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Martin Luther King Jr. e a frase que mudou a história: “Eu tenho um sonho.” O que o discurso ainda ensina sobre igualdade
Diante de mais de 200 mil pessoas, o líder negro improvisou o refrão que virou símbolo da luta contra o racismo e abriu caminho para a lei de 1964
Em 28 de agosto de 1963, diante de mais de 200 mil pessoas reunidas em Washington, Martin Luther King Jr. repetiu uma frase que atravessou gerações: “Eu tenho um sonho”. O discurso, feito no Lincoln Memorial, virou símbolo da luta contra o racismo nos Estados Unidos. E ainda diz muito a quem, aqui no Rio, esbarra na desigualdade no dia a dia.
O que Martin Luther King Jr. disse na Marcha sobre Washington?
King cobrou dos Estados Unidos a promessa de liberdade e igualdade feita a todos os seus cidadãos. Segundo o Instituto de Pesquisa e Educação Martin Luther King Jr., da Universidade Stanford, ele disse que o país tinha dado calote numa “nota promissória” com seus cidadãos negros.
O palco era a Marcha sobre Washington por Empregos e Liberdade, liderada por A. Philip Randolph e organizada por Bayard Rustin, com apoio de sindicatos, igrejas e entidades negras. De acordo com o verbete da enciclopédia do King Institute sobre a marcha, mais de 200 mil manifestantes participaram, e a televisão levou as imagens ao vivo para o país inteiro.
Nem todo mundo aplaudiu. Malcolm X chamou o ato de “farsa em Washington”, embora tenha comparecido. O rascunho do discurso de John Lewis também foi criticado por chamar o projeto de lei do governo de “pouco e tarde demais”.

Como nasceu o refrão Eu tenho um sonho no discurso de 1963?
O refrão mais famoso não estava no texto preparado. O instituto de Stanford relata que King terminou de escrever o discurso às 3h30 da madrugada do dia da marcha. No palanque, ele deixou o papel de lado e improvisou a repetição de “Eu tenho um sonho”.
A ideia, porém, vinha sendo lapidada havia anos. King usava versões do tema do “sonho americano” desde o fim dos anos 1950. Cerca de dois meses antes da marcha, em Detroit, ele já tinha repetido a frase para aproximadamente 150 mil pessoas.
A luta contra o racismo também rende histórias marcantes no cinema, inclusive em produções brasileiras. A Super Rádio Tupi reuniu algumas delas numa seleção especial.
Dia da Consciência Negra: 5 filmes para lembrar a luta contra o racismo➔
Que conquistas o movimento pelos direitos civis obteve depois?
A maior conquista veio menos de um ano depois: uma lei federal contra a discriminação. O movimento pelos direitos civis saiu da Marcha sobre Washington com mais força política. Logo após o ato, seus líderes se reuniram com o presidente John Kennedy e com o vice, Lyndon B. Johnson.
Já presidente após o assassinato de Kennedy, Johnson assinou em 2 de julho de 1964 a Lei dos Direitos Civis de 1964 (Civil Rights Act). O texto proibiu a discriminação por raça, cor, religião ou origem nacional em hotéis, restaurantes e locais públicos. No emprego, a proibição também passou a incluir o sexo.

Quem quiser ver aquele dia com os próprios olhos pode recorrer ao acervo oficial. O Arquivo Nacional dos Estados Unidos preserva o documentário “The March”, de James Blue, que mostra os bastidores, como os 80 mil sanduíches preparados para os manifestantes.
O que o discurso ainda ensina sobre igualdade racial hoje?
O discurso ensina que igualdade racial não se resume a boas intenções: exige direitos garantidos em lei e mobilização organizada. King juntou fé, política e a pauta do trabalho numa mensagem simples, que qualquer pessoa entende de primeira.
Por aqui, a lição do movimento pelos direitos civis continua valendo no emprego, na escola e na rua, do Centro do Rio à Baixada. Sessenta anos depois, o sonho de Martin Luther King Jr. por igualdade racial segue como tarefa coletiva. Que tal ouvir o discurso completo com a família e conversar sobre o que ainda falta para ele virar realidade no nosso bairro?
Depois desse mergulho na história, outra boa pedida é conhecer obras que saíram das páginas dos livros para as telas. A Tupi preparou uma lista para quem gosta de cinema.