Eleições
Deputada eleita pelo PT, Ana Elisa vira alvo da PF após post sobre padroeira
Justiça Eleitoral acolhe pedido e aciona investigadores para apurar publicações da parlamentar sobre Nossa Senhora Aparecida nas redes sociais
A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) se tornou alvo de um inquérito da Polícia Federal por ordem da Justiça Eleitoral de Divinópolis (MG). A investigação avalia publicações nas redes sociais em que a parlamentar afirmava existir uma mobilização de adversários para retirar a condição de padroeira nacional de Nossa Senhora Aparecida.
A representação foi apresentada pela assessoria jurídica do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Os advogados sustentaram que a conduta configura crime eleitoral por divulgar “fatos inverídicos em relação a partidos ou a candidatos e capazes de exercer influência perante o eleitorado”.
Origem do inquérito e penalidades
As postagens contestadas foram veiculadas no final de setembro, dias antes do primeiro turno da votação. Em suas páginas, a petista escreveu que “os bolsonaristas estão tentando retirar o título de padroeira do Brasil da Nossa Senhora Aparecida” e reforçou: “para quem diz que é mentira, procure saber se informar”.
A declaração resgatava uma proposta legislativa que já estava arquivada há cerca de duas décadas no Congresso Nacional. Segundo o Código Eleitoral, a difusão comprovada desse tipo de conteúdo falso prevê penalidade de multa ou detenção de dois meses a um ano.
Decisão da Justiça Eleitoral
A Justiça atendeu ao parecer do Ministério Público de Minas Gerais ao enviar o caso para a Polícia Federal e ordenar que a rede social X preserve a memória digital das mensagens postadas entre 24 de setembro e 8 de outubro. O órgão ministerial ressaltou a necessidade de juntar provas, pontuando que a caracterização do crime exige intenção e prejuízo concretos.
O juiz Orlando Israel de Souza negou o pedido dos representantes do PL para proibir a deputada eleita de emitir novas opiniões sobre o pleito presidencial. A Promotoria considerou a medida excessiva e genérica, afirmando não caber veto a “manifestações futuras cujo conteúdo ainda é desconhecido”.
Segunda candidata mais votada de Minas Gerais com 524.219 votos, atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL), Ana Elisa alcançou o posto de parlamentar mais jovem eleita para a Câmara dos Deputados, aos 21 anos. O resultado fez com que os coordenadores da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva a chamassem para fortalecer a comunicação digital do partido.
Antes da determinação judicial, a parlamentar desativou sua conta no X após relatar ameaças violentas e de morte. O perfil enfrentava desgaste diante da repercussão de mensagens antigas divulgadas por opositores, redigidas quando ela tinha 17 anos.
A equipe da petista declarou que ela se retratou publicamente pelos textos da juventude e destacou que hoje ela é “católica praticante e defende a liberdade religiosa”. Em outro desdobramento, Ana Elisa afirmou que vai processar Nikolas Ferreira no Tribunal Superior Eleitoral por divulgar um post fictício sobre o fechamento de templos religiosos, conteúdo cuja criação ela nega categoricamente.