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Theodore Roosevelt, ex-presidente americano, num discurso em Paris em 1910: “Não é o crítico que importa”, a frase do Homem na Arena que fala com quem tem medo de tentar e ser julgado
No discurso Cidadania em uma República, o americano defendeu que o crédito é de quem tenta e erra, e não de quem só aponta as falhas de fora
Em 23 de abril de 1910, Theodore Roosevelt subiu à tribuna da Sorbonne, em Paris, já como ex-presidente dos Estados Unidos. Dali saiu o trecho conhecido como O Homem na Arena. Mais de um século depois, a frase “Não é o crítico que importa” ainda conversa com quem trava diante do medo de errar em público.
Onde e quando Roosevelt fez o discurso da arena em Paris?
O discurso foi feito em 23 de abril de 1910, na tradicional universidade de Paris, diante de uma plateia que Roosevelt chamou de “meus anfitriões”. O título oficial era Cidadania em uma República, como registra a página dedicada ao texto no Theodore Roosevelt Center, da Dickinson State University.
A fala fazia parte de uma viagem pela Europa que incluiu Viena, Budapeste e Oslo, onde ele discursou pelo Nobel da Paz em 5 de maio daquele ano. Antes da maratona de palestras, o americano tinha feito um safári na África com o filho Kermit.
No palco da Sorbonne, Theodore Roosevelt comparou a França e os Estados Unidos, as duas repúblicas entre as grandes potências da época. A tese era direta: o sucesso de uma república depende da qualidade do cidadão comum, e os líderes devem ser cobrados ainda mais.
O que diz o trecho do Homem na Arena, do começo ao fim?
O trecho diz que o mérito pertence a quem está na arena, e não a quem aponta o tropeço dos outros. Em tradução livre da Super Rádio Tupi, a abertura é esta: “Não é o crítico que importa, nem aquele que aponta onde o homem forte tropeçou. O crédito pertence ao homem que está de fato na arena, com o rosto marcado de poeira, suor e sangue.”

Na sequência, Roosevelt descreve alguém que luta com bravura, erra e fica aquém repetidas vezes, “porque não há esforço sem erro e sem falha”. Na pior das hipóteses, esse homem fracassa “ousando grandemente”. Por isso, seu lugar nunca será ao lado das “almas frias e tímidas que não conhecem nem a vitória nem a derrota”.
A força da passagem cresce quando ela é ouvida em voz alta. No canal oficial da Theodore Roosevelt Presidential Library, um vídeo curto traz John F. Kennedy lendo O Homem na Arena.
Errar faz parte do caminho, e Roosevelt não foi o primeiro a dizer isso. Séculos antes, um orador romano já separava o erro honesto da teimosia de insistir nele.
Por que a frase fala com quem tem medo de ser julgado?
Porque ela inverte o placar: quem tenta e falha ganha crédito, e quem só assiste de fora perde a autoridade. Para Theodore Roosevelt, o julgamento que pesa é o de quem também entrou na disputa.

Pense no ouvinte que sonha em abrir um quiosque na Baixada, mas teme o comentário do vizinho. Ou no estudante que desiste do vestibular com medo da reprovação. O crítico de calçada não arrisca nada, e justamente por isso sua opinião vale pouco.
O contexto do discurso reforça essa leitura. Em Cidadania em uma República, Roosevelt defendia que caráter, bom senso e coragem contam mais do que erudição ou refinamento. A arena, portanto, é qualquer lugar onde alguém se expõe para fazer algo acontecer.
O que a lição de Roosevelt pede a quem ainda hesita?
Pede que a pessoa troque a pergunta “e se eu errar?” por “e se eu nunca tentar?”. O texto lido na Sorbonne não promete vitória a ninguém, e é essa honestidade que o mantém atual.
A frase também não manda ignorar toda crítica. Conselho de quem entende do assunto ajuda a melhorar, e Roosevelt mira em quem aponta o erro sem nunca agir. Se você está adiando um projeto por medo do que vão dizer, que tal dar o primeiro passo esta semana e contar pra gente como foi?
Se o assunto é pensamento que atravessa os séculos, a filosofia também tem lições para o dia a dia. Um clássico alemão explica por que razão e experiência precisam andar juntas.