Receitas
Chefs de cozinha afirmam: para o pastel não ficar encharcado, não frite em óleo morno, mas espere chegar perto de 180 °C e coloque no máximo três de cada vez
Pastel crocante começa com óleo quente e espaço suficiente para fritar sem encostar
Pastel encharcado, com a massa pesada e o papel-toalha cheio de óleo, quase sempre tem a mesma causa: fritura em óleo frio demais ou panela lotada. Chefs e pasteleiros de feira repetem a regra de esperar a temperatura chegar perto de 180 °C e colocar poucos pastéis por vez. Entender por que isso funciona ajuda a acertar o ponto em casa, mesmo sem termômetro.
Por que o pastel fica encharcado no óleo morno?
A massa de pastel tem água. Quando ela entra em óleo bem quente, essa água vira vapor quase na hora e sai pela superfície em forma de bolhas. Esse fluxo de vapor para fora funciona como uma barreira, que impede o óleo de penetrar, enquanto a casca externa desidrata e fica crocante em poucos minutos.
No óleo morno, o processo acontece devagar. O vapor sai com pouca força, a casca demora a se formar e o pastel precisa ficar muito mais tempo na panela. Nesse intervalo, o óleo vai ocupando os espaços deixados pela água, e o resultado é uma massa mole, gordurosa e pesada.
A temperatura do óleo ideal para fritar pastel
A faixa mais recomendada fica entre 170 °C e 190 °C, com 180 °C como referência. Nessa temperatura, o pastel doura em dois a três minutos, a massa fica estufada e cheia de bolhas e o recheio esquenta por completo. Acima de 200 °C, o problema se inverte: a casca escurece rápido demais, o recheio pode ficar frio e o óleo começa a fumegar e a se degradar, liberando compostos irritantes e sabor de queimado.
Como saber a temperatura sem termômetro
Um termômetro culinário é a forma mais precisa de controlar a temperatura do óleo, mas existem testes caseiros que funcionam bem. Os mais usados na cozinha são:
- mergulhar a ponta de um palito de madeira ou de um cabo de colher de pau: se formar bolhinhas constantes ao redor, o óleo está pronto;
- jogar um pedacinho de massa: ele deve subir à superfície em poucos segundos, borbulhando;
- observar o óleo: se começar a soltar fumaça, passou do ponto e precisa esfriar um pouco;
- usar fogo médio-alto para aquecer e baixar para médio depois que a temperatura estabilizar.
Óleo a 180 °C ajuda o pastel a dourar rápido e formar a casquinha crocante – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial não dão um número exato, mas evitam os dois erros mais comuns: fritar antes da hora e deixar o óleo esquentar sem controle enquanto prepara os pastéis.

Por que colocar no máximo três de cada vez?
Cada pastel cru que entra na panela rouba calor do óleo. Com muitos ao mesmo tempo, a temperatura pode cair 30 ou 40 graus de uma vez, e a fritura volta a acontecer na faixa morna que encharca a massa. Fritar em pequenas levas, com espaço para os pastéis flutuarem sem encostar, mantém o óleo mais estável. Entre uma leva e outra, vale esperar alguns segundos para a temperatura se recuperar antes de colocar os próximos.
Outros segredos de pasteleiro
Além da temperatura, alguns detalhes de preparo fazem diferença no resultado final, da massa ao momento de servir:
- uma colher de cachaça ou vodca na massa ajuda a formar as bolhinhas típicas do pastel de feira, porque o álcool evapora mais rápido que a água;
- recheios muito úmidos devem ser escorridos, para não vazar e não deixar a massa mole por dentro;
- as bordas precisam ser bem fechadas com garfo, sem ar em excesso no interior;
- o óleo deve ser suficiente para o pastel flutuar, em panela funda;
- depois de frito, o pastel escorre melhor numa grade ou escorredor do que sobre papel-toalha, que prende vapor e amolece a parte de baixo.
Cuidado com o óleo depois da fritura
O óleo pode ser reaproveitado algumas vezes se for coado depois de frio e guardado em pote fechado, longe da luz. Ele deve ser descartado quando estiver escuro, espesso, espumando ou com cheiro forte, porque nesse ponto já perdeu qualidade e passa gosto ruim ao alimento.
Na hora de jogar fora, o óleo nunca deve ir para a pia ou o vaso sanitário, onde entope canos e contamina a água. O certo é guardar em garrafa PET bem fechada e levar a um ponto de coleta, que muitas cidades e supermercados mantêm para transformar o resíduo em sabão ou biodiesel. Assim, o pastel fica crocante e a cozinha continua sem dor de cabeça.