Esportes
Federação Norueguesa formaliza denúncias contra Infantino e pede investigação na FIFA
Entidade questiona atuação do presidente da FIFA em três episódios e encaminha casos ao Comitê de Ética e ao órgão de governança da entidade
A Federação Norueguesa de Futebol (NFF) formalizou duas denúncias dentro da FIFA contra o presidente da entidade, Gianni Infantino. Os documentos foram encaminhados ao Comitê de Ética e ao Comitê de Governança, Auditoria e Compliance (GACC) e envolvem três episódios relacionados à administração e aos processos de tomada de decisão da organização.
As iniciativas foram aprovadas por unanimidade pela direção da federação norueguesa em agosto e apresentadas oficialmente nesta semana. A NFF pede que os órgãos internos da FIFA apurem os fatos e verifiquem se houve descumprimento das regras de ética, além de analisar os mecanismos de governança, controle e supervisão da entidade.
Prêmio da Paz e caso Balogun
Um dos questionamentos apresentados pela Noruega envolve o Prêmio da Paz da FIFA, criado em 2025 e entregue pela primeira vez ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A federação quer esclarecer como a premiação foi criada, qual foi a participação do Conselho da FIFA no processo e se a iniciativa respeitou os princípios de neutralidade política da organização.
A NFF também solicita uma investigação sobre a atuação de Infantino no episódio envolvendo Folarin Balogun durante a Copa do Mundo de 2026. O atacante dos Estados Unidos havia recebido uma suspensão automática após ser expulso, mas a punição acabou sendo retirada e ele pôde disputar a partida seguinte.
A federação norueguesa questiona relatos de que Donald Trump teria entrado em contato com Infantino para pedir a revisão da suspensão. O objetivo da denúncia é esclarecer como o processo foi conduzido, quem participou das decisões e se a independência dos procedimentos disciplinares foi preservada.
Projeto comercial também é alvo
O terceiro ponto está relacionado ao FIFA Forward Enterprise (FFE), projeto que previa uma nova estrutura comercial para administrar direitos ligados a competições da entidade. A proposta chegou a considerar a entrada de investidores privados na operação, mas acabou sendo abandonada em julho de 2026 após questionamentos de diferentes integrantes do futebol internacional.
A Noruega quer saber como o projeto avançou sem uma participação considerada suficiente do Conselho da FIFA e solicita esclarecimentos sobre os contatos entre dirigentes da entidade e possíveis investidores. A federação também pede que sejam analisados os controles internos e os processos de tomada de decisão utilizados durante a elaboração da proposta.
A presidente da Federação Norueguesa, Lise Klaveness, afirmou que a intenção não é antecipar conclusões sobre os casos.
“O objetivo é simples: revelar os fatos dos casos e garantir a responsabilização dentro das próprias regras da FIFA”, declarou Klaveness.
A dirigente também destacou a necessidade de preservar a confiança nas instituições do futebol internacional e defendeu que os episódios sejam analisados de maneira independente e transparente.
Os dois procedimentos terão tramitações diferentes. O Comitê de Ética poderá avaliar a conduta de Infantino e de outras pessoas eventualmente identificadas durante uma investigação. Já o GACC deverá concentrar sua análise em questões de governança, supervisão financeira, controles internos e processos decisórios.
A FIFA informou que os assuntos levantados pela Noruega serão discutidos na próxima reunião do Conselho da entidade, marcada para 15 de outubro, em Zurique. A federação norueguesa, por sua vez, pediu que as apurações sejam conduzidas com rapidez e independência.