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Especialistas em psicologia explicam: “Quem fala mexendo muito as mãos pode não estar apenas sendo expressivo, mas usando os gestos para organizar pensamentos, reforçar ideias e tornar a comunicação mais clara”

A psicologia explica por que alguns gestos ajudam a memória e tornam certas explicações mais fáceis de acompanhar

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Especialistas em psicologia explicam: “Quem fala mexendo muito as mãos pode não estar apenas sendo expressivo, mas usando os gestos para organizar pensamentos, reforçar ideias e tornar a comunicação mais clara”
Gestos com as mãos podem ajudar a organizar pensamentos durante algumas explicações (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Os gestos com as mãos podem participar da construção de uma explicação, além de acompanhar a fala. Pesquisas em psicologia cognitiva mostram relações entre esses movimentos, a memória e a organização do pensamento. Ao desenhar um caminho no ar ou marcar etapas com os dedos, uma pessoa pode estar encontrando uma maneira de expressar aquilo que ainda está formulando em palavras.

Como os gestos com as mãos podem ajudar a organizar o pensamento?

Uma linha de pesquisa conduzida pela psicóloga Susan Goldin-Meadow, da Universidade de Chicago, investiga como gesticular participa do raciocínio. Em um estudo publicado em 2001, crianças e adultos precisavam lembrar uma sequência de itens enquanto explicavam a resolução de problemas matemáticos. Os participantes recordaram mais itens quando gesticulavam durante a explicação.

O resultado sugere que gesticular pode aliviar a carga mental em determinadas tarefas. A memória de trabalho mantém informações disponíveis enquanto pensamos e falamos. Representar uma relação espacial com as mãos pode ajudar a sustentar a explicação. Isso não significa que movimentar mais os braços produza automaticamente um raciocínio melhor em qualquer conversa.

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Gestos com as mãos podem ajudar a organizar pensamentos durante algumas explicações (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Quais movimentos ajudam a reforçar uma explicação?

Os gestos com as mãos podem representar tamanho, direção, sequência ou contraste. Imagine alguém explicando a disposição dos móveis de uma sala: mostrar duas posições no espaço pode complementar palavras como “aqui” e “ao lado”. Em situações cotidianas, diferentes movimentos podem acompanhar o conteúdo da fala:

  • Afastar as mãos para representar a largura de uma mesa;
  • Traçar uma curva no ar para indicar o percurso de uma rua;
  • Usar os dedos para acompanhar três etapas de uma tarefa;
  • Posicionar uma mão de cada lado para comparar duas alternativas.

Mexer muito as mãos significa ansiedade ou uma personalidade expansiva?

A quantidade de movimentos, observada isoladamente, não permite concluir que alguém esteja ansioso, mentindo ou demonstrando determinada personalidade. Uma explicação espacial pode exigir movimentos diferentes de uma resposta curta. Também é necessário distinguir gestos relacionados à mensagem de outros movimentos, como ajustar uma manga. Eles não precisam cumprir a mesma função durante a conversa.

Outra pesquisa ajuda a entender por que gesticular não serve apenas para impressionar o interlocutor. Crianças e adolescentes cegos desde o nascimento também produziram gestos ao falar. Parte dos participantes fez isso mesmo diante de uma pessoa igualmente cega. Essa observação sustenta a ideia de que os movimentos podem integrar a própria produção da fala, mesmo sem uma plateia capaz de enxergá-los.

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Gestos com as mãos podem ajudar a organizar pensamentos durante algumas explicações (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Como usar a linguagem corporal para facilitar uma conversa?

Uma aplicação cotidiana dessas pesquisas é observar se o movimento ajuda a acompanhar a mensagem. Em uma reunião, mostrar a sequência de um processo pode oferecer uma referência visual. Para quem escuta, porém, a informação precisa continuar compreensível pelas palavras, inclusive quando não há acesso à imagem. Algumas formas de ajustar a explicação são:

  • Nomear as etapas, além de contá-las nos dedos, para que todos acompanhem a sequência;
  • Explicar verbalmente a direção indicada pela mão, sobretudo em chamadas sem vídeo;
  • Usar exemplos concretos quando um movimento não esclarecer uma ideia abstrata;
  • Perguntar qual parte ficou confusa antes de repetir a mesma explicação com mais movimentos.

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Clareza na fala depende da relação entre palavras e movimentos

Estudos também distinguem gestos com significado de movimentos sem relação com a tarefa. Em experimentos com explicações matemáticas, movimentar as mãos de qualquer maneira não trouxe o mesmo benefício para a memória. O ponto central é a relação entre gesto e conteúdo: representar uma operação ou uma posição oferece algo diferente de apenas manter os braços em movimento.

Por isso, falar mexendo as mãos pode ser entendido como parte da elaboração de uma mensagem, sem transformar esse hábito em um rótulo sobre a pessoa. Na conversa, vale observar o conjunto: as palavras escolhidas, a sequência das ideias e as referências visuais. Quando esses elementos se complementam, o interlocutor tem mais pistas para compreender o que está sendo explicado.