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Essa fruta brasileira é pouco conhecida, parece uma jabuticaba amarela, tem a ‘casca cabeludinha’ e pode ser plantada no quintal de casa
Myrciaria glazioviana produz na primavera uma fruta brasileira conhecida como cabeludinha
A cabeludinha é uma fruta nativa brasileira capaz de chamar atenção antes mesmo da primeira mordida. Pequena, arredondada e amarela quando madura, ela tem a casca coberta por uma fina penugem e lembra uma jabuticaba de outra cor. Encontrada em áreas de Mata Atlântica, essa espécie frutífera ganha seus frutos principalmente durante a primavera e ainda permanece distante das prateleiras de grande parte do país.
Que fruta é essa que parece uma jabuticaba amarela?
A cabeludinha é o fruto da Myrciaria glazioviana, espécie brasileira pertencente à família Myrtaceae. Sua aparência explica alguns dos nomes populares mais conhecidos, como jabuticaba-amarela, peludinha, cabeluda e vassourinha-da-praia. Quando madura, a fruta apresenta tonalidade amarela ou amarelo-alaranjada e mantém na superfície pequenos pelos claros.
A comparação com a jabuticaba também possui relação botânica. A família Myrtaceae reúne diversas frutíferas conhecidas dos brasileiros, entre elas jabuticabeiras, goiabeiras e pitangueiras. Apesar da semelhança no formato, a jabuticaba-amarela se diferencia pela cor, pela textura da casca e pelo aspecto aveludado. Entre suas características mais fáceis de reconhecer estão:
- frutos pequenos e aproximadamente arredondados;
- casca amarela coberta por uma fina penugem;
- polpa clara e bastante suculenta;
- sabor adocicado acompanhado por leve acidez;
- uma ou poucas sementes relativamente grandes no interior.

A Mata Atlântica guarda uma frutífera pouco vista nos mercados
A Myrciaria glazioviana é uma espécie nativa ligada à vegetação da Mata Atlântica, bioma conhecido pela grande diversidade de árvores e frutas brasileiras. A planta pode assumir porte de arbusto ou pequena árvore, característica que favoreceu sua permanência em quintais, pomares domésticos e sistemas de cultivo com outras espécies.
Por que a cabeludinha amadurece justamente na primavera?
O ciclo da planta ajuda a explicar a presença dos frutos nessa época do ano. Registros de cultivo indicam floração durante os meses mais frios e produção entre outubro e dezembro, fazendo da primavera um período importante para encontrar a cabeludinha madura. Em outubro, os pequenos frutos amarelos começam a se destacar entre as folhas verdes.
Essa época de frutificação também movimenta a fauna ao redor da planta. As flores da família Myrtaceae podem receber visitantes polinizadores, enquanto os frutos maduros atraem animais capazes de consumir a polpa e dispersar sementes. Durante esse ciclo, a jabuticaba-amarela pode ser aproveitada de diferentes maneiras:
- consumida fresca diretamente após a colheita;
- usada no preparo de sucos e bebidas;
- transformada em geleias e doces caseiros;
- cultivada como frutífera ornamental em quintais e jardins.
O sabor mistura doçura, acidez e uma polpa bastante suculenta
Por baixo da casca aveludada, a fruta apresenta uma polpa translúcida, úmida e de sabor doce com uma acidez perceptível. A jabuticaba-amarela pode ser consumida com a casca ou aberta para aproveitar apenas o interior. O tamanho reduzido e a presença de sementes fazem com que cada fruto ofereça uma quantidade limitada de polpa.
A composição também desperta interesse. A cabeludinha é citada em materiais técnicos sobre frutas nativas como uma fonte de vitamina C. A Myrciaria glazioviana, no entanto, continua muito menos popular do que outras representantes da Myrtaceae, apesar de seu potencial para consumo fresco e para receitas feitas com frutas colhidas diretamente do pomar.

Uma fruta brasileira que sobreviveu principalmente nos quintais
A pouca presença no comércio ajuda a explicar por que tantos brasileiros nunca provaram essa espécie. Produção em menor escala, quantidade reduzida de polpa e desconhecimento do consumidor dificultaram a transformação da cabeludinha em uma fruta comum nos supermercados. Enquanto isso, exemplares da planta continuam sendo cultivados em propriedades, jardins e pomares próximos de áreas originalmente ocupadas pela Mata Atlântica.
Essa permanência doméstica preserva uma espécie que reúne várias características das frutíferas nativas brasileiras: flores que atraem polinizadores, frutos consumidos pela fauna, adaptação ao cultivo em espaços menores e uma safra marcada pela primavera. Quando os frutos amarelos aparecem entre outubro e dezembro, a pequena Myrciaria glazioviana mostra por que também ganhou um apelido tão fácil de lembrar: jabuticaba-amarela.
