Brasil
Em 12 de outubro, milhões de brasileiros pedem graças a Nossa Senhora Aparecida, mas poucos sabem que a imagem encontrada por três pescadores no Rio Paraíba em 1717 saiu da água em duas partes
No feriado de 12 de outubro de 2026, história da Padroeira do Brasil relembra a pesca de 1717, o atentado de 1978 e a força da devoção que leva milhões ao Santuário Nacional.
No feriado nacional de 12 de outubro de 2026, milhões de brasileiros voltam seus pedidos à Padroeira do Brasil, mas a história da pequena imagem retirada do Rio Paraíba do Sul guarda detalhes que unem fé, surpresa e resistência.
Como começou a devoção a Nossa Senhora Aparecida?
Em outubro de 1717, João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia pescavam na região de Guaratinguetá, após tentativas frustradas. Nas redes, surgiu primeiro o corpo de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, ainda sem cabeça.
Em novo lançamento da rede, apareceu a parte que faltava. A tradição católica relata que, depois do encontro da imagem em duas partes, os pescadores tiveram pesca abundante, sinal que marcou o início da devoção popular.

Por que a imagem saiu do rio em duas partes?
O detalhe do corpo separado da cabeça tornou a narrativa ainda mais lembrada entre os devotos. A pequena escultura de barro, associada à Conceição, passou a simbolizar esperança para famílias que viam na pesca uma providência.
No Porto Itaguaçu, a lembrança daquele achado atravessou gerações e ganhou força como marco espiritual. O que começou como uma jornada difícil de trabalho no rio transformou-se em memória nacional de confiança e gratidão para inúmeras famílias brasileiras.
Abaixo, um vídeo do canal Santuário Nacional de Aparecida no YouTube que aprofunda os pontos discutidos neste tema:
O que aconteceu no atentado de 1978?
Em 16 de maio de 1978, a imagem original sofreu um atentado na Basílica Histórica de Aparecida. Ao cair no chão, fragmentou-se em mais de 200 pedaços, episódio doloroso para a memória religiosa brasileira e seus devotos.
A restauração coube à artista plástica Maria Helena Chartuni, no Museu de Arte de São Paulo. Durante 33 dias, ela reuniu os fragmentos com cuidado minucioso, até permitir o retorno da imagem a Aparecida em 19 de agosto.
Entre os pontos que tornam esse episódio menos conhecido, alguns detalhes ajudam a compreender sua importância:
- O atentado ocorreu dentro da Basílica Histórica de Aparecida.
- A imagem original ficou dividida em mais de 200 fragmentos.
- Maria Helena Chartuni realizou a restauração no MASP.
- O trabalho de recomposição durou 33 dias.
Como a restauração reforçou a devoção nacional?
O trabalho no MASP não apagou as marcas da violência, mas permitiu que a peça voltasse ao convívio dos romeiros. A recomposição tornou-se parte da própria história da santa, associando fragilidade material e permanência espiritual diante do povo.
Para muitos fiéis, a imagem restaurada também recorda a capacidade de reconstrução presente na experiência religiosa. Entre cacos reunidos e oração popular, a trajetória ganhou novo sentido, preservando a ligação entre tradição e esperança dos devotos brasileiros.

Qual é a dimensão atual da festa em Aparecida?
Os números recentes mostram a força da peregrinação. Em 12 de outubro de 2025, a Basílica recebeu exatamente 152.161 devotos, enquanto a Novena e Festa da Padroeira somaram 494.689 visitantes entre 3 e 12 de outubro.
Ao longo de 2025, o Santuário Nacional contabilizou 10.486.118 peregrinos, sinal da vitalidade da devoção. Para 2026, a programação segue de 3 a 12 de outubro, com missas, procissões e celebrações especiais para os fiéis romeiros.