Alfonso, um criador de gado a 4000 metros de altitude, passou de trabalhar para outros a criar quase 200 cabras: "Minha filha é minha força motriz e a razão para continuar" - Super Rádio Tupi
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Alfonso, um criador de gado a 4000 metros de altitude, passou de trabalhar para outros a criar quase 200 cabras: “Minha filha é minha força motriz e a razão para continuar”

Alfonso cria quase 200 cabras e ovelhas nas montanhas e encontra na filha seu maior incentivo

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Alfonso, um criador de gado a 4000 metros de altitude, passou de trabalhar para outros a criar quase 200 cabras: "Minha filha é minha força motriz e a razão para continuar"
Alfonso transforma 5 cabras em quase 200 animais e vive do próprio queijo no Peru - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Nas montanhas do Peru, a mais de 4.000 metros de altitude, Alfonso, conhecido na região como Juanchito, transformou cinco cabras em um rebanho de quase 200 animais entre caprinos e ovinos. Depois de décadas em Lima e anos trabalhando como peão para outros criadores, ele hoje vive da própria produção de leite e queijo. “Minha filha é meu motor e um motivo para seguir em frente”, resume.

De 5 cabras a quase 200 animais: a vida de Alfonso no alto dos Andes
A mais de 4.000 metros de altitude no Peru, Alfonso transformou anos de trabalho como peão em um rebanho próprio, sustentado pela criação de cabras e ovelhas e pela produção artesanal de queijo.
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Tudo começou com 5 cabras
Compras, trocas e reprodução natural fizeram o plantel crescer ao longo de mais de uma década até chegar perto de 200 animais.
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Rotina acima dos 4.000 m
Frio, ar rarefeito e pastagens de altitude fazem parte de uma jornada diária que começa cedo e termina só após recolher o rebanho.
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Leite vira renda
A ordenha de cerca de 22 a 23 cabras abastece a produção de queijo artesanal, mais fácil de conservar e transportar até feiras locais.
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A filha é o motor
Mesmo com meses longe de casa e trabalho sem folga, Alfonso aponta a filha como principal razão para continuar construindo o próprio futuro.
Resumo útil: a trajetória de Alfonso mostra como pequenos rebanhos adaptados à montanha, trabalho contínuo e transformação do leite em queijo podem sustentar famílias em regiões onde altitude e distância tornam a produção mais difícil.

Quem é Alfonso, o criador que vive no alto dos Andes?

Alfonso passou mais de 30 anos em Lima, longe da lida no campo. Voltou à serra por causa de uma doença e, sem capital para montar um negócio próprio, aceitou trabalhar como peão, cuidando de rebanhos de outros produtores em troca de pagamento.

Foi nesse período que aprendeu o manejo diário dos animais em altitude extrema e começou a planejar o próprio plantel. Hoje ele passa de seis a nove meses por ano no alto do cerro, em uma rotina que começa de madrugada e acompanha o ritmo do rebanho.

De cinco cabras a um rebanho de quase 200 animais

O começo foi modesto. Alfonso juntou as primeiras cinco cabras com compras e trocas, e levou entre dez e quinze anos para formar um plantel de quase 200 cabeças, somando cabras e ovelhas. O crescimento lento é típico da pecuária familiar de montanha, em que o produtor amplia o rebanho pela reprodução natural e reinveste o pouco que sobra da venda de leite, queijo e animais.

Como é a rotina de um criador a 4.000 metros

Viver na puna, a faixa de campos de altitude dos Andes, exige adaptação ao frio intenso, ao ar rarefeito e a pastagens que mudam com as estações. O dia de Alfonso é marcado por tarefas que se repetem sem folga:

  • ordenhar diariamente entre 22 e 23 cabras;
  • transformar o leite em queijo, principal produto da propriedade;
  • levar o rebanho para pastar e recolhê-lo antes do anoitecer;
  • vigiar os animais contra o frio, as doenças e os predadores da serra.

Ele mora em uma casa pequena de pedra e palha, que chama de “casita de corcho”. A construção simples protege do vento e das geadas, comuns nas noites da serra peruana mesmo fora do inverno.

Por que cabras e ovelhas se adaptam bem à altitude?

Na pecuária de alta montanha, a escolha da espécie pesa tanto quanto o manejo. Caprinos e ovinos estão entre os animais mais usados por pequenos criadores andinos, e há razões práticas para isso:

  • aproveitam pastagens nativas de baixo valor nutritivo, como o capim ichu, que não sustentariam bem um rebanho bovino;
  • exigem menos investimento inicial e se reproduzem mais rápido que vacas;
  • circulam com facilidade por encostas íngremes e terrenos pedregosos;
  • rendem leite, carne, lã e esterco, úteis tanto para o consumo da família quanto para a venda.
Alfonso, um criador de gado a 4000 metros de altitude, passou de trabalhar para outros a criar quase 200 cabras: "Minha filha é minha força motriz e a razão para continuar"
Alfonso transforma 5 cabras em quase 200 animais e vive do próprio queijo no Peru – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O queijo artesanal como fonte de renda

O leite ordenhado todos os dias vira queijo artesanal, produto que preserva melhor o valor da produção em um lugar sem refrigeração e longe dos mercados. Para pequenos criadores andinos, o queijo é a forma mais eficiente de agregar valor ao leite e levar a produção, com menos perdas, até feiras e povoados próximos, onde é vendido ou trocado por outros alimentos.

Uma filha como razão para continuar

Por trás da rotina pesada está a motivação que Alfonso faz questão de citar. Ele descreve a filha como seu motor e o motivo para continuar, mesmo com as longas temporadas no alto do cerro, o frio e um trabalho que não para nem aos fins de semana.

A trajetória dele mostra como a criação de pequenos ruminantes ainda sustenta famílias nas montanhas do Peru. Com cinco cabras, paciência e mais de uma década de trabalho, Alfonso deixou de cuidar do rebanho alheio para ser dono dos próprios animais, do próprio queijo e do próprio tempo.