Um animal de menos de 1 milímetro sobreviveu exposto ao vácuo do espaço por 10 dias e voltou à vida depois de reidratado, o que intriga cientistas até hoje - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Mundo

Um animal de menos de 1 milímetro sobreviveu exposto ao vácuo do espaço por 10 dias e voltou à vida depois de reidratado, o que intriga cientistas até hoje

Animal de menos de 1 milímetro sobrevive 10 dias no vácuo do espaço e volta à atividade depois de receber água

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Um animal de menos de 1 milímetro sobreviveu exposto ao vácuo do espaço por 10 dias e voltou à vida depois de reidratado, o que intriga cientistas até hoje
Tardígrados microscópicos sobreviveram durante dez dias expostos ao vácuo do espaço (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Um animal microscópico conhecido como tardígrado conseguiu sobreviver durante 10 dias exposto ao vácuo do espaço e retomou suas atividades depois de ser reidratado na Terra. O experimento aconteceu em 2007, durante uma missão espacial europeia, e revelou uma capacidade de resistência extraordinária. Apesar de medir geralmente menos de um milímetro, esse invertebrado consegue enfrentar condições que seriam fatais para a maioria dos animais. A descoberta chamou a atenção dos cientistas porque demonstrou como determinadas adaptações biológicas permitem suportar ambientes extremamente hostis.

Como um animal tão pequeno conseguiu sobreviver 10 dias no espaço?

O experimento aconteceu em setembro de 2007, durante a missão FOTON-M3, que transportou amostras de tardígrados para a órbita terrestre. Os pesquisadores utilizaram a plataforma experimental Biopan-6, da Agência Espacial Europeia, para expor os animais a condições encontradas fora da atmosfera terrestre.

Durante aproximadamente dez dias, indivíduos desidratados das espécies Richtersius coronifer e Milnesium tardigradum foram submetidos ao vácuo espacial, a aproximadamente 260 a 280 quilômetros de altitude. Algumas amostras também receberam radiação ultravioleta solar. Quando retornaram à Terra, os cientistas acrescentaram água e observaram quais animais recuperariam seus movimentos.

Os resultados mostraram que os tardígrados protegidos da radiação ultravioleta apresentaram elevada resistência ao vácuo espacial. Já os indivíduos expostos diretamente à radiação solar sofreram mortalidade muito maior, embora alguns também tenham conseguido sobreviver.

Um animal de menos de 1 milímetro sobreviveu exposto ao vácuo do espaço por 10 dias e voltou à vida depois de reidratado, o que intriga cientistas até hoje
Tardígrados microscópicos sobreviveram durante dez dias expostos ao vácuo do espaço (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

O que é um tardígrado e por que ele recebe o apelido de urso-d’água?

Os tardígrados são animais microscópicos encontrados em diferentes ambientes terrestres e aquáticos. Possuem corpo segmentado, oito pequenas patas e movimentos que lembram os passos de um urso, característica responsável pelo apelido popular de urso-d’água.

Apesar do tamanho reduzido, apresentam uma estrutura corporal complexa e conseguem sobreviver em locais onde a disponibilidade de água varia bastante. Entre suas características mais interessantes estão:

  • Corpo geralmente com menos de um milímetro de comprimento;
  • Oito patas pequenas utilizadas para movimentação;
  • Presença em musgos, líquens, solos úmidos e ambientes aquáticos;
  • Capacidade de suportar períodos prolongados de desidratação em determinadas espécies;
  • Alimentação variável, incluindo células vegetais e pequenos organismos;
  • Existência de diferentes adaptações para enfrentar condições ambientais difíceis.

Como a falta de água permite que o tardígrado entre em um estado de resistência?

Uma das adaptações mais importantes desses animais é a anidrobiose, condição na qual determinados tardígrados conseguem reduzir drasticamente sua atividade metabólica depois de perder grande parte da água corporal. Nesse estado, o corpo se contrai e assume uma forma compacta conhecida como tun.

Durante esse processo, proteínas e outros mecanismos celulares ajudam a proteger estruturas sensíveis contra os danos provocados pela desidratação. Quando as condições ambientais voltam a ser favoráveis, a água permite que o organismo retome gradualmente suas funções.

O tardígrado não estava literalmente morto antes de ser reidratado. Ele permanecia em um estado de atividade metabólica extremamente reduzida. Essa distinção é importante porque o experimento demonstrou a recuperação de organismos vivos após condições extremas, e não a ressurreição de animais mortos.

Um animal de menos de 1 milímetro sobreviveu exposto ao vácuo do espaço por 10 dias e voltou à vida depois de reidratado, o que intriga cientistas até hoje
Tardígrados microscópicos sobreviveram durante dez dias expostos ao vácuo do espaço (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Quais condições extremas os tardígrados conseguem suportar?

Além do experimento espacial, diferentes espécies foram estudadas em laboratório por sua resistência à desidratação, ao frio intenso e a determinados níveis de radiação. Entretanto, essa capacidade varia conforme a espécie, o tempo de exposição e o estado fisiológico do animal. Algumas condições investigadas incluem:

  • Períodos prolongados com disponibilidade extremamente baixa de água;
  • Exposição experimental a temperaturas muito baixas;
  • Resistência a determinadas doses de radiação ionizante;
  • Sobrevivência em ambientes de pressão extremamente reduzida;
  • Recuperação da atividade após períodos de metabolismo reduzido;
  • Proteção de componentes celulares durante situações de estresse ambiental.

Essas capacidades não tornam os tardígrados indestrutíveis. A exposição intensa à radiação ultravioleta, por exemplo, provocou elevada mortalidade nas amostras enviadas ao espaço.

Por que essa descoberta continua intrigando os cientistas?

Os resultados foram publicados em 2008 na revista científica Current Biology, em um estudo liderado pelo pesquisador K. Ingemar Jönsson. A descoberta demonstrou que animais multicelulares poderiam sobreviver à exposição direta a determinadas condições espaciais, algo que ampliou as possibilidades de investigação sobre os limites da vida. Pesquisas posteriores também analisaram a reprodução e os descendentes dos indivíduos sobreviventes.

O caso do tardígrado que resistiu durante dez dias no espaço e recuperou suas atividades após receber água continua relevante para a biologia e a astrobiologia. Compreender os mecanismos que protegem suas células pode contribuir para pesquisas sobre conservação de materiais biológicos e resistência a ambientes extremos. Mais do que demonstrar a resistência de um animal microscópico, o experimento revelou como a vida pode desenvolver adaptações surpreendentes diante de condições consideradas praticamente incompatíveis com sua sobrevivência.