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A cidade catarinense que fala um idioma quase extinto na Europa guarda a maior concentração de casas sem pregos fora do continente
O pedaço da Europa em Santa Catarina que preserva uma língua antiga e casas montadas sem pregos.
No meio do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, uma cidade pequena preserva o que a própria Europa quase perdeu. Pomerode mantém vivo o pomerano, idioma trazido por imigrantes do norte da Alemanha, e reúne centenas de casas de madeira encaixada sem um único prego. A chamada cidade mais alemã do Brasil virou um pedaço da Europa a poucos minutos de Blumenau.
Por que em Pomerode se fala uma língua quase extinta na Europa?
Porque aqui o idioma dos imigrantes sobreviveu melhor do que na terra natal. O pomerano não é um dialeto do alemão, mas uma língua própria, aparentada ao baixo-alemão, que quase desapareceu na Europa depois que a antiga região da Pomerânia foi dividida entre Alemanha e Polônia no fim da Segunda Guerra. Isolado entre os morros do Vale do Itajaí, o idioma atravessou gerações em Pomerode e tornou o Brasil um dos poucos lugares do mundo onde o pomerano ainda é falado no dia a dia.
A cidade transformou essa herança em lei. Em 2010, o município tornou o alemão idioma cooficial, e em 2017, pela Lei Municipal nº 2.907, fez o mesmo com o pomerano, tornando-se o único município catarinense com essa dupla cooficialização. Nas ruas, nas padarias e nas escolas, três línguas convivem naturalmente: o português, o alemão e o pomerano, muitas vezes misturados na mesma conversa.

O que são as casas enxaimel construídas sem pregos?
A paisagem de Pomerode é marcada por um estilo de construção medieval. O enxaimel é uma técnica trazida da Alemanha em que vigas de madeira são encaixadas umas nas outras, sem pregos nem parafusos, formando uma estrutura aparente preenchida com tijolos de argila. Muitas dessas casas têm mais de cem anos e continuam de pé, testemunhas da chegada dos imigrantes à região.
A cidade guarda a maior concentração desse estilo fora da Europa. São cerca de 233 construções documentadas, das quais aproximadamente 50 foram tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A maior parte forma a Rota do Enxaimel, um trajeto de cerca de 16 km no bairro rural do Testo Alto, que em dezembro de 2021 recebeu o selo Best Tourism Villages, concedido pela Organização Mundial do Turismo (OMT), agência da Organização das Nações Unidas (ONU), que reconhece as melhores vilas turísticas do mundo.
O que fazer em Pomerode?
A cidade combina arquitetura histórica, natureza e cultura germânica num roteiro compacto. Boa parte das atrações fica no centro ou na zona rural, a poucos minutos de carro.
Quais festas e pratos típicos Pomerode mantém vivos?
A cidade celebra as raízes germânicas o ano inteiro, com festas tradicionais que atraem multidões. A culinária é um capítulo à parte, farta e de tempero alemão.
- Marreco recheado: prato mais típico da cidade, pato ou marreco assado com recheio à base de miúdos e temperos, servido com repolho roxo e batata.
- Café colonial: fartura de cucas, pães, geleias, embutidos e tortas, servido em grandes mesas de herança alemã.
- Eisbein e salsichas: joelho de porco e as tradicionais linguiças alemãs, acompanhados de chucrute, o repolho fermentado.
- Festa Pomerana: realizada em janeiro, celebra a emancipação da cidade com música, dança, chope e gastronomia germânica.

Como é o clima em Pomerode ao longo do ano?
O clima é subtropical úmido, com chuvas bem distribuídas ao longo do ano e quatro estações definidas. O inverno é frio, com madrugadas de um dígito, enquanto o verão é quente e úmido.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Pomerode?
Pomerode fica a cerca de 35 km de Blumenau e a 45 km de Joinville, no Vale do Itajaí, posição estratégica que lhe deu origem como colônia entre as duas cidades. Os aeroportos mais próximos são os de Navegantes e de Joinville, ambos a pouco mais de uma hora de carro. A cidade integra o circuito turístico do Vale Europeu, com acesso por rodovias estaduais em bom estado.
A pequena Pomerânia que sobreviveu no Vale do Itajaí
Pomerode preserva o que poucos lugares do mundo conseguem: uma língua que a Europa quase perdeu, a maior concentração de casas enxaimel fora do continente e festas que atravessaram gerações de imigrantes. Entre os casarões de madeira do Testo Alto e o som do pomerano nas padarias, a cidade mantém viva uma herança que nem a terra natal guardou tão bem.
Você precisa conhecer Pomerode, percorrer a Rota do Enxaimel sem pressa e provar um marreco recheado para entender por que essa pequena Pomerânia fincou raízes no coração de Santa Catarina.