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Em 1963, um morador da região da Capadócia, na Turquia, derrubou uma parede do porão durante uma reforma e encontrou a entrada de uma cidade subterrânea com 18 andares e capacidade para cerca de 20 mil pessoas
Complexo escavado na rocha tem oito andares registrados, poços, portas de pedra e abrigou cerca de 20 mil pessoas, segundo a prefeitura local
Debaixo de uma pequena cidade do interior da Turquia existe outra, inteira, escavada na rocha. Derinkuyu, na província de Nevşehir, na região da Capadócia, guarda túneis, salões, poços e capelas que, segundo a prefeitura local, abrigaram cerca de 20 mil pessoas. Aberto à visitação em 1965, o complexo virou um dos exemplos mais conhecidos de arquitetura subterrânea do planeta e ainda desperta curiosidade sobre quem viveu ali embaixo.
Como é por dentro a cidade subterrânea de Derinkuyu?
A cidade subterrânea de Derinkuyu funciona como um bairro empilhado para baixo, andar por andar. A Prefeitura de Derinkuyu descreve oito andares e uma área total estimada em 4,5 quilômetros quadrados. O oitavo nível, aberto ao público, fica a 55 metros da superfície.
Na ficha oficial do museu no portal Turkish Museums, a profundidade total chega a cerca de 85 metros. O complexo fica a 30 quilômetros da cidade de Nevşehir, na estrada que liga a região a Niğde, e recebe turistas o ano inteiro.

Os espaços descritos pelas fontes oficiais mostram como a rotina seguia longe da luz do sol. Havia lugar para comida, trabalho, animais e fé:
- Estábulos perto da entrada, para proteger os animais junto com as famílias.
- Depósitos de alimentos e salas usadas na produção de vinho.
- Uma cozinha comunitária no segundo andar.
- Espaços religiosos, com piscina de batismo, local de confissão e uma escola missionária de teto abobadado.
Muitas perguntas sobre esse lugar seguem sem resposta. Os enigmas que ainda intrigam os pesquisadores estão nesta outra reportagem da Super Rádio Tupi:
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Por que a arquitetura subterrânea da Capadócia era tão segura?
Rocha, portas de pedra e controle do ar e da água garantiam a segurança dos moradores. Segundo a prefeitura, cada passagem podia ser fechada por dentro com portas móveis de pedra. Elas tinham o formato de uma mó de moinho e barravam a entrada de inimigos.
A ventilação natural é outro trunfo da arquitetura subterrânea de Derinkuyu, apontada pela prefeitura como excelente. Alguns dutos também serviam de poço. De acordo com a ficha do museu, parte desses poços não tinha saída para a superfície, o que impedia invasores de envenenar a água.
Para o ouvinte carioca, dá para comparar com um prédio de oito andares enterrado, sem elevador e sem janela. Mesmo assim, o abrigo garantia comida, água e ar para milhares de pessoas nos períodos de perigo.
Quem construiu Derinkuyu e para fugir de quais ameaças?
A origem de Derinkuyu ainda divide estudiosos, e as fontes oficiais turcas registram mais de uma fase de ocupação. A prefeitura liga o começo ao período hitita e diz que a cidade foi ampliada na era cristã, servindo de refúgio contra ataques árabes.

Segundo o Portal da Cultura do Ministério da Cultura e Turismo da Turquia, cristãos fugidos do Império Romano chegaram à região no século 2. Eles passaram por Antioquia e Kayseri antes de se fixar ali. O ministério atribui a esses primeiros cristãos a criação das cidades subterrâneas, onde viviam escondidos.
A UNESCO inclui a paisagem da Capadócia, moldada pela erosão, na lista do Patrimônio Mundial, com igrejas na rocha, vilas trogloditas e cidades subterrâneas. O vídeo oficial da organização apresenta esses vales, as igrejas escavadas e as moradias abertas na pedra.
O que o visitante encontra hoje nos túneis de Derinkuyu?
Hoje, quem visita Derinkuyu percorre só uma pequena parte do complexo. O portal do ministério informa que cerca de 10% da cidade subterrânea pode ser visitada, uma fração que basta para entender a dimensão da obra. Os horários mudam entre verão e inverno, então confira a ficha oficial do museu antes de viajar.
A Capadócia reúne outras cidades escondidas sob o solo, como Kaymaklı, a cerca de 9 quilômetros dali, segundo a prefeitura. E você, teria coragem de descer oito andares rocha abaixo? Se a viagem à Turquia um dia sair do papel, coloque Derinkuyu no roteiro e depois conte pra gente como foi.
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