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Especialistas em comportamento animal afirmam: ‘A pessoa favorita de um gato é sempre aquela que respeita seus limites.’
Gatos criam vínculos mais fortes quando podem controlar o ritmo da interação
Em muitas casas, o gato ignora quem passa o dia chamando por ele e vai deitar justamente no colo de quem nem estava prestando atenção. Especialistas em comportamento felino explicam que a pessoa favorita do gato raramente é a que mais insiste no contato. Na maioria das vezes, é aquela que deixa o animal decidir quando, como e por quanto tempo quer ficar perto.
Gatos criam vínculo com pessoas específicas?
Sim, e a ciência já mediu isso. Em 2019, pesquisadoras da Universidade Estadual do Oregon, nos Estados Unidos, aplicaram em gatos um teste adaptado de estudos com bebês humanos. Cerca de 64% dos filhotes mostraram apego seguro ao tutor: ficavam mais tranquilos e voltavam a explorar o ambiente quando a pessoa retornava à sala. A proporção é parecida com a observada em crianças.
O estudo derrubou a imagem do gato indiferente. O vínculo existe, mas se expressa de forma mais discreta que nos cães, com aproximação, presença no mesmo cômodo e contato iniciado pelo próprio animal.
Comida não é o que mais pesa na escolha
Muita gente acredita que o gato prefere quem enche o pote de ração. Um experimento de 2017, da mesma universidade, ofereceu a gatos domésticos e de abrigo quatro opções ao mesmo tempo: comida, brinquedo, cheiro interessante e interação humana. A metade dos animais escolheu passar mais tempo com a pessoa do que com qualquer outro estímulo, inclusive a comida. Ou seja, a qualidade da convivência pesa tanto quanto quem alimenta.
O que significa respeitar os limites do gato
Em 2021, pesquisadores da Universidade de Sussex, no Reino Unido, testaram um conjunto de orientações de manejo chamado CAT, sigla em inglês para escolha e controle, atenção ao comportamento e toque. Quando as pessoas seguiram as regras, os gatos mostraram mais comportamentos amigáveis e menos sinais de incômodo. Na prática, as orientações incluem:
- estender a mão e esperar que o gato se aproxime, em vez de ir até ele;
- preferir carinho nas bochechas, no queixo e na base das orelhas;
- evitar barriga, patas e base da cauda, regiões que muitos gatos não gostam que toquem;
- fazer pausas durante o carinho e observar se ele pede mais;
- deixar que ele vá embora quando quiser, sem segurar ou perseguir.
O princípio por trás é o controle. Quando o gato sente que pode sair da interação a qualquer momento, ele tende a ficar mais tempo e a voltar com mais frequência.
Quais sinais mostram que o gato quer espaço?
O comportamento felino dá avisos claros antes de um arranhão ou de uma fuga. Prestar atenção neles é a forma mais rápida de ganhar a confiança do animal:
- cauda balançando ou batendo de um lado para o outro;
- orelhas viradas para os lados ou para trás;
- pele das costas tremendo durante o carinho;
- pupilas dilatadas sem mudança de luz no ambiente;
- cabeça virada para longe ou lambidas rápidas no focinho.

A piscada lenta, o sorriso dos gatos
Um estudo das universidades de Sussex e Portsmouth, publicado em 2020, mostrou que gatos respondem à piscada lenta, quando a pessoa estreita os olhos devagar e mantém o olhar suave. Os animais tendiam a piscar de volta e a se aproximar mais de desconhecidos que faziam o gesto, em comparação com quem mantinha expressão neutra. Para muitos especialistas, é uma das formas mais simples de comunicar ao gato que ele está seguro.
Paciência é o que transforma convivência em vínculo
Cada gato tem um temperamento próprio, moldado pela idade, pela socialização quando filhote e pelas experiências que já viveu. Por isso, o mesmo gesto que encanta um animal pode assustar outro, e a pessoa favorita costuma ser quem aprende a ler esses detalhes com o tempo.
Quem quer se aproximar de um gato tímido pode começar ficando no mesmo cômodo sem cobrar contato, oferecendo a mão parada e respondendo às piscadas. Em poucas semanas, é comum o animal passar a buscar essa companhia por conta própria, que é o sinal mais claro de confiança no mundo felino.