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Seis navios vikings são encontrados no fundo do mar do Báltico com armas, ferramentas e objetos preservados durante séculos sob as águas geladas
Descobertas no fiorde revelam segredos navais da Idade Média.
As escavações realizadas nas águas dinamarquesas do fiorde de Roskilde trouxeram à tona estruturas marítimas impressionantes da Idade Média. Essas embarcações revelam detalhes valiosos sobre a engenharia de transporte e a rotina estratégica dos navegadores vikings no passado.
Como os navios vikings foram parar no fundo do fiorde?
A presença dessas embarcações no canal aquático decorre de um bloqueio intencional construído para proteger a próspera cidade de Roskilde. Moradores locais preencheram os cascos com grandes pedras de granito para impedir ataques navais de invasores inimigos.
Durante séculos, pescadores acreditavam na lenda sobre uma nau afundada por ordens reais para deter piratas na região. No entanto, pesquisas arqueológicas confirmaram que os vestígios submergidos eram muito mais antigos e pertenciam à Era Viking.
Quais eram os tipos de embarcações encontradas em Skuldelev?
As análises iniciais indicaram seis barcos afundados no local, mas estudos posteriores demonstraram que duas partes integravam a mesma estrutura. Essa importante descoberta revelou unidades voltadas ao comércio pacífico e navegações de longa distância pelos mares europeus.
Ao contrário das embarcações de guerra ornamentadas ou usadas em funerais de chefes, estes modelos serviam ao transporte cotidiano de mercadorias. Os construtores utilizaram madeira de carvalho para garantir resistência técnica contra o desgaste contínuo das águas.

Como a equipe de arqueólogos realizou a escavação subaquática?
A remoção do entulho exigiu técnicas inovadoras desenvolvidas pelo Museu Nacional da Dinamarca para operar em ambientes turvos. Os mergulhadores precisaram retirar centenas de rochas pesadas antes de expor a madeira preservada sob o lamaçal do fiorde.
Técnicas de Resgate Subaquático
Inovação na Arqueologia Marítima
O uso de mangueiras de incêndio permitiu mover a lama sem danificar as tábuas fragilizadas das embarcações.
Os pesquisadores utilizaram fios de aço e pranchetas plásticas com papel impermeável para mapear a posição exata de cada peça.
Ferramentas tradicionais como pás e pincéis eram inadequadas, pois turvavam a água e impediam a visão dos pesquisadores. O método aquático exigia paciência extrema para evitar que correntes fortes levassem partes das embarcações expostas durante os trabalhos.
Para mapear e resgatar o achado sem causar danos, a equipe utilizou equipamentos adaptados:
- Mangueiras de pressão para afastar o lodo sem quebrar o material.
- Cabos de guia demarcados em metros para orientação visual.
- Pranchetas plásticas preparadas com papel impermeável para desenhos.
O que os achados revelaram sobre o cotidiano e o comércio viking?
A ausência de armas ou tesouros nos conveses indicou que os navios foram esvaziados antes do afundamento estratégico. Essa característica demonstrou o aproveitamento máximo de recursos valiosos por parte da comunidade local antes da utilização militar das estruturas.
Análises de calafetagem das tábuas revelaram o uso de lã de ovelhas primitiva misturada com alcatrão para vedar os cascos. Esses detalhes evidenciam conexões comerciais profundas que ligavam a região a rotas marítimas distantes no Atlântico Norte.
A análise dos materiais e da carga revelou aspectos fundamentais do comércio medieval:
- Exportação de artigos artesanais, tecidos e ferramentas de trabalho.
- Importação de insumos primários obtidos através de trocas com povos vizinhos.
- Uso de rotas marítimas integradas abrangendo a ilha britânica e a Europa continental.

Por que estas descobertas transformaram a arqueologia marítima?
A recuperação desses barcos ofereceu aos historiadores um panorama inédito sobre a vida civil e o conhecimento náutico da época. O estudo das linhas dos cascos demonstrou a sofisticação das técnicas de carpintaria sem o uso de registros escritos.
O resgate em Roskilde impulsionou a criação de métodos modernos de preservação e exibição de patrimônios aquáticos em museus europeus. Esse legado arqueológico continua alimentando novas pesquisas sobre a expansão e a engenharia marítima do norte.