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Uma carta de amor de 540 anos ficou escondida por séculos até que a inteligência artificial ajudou a revelar segredos de uma família

Carta de amor de 540 anos revela pistas sobre uma família

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O que uma carta de amor de cinco séculos ainda escondia
O que uma carta de amor de cinco séculos ainda escondia

Uma carta escrita em fevereiro de 1477 por uma jovem inglesa ao noivo voltou a chamar a atenção mais de 540 anos depois, agora com a ajuda da inteligência artificial. Considerada a carta de amor mais antiga conhecida escrita em inglês, ela mistura declarações apaixonadas com um assunto bem menos romântico: a briga entre as famílias pelo valor do dote. O documento foi transcrito, traduzido e explicado por uma nova ferramenta de IA, que tornou o texto medieval acessível a qualquer leitor.

O que diz a carta de amor escrita há mais de 540 anos?

A autora, Margery Brews, chama o noivo, John Paston III, de “bem-amado Valentim” e escreve com o coração pesado. Ela conta que a mãe tentou, sem sucesso, convencer o pai a aumentar o dote prometido e reconhece que a família dele considerava a oferta insuficiente.

Mesmo assim, a carta é uma declaração de amor e de lealdade. Entre os pontos principais do texto estão:

  • A notícia de que o pai não aceitou aumentar o dote
  • A garantia de que ela não o abandonaria, mesmo que ele tivesse apenas metade dos bens que tinha
  • A declaração de amor ao noivo, chamado de “bem-amado Valentim”
  • A súplica para que o conteúdo da carta fosse mantido em segredo
O que uma carta de amor de cinco séculos ainda escondia
O que uma carta de amor de cinco séculos ainda escondia

Quem eram Margery Brews e John Paston III?

Margery era filha de Sir Thomas Brews e de Elizabeth Debenham, de uma família da pequena nobreza em ascensão no condado de Norfolk, no leste da Inglaterra. A carta foi escrita em Topcroft, onde a família vivia, e registrada por um criado da casa, Thomas Kela, como era comum na época.

John Paston III pertencia aos Paston, família que deixou uma das coleções de documentos mais importantes da história inglesa. As chamadas Cartas dos Paston reúnem mais de mil documentos produzidos entre 1422 e 1509 e mostram a ascensão da família, de origem simples, até a aristocracia, além de detalhes da vida cotidiana da época.

Como a inteligência artificial ajudou a ler o documento?

A carta já era conhecida por historiadores, mas o inglês medieval é praticamente ilegível para leitores atuais. A empresa de genealogia MyHeritage usou a Scribe AI, ferramenta lançada em março de 2026 para transcrever, traduzir e interpretar documentos históricos, e a IA levou poucos minutos para converter o texto e explicar o contexto. Entre as dificuldades do documento estavam:

  • O uso da letra “thorn”, herdada do inglês antigo e que não existe mais no alfabeto
  • Abreviações que caíram em desuso há séculos
  • A grafia irregular, sem regras fixas de ortografia
  • A caligrafia do escrivão que registrou a carta
O que uma carta de amor de cinco séculos ainda escondia
O que uma carta de amor de cinco séculos ainda escondia

Por que o dote virou motivo de conflito entre as famílias?

Na Inglaterra medieval, os casamentos entre famílias com terras e posses envolviam negociações financeiras longas. No caso de Margery e John, a família Paston esperava um dote maior do que o pai dela estava disposto a pagar, e o impasse ameaçou o casamento. A história, porém, teve final feliz:

Ano / Período O que aconteceu
Fevereiro de 1477 Margery escreve a carta ao noivo.
Outono de 1477 O casal se casa, apesar da disputa pelo dote.
1479 Nasce o primeiro filho do casal.
1495 Margery morre.
1503 John Paston III morre.

O que a carta revela sobre o amor na Idade Média?

Para a historiadora Maria Cannon, da Universidade de Portsmouth, especialista em história da família no fim da Idade Média, a carta mostra que emoção e dinheiro caminhavam juntos nas negociações de casamento. Segundo ela, o amor expresso por Margery não era secundário diante das questões financeiras, e as cartas revelam o papel ativo das mulheres nessas decisões. A historiadora lembra ainda que, como eram escritas por criados, essas correspondências não eram tão íntimas quanto as cartas de amor atuais.

O arqueólogo Rob Edwards, descendente da família Paston, esteve entre os que conheceram a versão decifrada e destacou como os sentimentos de cinco séculos atrás se parecem com os de hoje. A carta também é considerada um dos registros mais antigos a associar o Dia de São Valentim, data dos namorados em vários países, ao amor romântico, ligação que aparece em outra carta da mesma época, escrita pela mãe de Margery.

Amor e família, um dilema de 500 anos. A história de Margery e John mostra que algumas questões do coração nunca mudam. Compartilhe esta curiosidade com quem adora histórias de amor que atravessam os séculos.