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Em 2015, astronautas da Estação Espacial Internacional comeram pela primeira vez uma alface plantada e colhida no espaço, um passo para alimentar futuras missões a Marte
Kelly, Lindgren e Yui provaram a alface romana roxa do sistema Veggie, e a NASA congelou metade da colheita para análise na Terra
Em 10 de agosto de 2015, três astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional fizeram uma refeição que entrou para a história: provaram folhas de alface romana roxa plantadas e colhidas ali mesmo, em órbita. Para a NASA, foi a primeira vez que um vegetal cultivado na estação entrou oficialmente no cardápio da tripulação. O episódio virou marco da agricultura espacial, que estuda como produzir comida fresca longe da Terra, de olho nas futuras missões a Marte.
Como a alface chegou à Estação Espacial Internacional?
A alface chegou à Estação Espacial Internacional em forma de semente, dentro do Veggie, um sistema de cultivo de plantas enviado ao laboratório orbital no primeiro semestre de 2014. O primeiro lote, da variedade conhecida como “Outredgeous”, cresceu, foi colhido, congelado e devolvido à Terra em outubro daquele ano, sem que ninguém provasse.
Foi a segunda safra que parou no prato. Segundo o blog da Estação Espacial da NASA, a degustação aconteceu às 12h46 no horário da costa leste dos Estados Unidos, 13h46 em Brasília. O astronauta Kjell Lindgren colheu metade da plantação e limpou as folhas antes de dividi-las com Scott Kelly e o japonês Kimiya Yui.
O momento foi registrado em vídeo pela própria agência americana. As imagens, publicadas no canal oficial do Centro Espacial Kennedy, mostram os três astronautas provando a alface recém-colhida.
Por que a primeira salada no espaço importa para Marte?
A salada importa porque uma missão a Marte não terá o reabastecimento frequente que hoje chega à Estação Espacial Internacional. A NASA explica que aperfeiçoa o Veggie para oferecer aos futuros exploradores um complemento alimentar sustentável. Para a agência, essa é uma etapa crítica da jornada rumo ao planeta vermelho.

Nem toda a colheita foi comida. Metade das folhas ficou congelada a bordo para voltar à Terra e passar por análise científica, um cuidado que permite aos pesquisadores comparar a verdura de órbita com a cultivada em solo.
Quem ficou com vontade de ter a própria alface fresquinha não precisa ir tão longe. Dá para começar em casa, mesmo sem quintal.
Como ter alface o ano inteiro cultivando na garrafa PET de forma simples em casa➔
Como a NASA garantiu que a alface espacial era segura?
A garantia veio de testes feitos na Terra com o primeiro lote, aquele que voltou congelado em 2014. O relatório técnico Resultados do teste de validação do Veggie na estação e consumo dos vegetais, de pesquisadores da NASA, comparou essas folhas com plantas cultivadas em solo.
Nenhum micro-organismo causador de doença foi detectado, e a carga de micróbios ficou abaixo das orientações para alimentos que não passam por tratamento térmico. Os antioxidantes apareceram até um pouco mais altos na alface de órbita, e os nutrientes principais ficaram parecidos.

Com base nesses resultados, os autores propuseram um roteiro para a tripulação comer com segurança. Os cuidados recomendados foram estes:
- triagem das plantas em terra antes do voo;
- limpeza das folhas com lenços higienizantes antes do consumo;
- limpeza e monitoramento frequentes do equipamento de cultivo;
- envio de parte do material de volta à Terra para análise.
O que a colheita de 2015 deixa para quem vive na Terra?
A colheita de 2015 provou que é possível plantar, colher e comer verdura fresca em órbita com segurança. Mesmo assim, a NASA lembra, na sua página histórica sobre a comida na Estação Espacial Internacional, que cultivar alimento a bordo ainda é algo limitado e experimental. A agricultura espacial segue como um campo em construção.
Para o ouvinte do Rio, a curiosidade tem um lado bem pé no chão. A mesma alface que cresce numa janela em Copacabana ou num quintal da Baixada já ajudou a abrir caminho rumo a Marte. Que tal olhar para a sua horta com outros olhos e plantar um pé esta semana?
E se o assunto é natureza que surpreende, o litoral fluminense também tem a sua ciência. Uma praia da Região dos Lagos guarda um fenômeno que alimenta a vida marinha.