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A psicologia sugere que inventar histórias durante a brincadeira pode ajudar crianças a desenvolver linguagem e imaginação enquanto experimentam personagens, situações e diferentes formas de pensar
Brincadeiras de faz de conta podem abrir espaço para crianças usarem mais palavras, criarem histórias e explorarem diferentes papéis
Inventar histórias durante a brincadeira permite que crianças experimentem palavras, personagens e situações que não estão acontecendo de verdade. Um sofá vira navio, uma boneca precisa de atendimento e um bloco passa a funcionar como telefone. No desenvolvimento infantil, essas cenas de faz de conta oferecem oportunidades para conversar, construir narrativas e explorar diferentes maneiras de resolver um problema.
O que a criança experimenta quando cria uma história?
No faz de conta, objetos e gestos ganham outros significados. A criança pode transformar uma caixa em ônibus e decidir que os passageiros estão indo visitar alguém. Para sustentar essa cena, precisa estabelecer o que está acontecendo, quem participa e como a brincadeira vai continuar, mesmo que faça isso com poucas palavras.
A narrativa não precisa ter começo, meio e fim perfeitamente definidos. Às vezes, a história muda quando aparece outro brinquedo ou quando um colega sugere uma ideia. A imaginação permite explorar possibilidades: o ônibus pode quebrar, receber um novo motorista ou virar uma nave. A criança combina referências conhecidas com soluções inventadas naquele momento.
Como o faz de conta cria oportunidades para usar a linguagem?
Ao representar personagens, a criança pode mudar a voz, explicar uma situação ou pedir que alguém participe. As palavras têm uma função dentro da cena, em vez de aparecerem apenas como respostas a perguntas de adultos. Uma meta-análise encontrou associação positiva entre brincadeira simbólica e aquisição de linguagem, embora os estudos variem bastante em método e qualidade, segundo a Developmental Review.
Confira abaixo algumas situações em que a brincadeira abre espaço para a comunicação:
- Explicar por que um personagem precisa de ajuda;
- Combinar quem será o cliente e quem atenderá a loja;
- Contar o que aconteceu antes da chegada de outro participante;
- Descrever um lugar imaginário e seus habitantes;
- Negociar uma mudança no rumo da história.

Interpretar personagens ajuda a explorar outros pontos de vista?
Uma mesma situação pode ser imaginada de maneiras diferentes conforme o papel escolhido. Ao brincar de restaurante, por exemplo, a criança pode representar alguém que prepara a comida e depois um cliente que espera pelo pedido. A troca oferece uma ocasião para pensar no que cada personagem quer, sabe ou precisa.
Isso não significa que qualquer brincadeira produza automaticamente mais empatia. O que existe é uma oportunidade de explorar perspectivas, especialmente quando outras pessoas participam. Um colega pode discordar do destino da viagem ou querer outro papel. Para continuar a história juntos, os participantes precisam conversar sobre suas escolhas e encontrar algum acordo.
Que brincadeiras favorecem a criação de narrativas?
Inventar histórias durante a brincadeira não exige fantasias caras nem cenários completos. Materiais simples podem oferecer diferentes usos, conforme a idade e os interesses da criança. O adulto pode apresentar uma possibilidade e deixar que ela escolha o caminho. Confira abaixo algumas propostas:
- Criar uma aventura com bonecos e animais de brinquedo;
- Montar uma cidade com caixas e blocos;
- Desenhar personagens e imaginar um encontro entre eles;
- Inventar outro final para uma história conhecida;
- Organizar um mercado de faz de conta com embalagens limpas;
- Fazer um pequeno teatro com fantoches.

Como participar sem controlar todas as escolhas?
O adulto pode entrar na cena perguntando o que seu personagem deve fazer ou comentando uma ideia da criança. Perguntas como “O que aconteceu com esse passageiro?” abrem espaço para elaborar a narrativa. Já corrigir cada detalhe ou determinar todas as falas reduz as oportunidades de criação. A participação pode ampliar a conversa sem retirar a iniciativa infantil. Também vale acompanhar a brincadeira em silêncio por alguns momentos, observando antes de propor uma mudança.
A história ganha espaço quando a criança pode experimentar
As narrativas podem aparecer em falas, gestos, desenhos e movimentos dos brinquedos. Uma criança pode contar longas aventuras; outra prefere representar uma cena curta ou repetir uma situação conhecida. Essas diferenças não devem transformar o faz de conta em competição. O adulto pode oferecer escuta e tempo para que cada participante expresse suas ideias do próprio jeito.
Inventar histórias durante a brincadeira cria ocasiões para nomear acontecimentos, conversar sobre personagens e testar caminhos para uma mesma situação. O objetivo não precisa ser produzir uma narrativa pronta para apresentar. Quando a criança decide que o navio mudou de destino ou que a boneca encontrou uma solução, está usando a linguagem e a imaginação para dar continuidade à experiência que criou.