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Está sendo construído o primeiro arranha-céu de um quilômetro no mundo. A Jeddah Tower já alcançou 454 metros
Jeddah Tower chega a 454 metros e avança rumo ao primeiro prédio com mais de 1 km
Em Jidá, cidade saudita à beira do Mar Vermelho, a Jeddah Tower voltou a crescer depois de anos parada. A obra chegou a 113 andares e 454 metros de altura e, se seguir o projeto, será o primeiro arranha-céu a ultrapassar um quilômetro, tirando do Burj Khalifa o título de edifício mais alto do mundo.
O que é a Jeddah Tower e onde ela fica?
A torre é o centro da Jeddah Economic City, um bairro planejado no norte de Jidá, segunda maior cidade da Arábia Saudita. O projeto nasceu com o nome de Kingdom Tower, ligado à Kingdom Holding, do príncipe Alwaleed bin Talal, e foi pensado como marco de uma nova fase de desenvolvimento urbano na costa do Mar Vermelho.
O edifício terá uso misto e vai funcionar como uma pequena cidade vertical. Estão previstos hotel, apartamentos de luxo, escritórios e áreas comerciais, distribuídos em cerca de 243 mil metros quadrados de área construída.
O traço de Adrian Smith, o mesmo arquiteto do Burj Khalifa
O projeto é do escritório Adrian Smith + Gordon Gill Architecture, de Chicago. Adrian Smith liderou o desenho do Burj Khalifa quando trabalhava no SOM e repetiu em Jidá a lógica da torre afunilada, que fica mais estreita à medida que sobe. A forma tem função estrutural: reduz a área exposta ao vento nos andares mais altos, onde as rajadas são o maior desafio de engenharia de um prédio dessa escala.
Os números da engenharia de um quilômetro
Erguer uma estrutura com mais de mil metros exige soluções que vão muito além da fachada envidraçada. Alguns dados ajudam a dimensionar a complexidade da obra:
- fundações com centenas de estacas, algumas cravadas a mais de 100 metros de profundidade;
- um deck de observação a cerca de 640 metros do chão, com vista para Jidá e para o Mar Vermelho;
- dezenas de elevadores, planejados para transportar moradores, funcionários e turistas sem que os poços ocupem espaço demais;
- concreto e aço dimensionados para suportar o peso próprio, o calor e a umidade da costa saudita.
A Saudi Binladin Group, uma das principais construtoras envolvidas na execução, anunciou ainda a marca de 20 milhões de horas trabalhadas no canteiro, apresentada como um marco de segurança em uma obra que fica mais arriscada a cada andar.
Por que a obra ficou parada por tantos anos?
A trajetória da torre é marcada por interrupções. A construção começou em 2013, mas problemas financeiros, trabalhistas e políticos travaram o canteiro com pouco mais de 60 andares erguidos. A linha do tempo resume esse vaivém:
- 2013: início das obras de fundação e estrutura;
- 2018: paralisação, em meio à campanha anticorrupção do governo saudita, que atingiu investidores e empresas ligados ao projeto;
- início de 2025: retomada dos trabalhos;
- agosto de 2025: estrutura perto do 68º andar;
- verão de 2026: mais de 100 andares e 400 metros;
- outubro de 2026: 113 andares e 454 metros.

O que muda para o Burj Khalifa e para a Arábia Saudita
Com 828 metros, o Burj Khalifa, em Dubai, é o prédio mais alto do planeta desde 2010. A nova torre deve superá-lo em pelo menos 172 metros, diferença maior que a altura de muitos arranha-céus. Para a Arábia Saudita, a obra integra uma estratégia de diversificação econômica, com investimentos bilionários em turismo, infraestrutura e construção civil para reduzir a dependência do petróleo.
Uma conclusão prevista para 2028
O cronograma atual aponta a entrega para 2028. Depois de mais de uma década de idas e vindas, porém, a data deve ser lida como meta, não como garantia. A estrutura ainda não chegou à metade da altura final, e os andares mais altos concentram os desafios de vento, logística de materiais e segurança dos operários.
Se o projeto for concluído como desenhado, Jidá terá o primeiro edifício da história a romper a barreira do quilômetro. Mais do que um recorde, a torre servirá de teste para fundações profundas, sistemas de elevadores e estruturas afuniladas que podem orientar a próxima geração de supertorres.