Automobilismo
O carro que quase foi parar no fundo do Atlântico com o Titanic: modelo de 1910 escapou do naufrágio por uma mudança de planos feita pouco antes do embarque e permaneceu com a mesma família por quatro gerações
Silver Ghost de 1910 escapa do destino do Titanic e chega a 2026 ainda sob os cuidados dos descendentes dos primeiros proprietários
Um Rolls-Royce Silver Ghost de 1910 atravessou mais de um século como patrimônio de uma família argentina e guarda uma história ligada ao Titanic. Segundo o relato preservado pelos descendentes, o automóvel deveria acompanhar seus proprietários na viagem inaugural do transatlântico. A desistência do embarque manteve o carro longe do naufrágio e permitiu que ele chegasse às gerações seguintes como uma peça de coleção.
Por que a família Pereyra Iraola encomendou esse automóvel?
A trajetória do veículo começou com uma viagem pela Europa organizada por Laura Pereyra Iraola. A intenção era proporcionar aos sobrinhos contato com outras culturas e experiências fora da Argentina. Para transportar os familiares durante o percurso, ela escolheu um automóvel de luxo preparado para acomodar o grupo nas estradas europeias.
O conjunto mecânico e o chassi foram produzidos na Inglaterra, enquanto a carroceria ficou a cargo de uma empresa francesa. Essa divisão entre fabricante e encarroçador permitia adaptar o habitáculo às necessidades do comprador. No exemplar dos Pereyra Iraola, a configuração de limusine privilegiava o espaço dos passageiros, com uma disposição diferente daquela dos carros atuais.

Como o Rolls-Royce Silver Ghost entrou nos planos do Titanic?
Depois da temporada europeia, os viajantes pretendiam seguir da Inglaterra para os Estados Unidos e, posteriormente, retornar à Argentina. O carro também faria a travessia marítima. Na história transmitida pela família, o planejamento incluía passagens para os ocupantes e transporte do veículo no navio. A sequência ajuda a entender a ligação entre o clássico e o naufrágio:
- O automóvel foi adquirido para acompanhar uma extensa viagem familiar pela Europa;
- Os deslocamentos aconteceram entre 1910 e 1912, antes da travessia pretendida;
- O itinerário seguinte previa embarque em Southampton, com destino a Nova York;
- O Titanic seria utilizado em sua viagem inaugural;
- A desistência ocorreu antes de passageiros e carro seguirem nesse percurso.
Qual mudança de planos impediu o embarque?
O motivo estava relacionado à gravidez avançada de María Teresa, uma das integrantes do grupo. A perspectiva de enfrentar uma longa travessia nessas condições levou à decisão de cancelar a viagem. Os relatos sobre o episódio mencionam preocupação com sua saúde e orientação médica contrária ao embarque. O grupo permaneceu em terra, acompanhado pelo veículo.
Assim, o carro não foi retirado dos destroços nem resgatado do oceano. Sua ligação com a tragédia vem de uma viagem planejada e abandonada antes da partida. Essa diferença preserva o sentido da história: uma decisão familiar anterior ao desastre mudou o destino do automóvel, que continuou disponível para uso e conservação nas décadas seguintes.

O que explica sua permanência por quatro gerações?
Após chegar à Argentina, o Rolls-Royce Silver Ghost permaneceu sob os cuidados dos Pereyra Iraola. O vínculo afetivo ajuda a explicar por que o exemplar não acompanhou o caminho comum de muitos carros antigos, vendidos e dispersos entre diferentes coleções. Sua trajetória reúne elementos importantes para compreender a procedência de um veículo histórico:
- Permanência na mesma família ao longo de quatro gerações;
- Conservação de registros relacionados à compra do automóvel;
- Fotografias antigas que documentam sua utilização durante a viagem;
- Participação posterior em passeios e encontros de veículos antigos;
- Recusa de propostas de compra em razão do significado familiar.
Um clássico reconhecido na Autoclásica de 2026
O exemplar ganhou nova projeção ao ser apresentado na Autoclásica de 2026, realizada no Hipódromo de San Isidro, na Argentina. Na exposição, recebeu o prêmio Best of Show entre os automóveis. O reconhecimento acrescentou um capítulo recente à trajetória de um carro fabricado em 1910, preservado por descendentes dos primeiros proprietários e associado a uma viagem que nunca aconteceu.
Para o colecionismo, o interesse desse Silver Ghost reúne o veículo e os registros que o acompanham. Fotografias, documentos de aquisição e lembranças familiares ajudam a reconstruir sua circulação entre a Europa e a Argentina. A conexão com o Titanic chama atenção, mas a continuidade de sua história também dependeu de décadas de guarda, manutenção e preservação do patrimônio automotivo.