Rubem Alves, educador e escritor brasileiro, sobre a escola: "Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas. Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo." Uma reflexão sobre a diferença entre ensinar a obedecer e ensinar a pensar - Super Rádio Tupi
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Rubem Alves, educador e escritor brasileiro, sobre a escola: “Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas. Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo.” Uma reflexão sobre a diferença entre ensinar a obedecer e ensinar a pensar

Crônica publicada em 2001 virou referência no debate sobre autonomia em sala de aula e hoje dá nome a um prêmio do Instituto Rubem Alves para educadores

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Rubem Alves, educador mineiro, comparou escolas a gaiolas e a asas em crônica publicada na Folha em 2001
Rubem Alves, educador mineiro, comparou escolas a gaiolas e a asas em crônica publicada na Folha em 2001 - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A frase é curta, mas mexe com qualquer pessoa que já sentou numa carteira escolar. O educador e escritor mineiro Rubem Alves comparou as escolas a gaiolas e a asas. Assim, resumiu um dilema que continua atual: formar alunos que apenas obedecem ou estudantes capazes de pensar por conta própria. Às vésperas do Dia do Professor, a imagem volta a circular entre pais, mestres e alunos do Rio e de todo o país.

De onde vem a frase de Rubem Alves sobre gaiolas e asas?

A comparação nasceu na crônica “Gaiolas e asas”, publicada na página de Opinião da Folha de S.Paulo em 5 de dezembro de 2001. O texto abre justamente com o aforismo das escolas que são gaiolas e das que são asas. Mais tarde, a crônica entrou no livro Por uma educação romântica, lançado pela editora Papirus.

O autor conhecia o assunto por dentro. Segundo a biografia mantida pelo Instituto Rubem Alves, ele nasceu em 1933, em Dores da Boa Esperança (MG). Foi teólogo, filósofo, psicanalista e professor da Unicamp, onde recebeu o título de professor emérito em 1995. Deixou 158 obras publicadas e morreu em 19 de julho de 2014.

Qual a diferença entre ensinar a obedecer e ensinar a pensar?

Na metáfora do escritor, a escola que funciona como gaiola trata o aluno como um pássaro que precisa ser controlado. Ali, o voo vira ameaça, e o objetivo passa a ser a obediência. A escola que é asa não ensina a voar, porque o voo já nasce dentro de cada um. O papel dela é encorajar o estudante a sair do chão.

Na escola que é asa, a dúvida é ponto de partida e o erro faz parte do aprendizado
Na escola que é asa, a dúvida é ponto de partida e o erro faz parte do aprendizado – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Na sala de aula, essa diferença aparece em atitudes do dia a dia, e não só nos livros de pedagogia. Alguns contrastes ajudam a enxergar cada modelo:

  • Na gaiola, a resposta certa vem pronta e a pergunta do aluno é vista como atraso na aula.
  • Na asa, a dúvida é ponto de partida e o erro faz parte do aprendizado.
  • Na gaiola, decorar para a prova basta; na asa, o conteúdo se conecta com a vida de quem estuda.

É aí que entra o pensamento crítico, a capacidade de questionar, comparar e chegar às próprias conclusões. A obra do mineiro continua sendo estudada nas universidades. Um artigo publicado na revista Atos de Pesquisa em Educação, da FURB, analisa o livro e mostra como o autor ligava conhecimento e vida.

Quem gosta de frases que fazem pensar sobre a própria rotina tem outra boa reflexão no site. Desta vez, a provocação vem de um escritor irlandês.

Como a ideia das escolas que são asas segue viva em 2026?

A metáfora virou programa de incentivo a professores. O Instituto Rubem Alves criou o Prêmio Escolas que São Asas, com ciclo inaugural de 2026 a 2028, para reconhecer experiências educativas voltadas à formação humana. O lançamento aconteceu entre 14 e 18 de setembro de 2026, e a celebração dos vencedores está prevista para outubro de 2028.

O Prêmio Escolas que São Asas reconhece projetos de professores voltados à formação humana e à educação ligada à vida
O Prêmio Escolas que São Asas reconhece projetos de professores voltados à formação humana e à educação ligada à vida – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Segundo a página oficial do programa Escolas que São Asas, há duas categorias. A Educador Jequitibá é voltada a profissionais da educação básica, e a Escola que é Asa recebe projetos coletivos, até três por escola. Cada projeto precisa envolver ao menos três dos dez princípios pedagógicos do programa, como a educação ligada à vida. Professores da rede pública ou particular devem conferir prazos e regras no canal oficial do instituto.

A pedagogia de Rubem Alves também aparece em outra pesquisa acadêmica. Um estudo publicado na revista Filosofia e Educação, editada em Campinas, aproxima as ideias dele das de Platão e aponta o amor como fundamento do ensino.

O que pais e professores aprendem com a lição de Rubem Alves?

A lição é que uma boa escola forma gente capaz de voar sozinha, e não apenas de repetir. Isso não significa abrir mão de regras, limites ou conteúdo. A ideia é lembrar que o objetivo da educação é a autonomia, construída com pensamento crítico, e não a obediência cega.

Para pais e professores, a frase funciona como espelho. A criança pergunta, inventa e erra sem medo? Se a resposta for sim, há asas por perto. Que tal reler a crônica com calma e conversar sobre ela com quem você gosta, seja um filho, um aluno ou aquele professor que marcou a sua vida?

Se você quer continuar refletindo, o site tem mais um texto sobre crescimento pessoal. Ele mostra por que avançar devagar ainda vale a pena.