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A Capital do Calçado Feminino produz até 120 mil pares por dia e acendeu a 4ª luz elétrica em 1901, quando poucas cidades do país tinham energia

De pioneira na iluminação elétrica a potência dos calçados.

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A Capital do Calçado Feminino produz até 120 mil pares por dia e acendeu a luz elétrica em 1901, quando poucas cidades do país tinham energia

Toda cidade industrial carrega a marca de um ciclo econômico anterior. Em Jaú, no centro do estado de São Paulo, o dinheiro do café pagou a luz elétrica que chegou em 1901, e as fábricas de sapato que vieram depois transformaram o município na Capital do Calçado Feminino, título oficial desde 2021.

Por que Jaú acendeu a luz elétrica tão cedo?

Porque o café deixou a cidade rica antes da maioria. Instalada sobre a terra roxa, um solo de origem vulcânica muito fértil, Jaú se tornou um dos grandes centros cafeeiros paulistas no fim do século XIX, com a produção escoada pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro até o Porto de Santos. Foi nesse ambiente de prosperidade que surgiu a Companhia de Força e Luz do Jahú, inaugurada em 1901.

Na época, a eletricidade era privilégio de poucas cidades. A cronologia do Ministério de Minas e Energia (MME) mostra que as primeiras usinas e redes de iluminação surgiram de forma isolada nas duas últimas décadas do século XIX, e um estudo publicado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) sobre o período de 1901 a 1927 registra como a energia acompanhou a riqueza do café pelo interior paulista.

A Capital do Calçado Feminino produz 120 mil pares por dia, foi a 4ª cidade do Brasil a ter luz elétrica e abriga o maior centro de transplante de medula da América Latina
Você precisa caminhar pelo centro histórico de Jaú num fim de tarde. / Créditos: Wikipédia

Como Jaú virou a Capital do Calçado Feminino?

A história começou por volta de 1900, com um imigrante italiano que abriu uma sapataria na cidade, e ganhou status oficial com a Lei Estadual nº 17.476, de 16 de dezembro de 2021, que declarou Jaú a Capital do Calçado Feminino no estado. Segundo a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), a estimativa é de 112 mil a 120 mil pares produzidos por dia.

O setor é formado sobretudo por micro e pequenas empresas, e enfrenta oscilações. Estudo publicado na plataforma Redalyc mostra que, em 2015, Jaú respondia por 10,6% da produção de calçados do estado e registra queda na produção formal entre 2015 e 2019, período em que muitos funcionários de fábricas fechadas abriram pequenos negócios próprios.

Como é a qualidade de vida em Jaú?

A saúde é o grande diferencial da cidade. O Hospital Amaral Carvalho nasceu em 1915, quando o casal Domingos Pereira de Carvalho e Anna Marcelina de Carvalho doou terreno e recursos para uma maternidade, segundo registro da ALESP. O hospital fez em 2004 o primeiro transplante de medula óssea com sangue de cordão umbilical do Brasil e foi premiado como o centro que mais realizou esse tipo de transplante no país em 2014.

A estrutura atende muito além de Jaú. Em 2015, o hospital recebeu 75 mil pacientes com câncer de todo o país, e 95% dos tratamentos foram cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conforme a Rádio Senado. Para quem mora na cidade, ter um centro oncológico dessa escala a poucos minutos de casa é uma vantagem rara no interior.

Jaú oferece bairros residenciais arborizados, trânsito fluido e transporte público que cobre todos os bairros.
Jaú se tornou o quarto município do Brasil a receber luz elétrica. / Créditos: Wikipédia

O que fazer em Jaú?

O roteiro combina compras, arquitetura do café e a memória de um pioneiro da aviação. Estes pontos resumem a visita.

1
Território do Calçado Apontado pela ALESP como o maior aglomerado de lojas de calçado feminino da América Latina, com preços de fábrica.
2
Centro histórico Casarões ecléticos erguidos com o dinheiro do café concentram a memória da fase mais rica da cidade.
3
Igreja Matriz de Nossa Senhora do Patrocínio Templo neogótico no coração do centro, ponto de partida para caminhar entre os casarões.
4
Memória de João Ribeiro de Barros O aviador jauense comandou o hidroavião Jahú, que cruzou o Atlântico Sul em 1927.

Qual a melhor época para visitar Jaú?

O verão concentra as chuvas, com janeiro somando 252 mm. No inverno, julho é o mês mais seco, com apenas 28 mm, e as mínimas ficam perto de 14°C, clima confortável para caminhar pelo centro e fazer compras.

☀️ Verão Dez-Fev
Média: 20-29°C
Chuva: Muito alta
Compras no Território do Calçado nas tardes chuvosas.
🍂 Outono Mar-Mai
Média: 15-28°C
Chuva: Média
Caminhada pelo centro histórico.
❄️ Inverno Jun-Ago
Média: 14-27°C
Chuva: Baixa
Temporada seca, ideal para roteiro a pé.
🌸 Primavera Set-Nov
Média: 17-29°C
Chuva: Média
Visita à Igreja Matriz e ao entorno.
💡 Dica do especialista: de maio a setembro o tempo seco favorece as caminhadas pelo centro. No verão, programe as compras no Território do Calçado para as tardes de chuva e deixe as manhãs para o centro.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Jaú?

A cidade fica a cerca de 300 km da capital paulista. O caminho mais comum segue pela Rodovia Marechal Rondon (SP-300) e depois pela SP-225, atravessando a região central do estado em cerca de três horas e meia de carro.

Quem viaja para compras pode concentrar o roteiro em um único dia, mas dois dias permitem combinar o Território do Calçado com o centro histórico sem pressa.

Leia também: A cidade que pagava operários em tecido, é hoje a 5ª mais desenvolvida do Brasil pelo índice da Firjan.

A cidade que trocou o café pelo couro

Jaú mostra como a riqueza de um ciclo pode preparar o terreno para o próximo. O café pagou a luz, os casarões e as ferrovias, e o sapato garantiu que a cidade seguisse produzindo quando os cafezais perderam força.

Você precisa conhecer Jaú e caminhar pelo centro histórico para ver de perto a cidade que acendeu a luz cedo e nunca deixou de trabalhar.