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Como acabar com a bagunça sem jogar fora as lembranças que têm valor sentimental e deixar a casa mais organizada

O desafio de arrumar a casa sem abrir mão da história

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Você não precisa jogar fora suas memórias para ter ordem
Você não precisa jogar fora suas memórias para ter ordem

Desenhos da escola dos filhos, cartões de aniversário antigos, roupas de bebê e objetos herdados dos avós: para quem é sentimental, cada item da casa parece guardar uma lembrança impossível de jogar fora. O resultado são armários lotados e a sensação de culpa a cada tentativa de organizar. Especialistas em organização e psicologia ensinam como reduzir a bagunça sem perder as memórias.

Por que é tão difícil se desfazer de objetos com valor afetivo?

Segundo Matt Paxton, especialista em organização do programa americano Hoarders e autor do livro “Keep the Memories, Lose the Stuff”, guardamos esses objetos porque eles lembram pessoas e momentos queridos. “Não é a cadeira, é o avô que se sentava na cadeira”, resume. Para ele, a ideia não é jogar tudo fora, mas se livrar do que não importa para abrir espaço para o que importa.

A psicóloga Sarah Seung-McFarland, especializada na psicologia do design, explica que o desapego é difícil porque parece que a ligação emocional vai embora junto com o objeto. Ela lembra, porém, que as memórias vivem dentro das pessoas, e não nas coisas.

Você não precisa jogar fora suas memórias para ter ordem
Você não precisa jogar fora suas memórias para ter ordem

Por onde começar a organização sem sofrer?

O primeiro passo, segundo Paxton, é saber por que você está organizando. Esvaziar a casa para vender, abrir espaço para um bebê ou apenas liberar um armário são objetivos diferentes, que definem o quanto será preciso doar ou descartar. A partir daí, algumas estratégias ajudam:

  • Fazer uma lista com os cinco objetos afetivos mais importantes da casa
  • Contar ou escrever a história de cada um deles, o que diminui o peso de desapegar
  • Escolher um ou poucos itens por pessoa ou categoria para manter
  • Criar uma caixa do “talvez” e guardá-la na garagem ou no depósito por um tempo
  • Testar como a casa fica sem alguns objetos antes de decidir

A caixa do “talvez” é especialmente útil para quem cresceu com pouco e encontra segurança nas coisas, segundo Seung-McFarland. Muitas vezes, a pessoa percebe que se sente mais leve sem os objetos por perto.

Leia também: Especialistas em psicologia apontam: caminhar rápido não é apenas pressa, mas também pode indicar foco em objetivos e organização.

Como guardar a memória sem guardar o objeto?

Tracy McCubbin, especialista em organização e autora do livro “Make Space for Happiness”, afirma que roupas de bebê e trabalhos escolares dos filhos são difíceis de descartar porque lembram fases felizes. A solução, segundo ela, é fotografar os itens especiais antes de doá-los, porque a foto desperta o mesmo sentimento. Paxton sugere ainda gravar um vídeo da criança contando a história do próprio desenho.

Os objetos que ficarem devem ser valorizados, e não esquecidos em caixas. Algumas formas de fazer isso:

  • Expor a peça herdada em um lugar de destaque, como a máquina de escrever da mãe na estante
  • Montar um mural da família com fotos e lembranças, trocando os itens de tempos em tempos
  • Transformar joias antigas em peças novas com a ajuda de um joalheiro
  • Reformar móveis herdados com tecidos ou acabamentos atuais
  • Usar camisas de um parente para fazer almofadas para os netos
Você não precisa jogar fora suas memórias para ter ordem
Você não precisa jogar fora suas memórias para ter ordem

O que fazer com objetos herdados e itens que nunca são usados?

Seung-McFarland chama de bagunça aspiracional os itens que representam a vida que imaginamos ter, como a louça fina que nunca sai do armário ou o aparelho de ginástica que virou cabide. A dica é perguntar se o objeto combina com a vida atual. Para itens em bom estado, passar adiante por doação ou grupos de troca ajuda, porque saber que algo querido vai fazer outra pessoa feliz torna o desapego mais fácil.

Situação Estratégia Especialista
Objetos de quem já morreu Contar as histórias e manter poucos itens Matt Paxton
Roupas e desenhos dos filhos Fotografar ou filmar antes de doar Tracy McCubbin
Itens que nunca são usados Avaliar se combinam com a vida atual Sarah Seung-McFarland
Peças em bom estado Doar para quem vai aproveitar Sarah Seung-McFarland

Como lidar com a culpa e manter a casa organizada?

Para Paxton, muita gente passa anos guardando objetos de parentes falecidos por culpa, como se a pessoa fosse ficar brava. Ele conta o caso de uma cliente que não conseguia se desfazer das cuecas do avô e lembra que manter tudo não é a única forma de honrar quem se foi. Reconhecer esse pensamento já ajuda a liberar espaço.

Como cada pessoa da família tem uma relação diferente com os objetos, Paxton sugere dar a cada um um espaço próprio, como uma caixa grande ou um armário, onde pode guardar o que quiser, desde que nada se espalhe pela área comum da casa. Para ele, a casa não deve ser um museu, mas um museu vivo, que muda junto com a família.

As memórias ficam com você, não com os objetos. Escolha hoje uma gaveta ou caixa, separe o que realmente importa e dê nova vida ao resto. Compartilhe estas dicas com quem tem dificuldade de desapegar.