demonstração de culpa individual de um servidor.
O que fazer nas primeiras horas depois da queda?
Documentar tudo antes que a cena desapareça. Equipes de limpeza costumam remover a árvore em poucas horas, e com ela vai a prova principal.
Siga esta ordem enquanto o carro ainda está no local:
- Fotografe o veículo por inteiro e em detalhe, com a árvore ainda sobre ele.
- Registre o tronco por dentro, procurando sinais de apodrecimento.
- Chame a autoridade competente e guarde o número de ocorrência.
- Abra protocolo na prefeitura no mesmo dia.
- Comunique o seguro, se você tiver cobertura para eventos da natureza.
Entendimento registrado em informativo do TJDFT
Vale saber também quem é o responsável em cada situação. Árvore plantada na calçada de via pública costuma estar sob o dever de conservação do município. Árvore dentro de terreno particular que cai na rua muda a discussão, porque a responsabilidade tende a recair sobre o proprietário do imóvel.
Vale entrar com pedido de indenização mesmo assim?
Vale, e para valores menores existe o caminho dos juizados especiais da fazenda pública, sem custo inicial e sem advogado em parte dos casos. Se a árvore da sua rua já caiu em cima de alguma coisa, junta as fotos que você tirou e procura orientação antes que o prazo corra.