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Em 1926, Henry Ford reduziu a semana de trabalho de suas fábricas para 5 dias e 40 horas sem cortar salários, e a decisão mudou a indústria americana
Operários da montadora ganharam o sábado livre com o pagamento semanal mantido, ideia que antecipou o limite de 40 horas da lei americana
Em 1º de maio de 1926, a Ford Motor Company adotou a semana de cinco dias e 40 horas para os operários das suas fábricas nos Estados Unidos. A aposta de Henry Ford era ousada para a época: tirar o sábado da rotina sem mexer no pagamento da semana. A ideia ajudou a abrir caminho para o limite de 40 horas que virou lei no país e voltou ao centro do debate no Brasil.
Como funcionou a semana de cinco dias nas fábricas da Ford?
A mudança trocou seis dias de trabalho por cinco e manteve o turno de oito horas. Segundo a cronologia da Ford Motor Company do museu The Henry Ford, a regra começou no chão de fábrica. Os funcionários dos escritórios ganharam o mesmo direito em 1º de agosto de 1926.
Nem todo mundo entrou na nova escala de imediato. Henry Ford avisou que a regra ainda não valeria para a ferrovia da empresa nem para os vigias. A gigante da indústria automobilística já tinha feito outra mudança famosa em 1914, quando trocou o dia de nove horas por US$ 2,34 pelo de oito horas por US$ 5.
Por que Henry Ford pagou seis dias por cinco de trabalho?
Para o empresário, folga paga significava mais gente comprando. Em entrevista ao jornalista Samuel Crowther, publicada em 1926 na revista World’s Work, ele explicou o plano no texto Why I Favor Five Days’ Work With Six Days’ Pay. Os operários receberiam, conforme o mérito, o equivalente à semana cheia de seis dias.

O raciocínio era econômico, não só social. O fundador da montadora dizia que quem trabalha cinco dias consome mais do que quem trabalha seis. Ele também garantia que a fábrica produziria em cinco dias pelo menos o mesmo que em seis, porque a pressão traria métodos melhores.
A relação entre tempo livre, trabalho e consumo continua rendendo reflexão quase um século depois. Um ex-presidente sul-americano olhou para essa conta por outro ângulo.
Como a jornada de 40 horas virou lei nos Estados Unidos?
A jornada de trabalho de 40 horas só virou regra federal mais de uma década depois da decisão da Ford. O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos lembra que a lei assinada em 25 de junho de 1938 começou com teto de 44 horas semanais. Ela cobria cerca de um quinto dos trabalhadores do país.

Hoje, o Fair Labor Standards Act, seção 207 do Código dos Estados Unidos, obriga o pagamento de hora extra acima de 40 horas semanais. O adicional é de pelo menos uma vez e meia o valor da hora normal.
A linha do tempo abaixo reúne as datas oficiais dessa história. Ela mostra o caminho entre a decisão de uma fábrica e a legislação nacional.
| Data | O que mudou |
|---|---|
| 12 de janeiro de 1914 | Ford adota dia de oito horas por US$ 5 para operários homens |
| 1º de maio de 1926 | Semana de cinco dias e 40 horas nas fábricas |
| 1º de agosto de 1926 | Regra estendida aos escritórios da empresa |
| 25 de junho de 1938 | Lei federal assinada com teto inicial de 44 horas |
As datas vêm da cronologia do museu The Henry Ford e do Departamento do Trabalho americano. O salto entre 1926 e 1938 mostra que a semana curta nasceu como escolha de empresa antes de virar direito.
O que a decisão de 1926 diz ao trabalhador brasileiro de hoje?
A experiência mostra que menos horas não precisam significar salário menor, e esse debate chegou com força ao Brasil. Segundo a Agência Senado, o Congresso promulgou nesta sexta-feira (16) o fim da escala 6×1, com cinco dias de trabalho e dois de descanso, sem redução salarial.
Pela regra aprovada, o limite cai para 42 horas semanais 60 dias após a publicação e chega a 40 horas 14 meses depois. Servidores públicos ficam de fora. Para quem encara trem e ônibus lotados no Rio e na Baixada, o fim de semana de dois dias muda a rotina. Fique de olho nos avisos do seu empregador e do seu sindicato, e conte para a gente como a nova jornada de trabalho vai mexer com a sua semana.
Para fechar com outra história curiosa, a Tupi também contou uma experiência científica que envolveu milhões de estudantes.