Morador enterrou garrafas PET furadas perto das plantas para regar menos e acabou criando um gotejamento que deixa a horta úmida por vários dias - Super Rádio Tupi
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Morador enterrou garrafas PET furadas perto das plantas para regar menos e acabou criando um gotejamento que deixa a horta úmida por vários dias

Técnica caseira leva água direto à raiz, lembra os potes de barro testados pela Embrapa no Semiárido e exige garrafa tampada contra o mosquito da dengue

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Garrafa PET furada e enterrada ao lado da planta libera água aos poucos direto na raiz e mantém a terra úmida por mais tempo
Garrafa PET furada e enterrada ao lado da planta libera água aos poucos direto na raiz e mantém a terra úmida por mais tempo - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A irrigação por gotejamento não precisa de bomba, timer nem mangueira cara para funcionar numa horta de quintal. Uma garrafa PET furada e enterrada ao lado da planta libera água aos poucos, direto na raiz, e ajuda a manter a umidade do solo por mais tempo. A ideia é barata e lembra técnicas que a pesquisa agrícola brasileira testa há décadas.

Como a garrafa PET enterrada vira um gotejador na horta?

A garrafa funciona como um pequeno reservatório que vaza devagar pelos furos e molha a terra em volta das raízes. Em vez de escorrer pela superfície e evaporar no sol, a água entra no solo onde a planta mais precisa dela.

É o mesmo princípio da irrigação por gotejamento usada nas lavouras: pouca água, aplicada aos poucos e no ponto certo. No quintal, o regador abastece a garrafa e a gravidade faz o resto. O tempo que a terra fica úmida depende do calor, do vento e do tipo de solo, já que a terra arenosa drena mais rápido que a argilosa.

O que a Embrapa já testou com irrigação por potes enterrados?

A Embrapa estudou uma técnica parecida ainda nos anos 1980, no Semiárido. O boletim Irrigação por potes de barro I: descrição do método e testes preliminares, de 1982, avaliou potes de argila enterrados junto às culturas em Petrolina (PE).

Segundo o estudo, os potes feitos por oleiros da região garantiram umidade suficiente para o crescimento das plantas, com uso muito eficiente da água. Num latossolo profundo, cada pote liberou em média cerca de 3,5 litros por dia. Com melancia, melão e feijão-caupi, o método se mostrou viável onde a água é escassa.

A Embrapa testou potes de barro enterrados em Petrolina e mostrou que o método usa a água com muita eficiência
A Embrapa testou potes de barro enterrados em Petrolina e mostrou que o método usa a água com muita eficiência – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Mais recentemente, o guia Sistema de irrigação alternativo de baixo custo com mangueira preta e garrafas PET, da Embrapa Pantanal, apresentou uma opção artesanal para produzir hortaliças em regiões onde a seca dura de quatro a nove meses por ano.

Como montar o gotejamento com garrafa PET no quintal?

A montagem desse gotejamento caseiro leva poucos minutos e usa material que iria para o lixo. O passo a passo abaixo resume o caminho mais comum, que deve ser ajustado conforme a resposta das plantas.

  1. Lave bem a garrafa e retire o rótulo e os restos de bebida.
  2. Faça poucos furos pequenos na parte que vai ficar enterrada.
  3. Cave um buraco ao lado da planta, a alguns centímetros do caule, para não ferir as raízes.
  4. Enterre a garrafa com o gargalo para fora, encha de água e feche com a tampa ou uma tela.
  5. Observe a terra nos dias seguintes e ajuste a quantidade de furos.

Se a terra encharcar, a vazão está alta; se secar rápido, faltam furos ou a garrafa é pequena. Envolver a parte enterrada num pedaço de pano ajuda a impedir que a terra entupa os furos.

Quem planta em vaso pode adaptar a técnica com a garrafa de cabeça para baixo, como mostra outra reportagem do site.

Quais cuidados evitam dengue e desperdício com a garrafa PET?

O cuidado principal é nunca deixar água parada exposta, porque uma garrafa aberta pode virar criadouro do Aedes aegypti. Na página sobre dengue do Ministério da Saúde, a remoção de recipientes domésticos que possam virar criadouros aparece entre as medidas de prevenção.

Gargalo tampado ou coberto com tela fina e conferência semanal evitam que a garrafa vire criadouro do Aedes aegypti
Gargalo tampado ou coberto com tela fina e conferência semanal evitam que a garrafa vire criadouro do Aedes aegypti – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Mantenha o gargalo sempre tampado ou coberto com tela fina e confira as garrafas toda semana. No calor do verão, isso pesa ainda mais nos quintais e lajes do Rio e da Baixada. O plástico exposto ao sol também resseca, então troque as garrafas quando ficarem quebradiças.

A garrafa não dispensa a atenção do dono da horta. Antes de completar o reservatório, cheque a umidade do solo com o dedo e evite encharcar a terra, que pode apodrecer as raízes.

Vale testar a irrigação com garrafa PET na sua horta?

Para hortas pequenas, a resposta tende a ser sim: o custo é quase zero e a rega fica menos frequente. A irrigação por gotejamento com garrafas rende mais em canteiros e vasos grandes, longe da torneira.

O pulo do gato está no ajuste, porque cada solo responde de um jeito. Separe algumas garrafas, teste em duas ou três plantas nesta semana e conte pra gente se a terra aí da sua casa ficou úmida por mais tempo.

E se o problema da sua horta for o sol forte, outra matéria mostra uma solução simples para proteger as mudas.