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Mulher se separa após 20 anos de convivência e processa o ex-marido por tê-la forçado a assinar um acordo para ficar com todos os bens
Mulher processa ex após 20 anos por acordo sobre os bens
Depois de quase 20 anos de convivência, uma mulher de 52 anos da Argentina foi à Justiça contra o ex-companheiro, que ficou com a casa, o comércio, o carro e 14 apartamentos construídos durante a relação. A defesa dele apresentou um acordo assinado por ela que garantia todos os bens a ele, mas a Justiça considerou que o documento foi firmado em um contexto de violência econômica e o anulou. Veja o que aconteceu, o que ela vai receber e como funciona a divisão de bens na união estável no Brasil.
O que aconteceu com o casal que viveu junto por 20 anos?
Segundo o relato da mulher, o relacionamento começou em 1999 e a convivência, um ano depois. Ela afirmou que os dois juntaram economias e receberam ajuda da família dela para comprar uma casa em Morón, na região metropolitana de Buenos Aires, mas a escritura ficou apenas no nome do companheiro. Ela deixou o emprego para administrar as obras, e o imóvel ganhou um comércio e apartamentos para alugar, onde ela trabalhou por anos no atendimento, com fornecedores e na administração.
O homem, também de 52 anos, reconheceu a convivência a partir de 2002, mas negou que ela tivesse participado da compra ou do negócio. Ele apresentou um pacto de convivência assinado em julho de 2018, segundo o qual a casa, o comércio, o carro e as futuras melhorias pertenciam só a ele. A mulher entrou com a ação em maio de 2021.

Por que a Justiça anulou o acordo de bens?
A juíza do Juizado Cível e Comercial nº 2 de Morón concluiu que o pacto foi assinado em um contexto que comprometia a liberdade de decisão da mulher, e por isso o declarou nulo. A mulher alegou ter assinado o documento em branco e em uma relação de desigualdade de poder. Para chegar à decisão, a magistrada considerou:
- Depoimentos de três testemunhas que confirmaram o trabalho dela no comércio e nas obras
- Relatos de humilhações, controle do dinheiro e maus-tratos durante a relação
- Uma denúncia e uma medida de restrição registradas depois da separação
- O fato de o acordo concentrar no homem todos os bens construídos durante a convivência
A juíza aplicou a figura do enriquecimento sem causa, que permite corrigir situações em que alguém aumenta o próprio patrimônio à custa de outra pessoa sem justificativa legal. Segundo a decisão, o patrimônio dele cresceu com o trabalho não remunerado dela.
O que a mulher terá direito a receber com a decisão?
O valor final ainda será calculado, porque um leiloeiro judicial vai avaliar o imóvel e o aluguel de cada apartamento depois que a decisão se tornar definitiva. Em 2022, uma perícia havia estimado o imóvel em 132 mil dólares. Veja o que foi decidido:
| Pedido | Decisão |
|---|---|
| Melhorias feitas no imóvel | 50% do valor atual. |
| Aluguéis dos 14 apartamentos | 50% dos valores recebidos desde maio de 2020. |
| Veículo | 50% do valor atual. |
| Fundo de comércio, impostos e ganhos do negócio após 2020 | Negados por falta de provas. |
| Custas do processo | Pagas pelo ex-companheiro. |

Como funciona a divisão de bens na união estável no Brasil?
A regra no Brasil é diferente da argentina. Na Argentina, a decisão lembra que a convivência não divide os bens automaticamente como no casamento. Aqui, o Código Civil determina que, se não houver contrato escrito, a união estável segue o regime da comunhão parcial de bens, e o que foi adquirido durante a relação, em regra, pertence aos dois, mesmo que esteja no nome de apenas um.
Para evitar surpresas, alguns cuidados ajudam a proteger quem vive em união estável:
- Formalizar a união em cartório, com escritura pública
- Ler com atenção qualquer contrato sobre bens antes de assinar
- Nunca assinar documentos em branco
- Guardar comprovantes de pagamentos, reformas e contribuições financeiras
- Procurar orientação jurídica antes de firmar acordos de partilha
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O que é violência patrimonial e como buscar ajuda?
No Brasil, a Lei Maria da Penha reconhece a violência patrimonial como uma das formas de violência doméstica contra a mulher. Ela inclui reter, subtrair ou destruir bens, documentos e recursos econômicos, e também controlar o dinheiro de forma a limitar a autonomia da vítima. Além disso, o Código Civil prevê que contratos assinados sob coação podem ser anulados, como aconteceu no caso argentino.
Quem vive uma situação parecida pode buscar orientação pela Central de Atendimento à Mulher, no telefone 180, que funciona 24 horas e é gratuita, ou procurar a Defensoria Pública do seu estado, que oferece assistência jurídica a quem não pode pagar advogado. Reunir provas, como mensagens, comprovantes e testemunhas, faz diferença em um eventual processo.
Assinatura não pode ser arrancada à força. Antes de assinar qualquer acordo sobre bens, leia, pergunte e busque orientação. Compartilhe esta história com quem vive em união estável.