Turismo
Alpes suíços perdem 20% das geleiras em cinco anos e turismo no local tem novas restrições para visitantes nas áreas em derretimento acelerado
Islândia e Patagônia implementam taxas e cotas diárias; monitoramento registra perdas recordes de gelo
O som de um trovão distante pode surgir mesmo sob um céu azul e sem nuvens. Na verdade, o ruído vem do desprendimento de toneladas de gelo de geleiras. O fenômeno ocorre com frequência crescente em destinos como a Patagônia e a Islândia. Por isso, esses locais precisam adaptar o turismo a uma realidade climática cada vez mais instável.
Quais lugares estão mudando mais rápido?
A velocidade do degelo é alarmante e altera paisagens em diferentes regiões. O Glaciar Perito Moreno, na Argentina, continua impressionante. No entanto, também enfrenta os efeitos das mudanças climáticas na região.
Na Europa, os Alpes suíços também registram perdas de gelo. Dados do Cryosphere Monitoring Switzerland (GLAMOS) mostram uma redução expressiva do volume das geleiras nos últimos anos.
O turismo nessas áreas é prejudicial?
Essa é uma das contradições do chamado “turismo da última chance”. Muitos viajantes querem conhecer as geleiras antes que elas desapareçam.
No entanto, o turismo também gera emissões de gases de efeito estufa. O transporte aéreo e terrestre, por exemplo, contribui para a pegada de carbono das viagens.
Por isso, autoridades e operadores turísticos buscam novas formas de controlar a visitação. A proposta não consiste apenas em restringir o acesso. O objetivo também envolve orientar os visitantes sobre a preservação ambiental.
Nesse modelo, o turista assume um papel mais consciente durante a visita. A experiência pode estimular mudanças de comportamento e maior atenção às questões climáticas.
Como os destinos estão controlando as visitas?
Alguns destinos já adotam medidas para reduzir os impactos da atividade turística. Na Islândia, autoridades discutem alternativas para financiar ações de preservação e monitoramento.
Além disso, determinados locais restringem o acesso a cavernas de gelo. Os visitantes precisam seguir regras de segurança e, em alguns casos, contar com acompanhamento especializado.
Na Patagônia chilena e argentina, parques como Torres del Paine e Los Glaciares também controlam a visitação.
Os parques podem adotar sistemas de agendamento, limites de acesso e outras medidas de manejo. Dessa forma, os administradores tentam reduzir os impactos sobre áreas ambientalmente sensíveis.
As regras também atingem as atividades realizadas próximas às geleiras. Em alguns locais, autoridades estabelecem critérios específicos para embarcações e outros serviços turísticos.
O que muda para quem quer visitar uma geleira?
Visitar uma geleira em 2026 significa observar de perto os efeitos das mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, a experiência exige responsabilidade por parte do visitante.
Por isso, respeitar os limites de acesso e seguir as orientações locais ajuda a preservar esses ambientes. Assim, o turismo pode contribuir para a conscientização sem ignorar os impactos da própria atividade.