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Paraquedista saltou a 3 mil metros com um paraquedas desenhado por Leonardo da Vinci em 1485 e provou, 515 anos depois, que a invenção realmente funcionava
Paraquedista salta a 3 mil metros com projeto de Leonardo da Vinci e coloca uma ideia de 515 anos à prova
Um paraquedas de Leonardo da Vinci saiu dos desenhos renascentistas e ganhou os céus da África do Sul em 2000. O britânico Adrian Nicholas participou de um teste com uma réplica piramidal, suspensa inicialmente por um balão a cerca de 3 mil metros de altura. A descida mostrou que a estrutura conseguia reduzir a velocidade da queda, concretizando uma ideia desenhada aproximadamente cinco séculos antes.
Como era o paraquedas de Leonardo da Vinci?
O projeto apresentava uma cobertura em formato de pirâmide, sustentada por uma armação rígida. A pessoa ficaria pendurada abaixo dela, ligada à estrutura por cordas. O desenho é frequentemente datado de aproximadamente 1485, origem da comparação com os 515 anos transcorridos até o teste. A proposta explorava a resistência oferecida pelo ar para permitir uma descida controlada.
A réplica utilizada por Nicholas reunia madeira, tecido e cordas, com peso próximo de 85 quilos. Esse conjunto volumoso tinha uma configuração bastante diferente dos equipamentos flexíveis usados no paraquedismo moderno. A cobertura era mantida aberta pela armação, de modo que o teste dependia também de uma solução para transportar toda a estrutura até a altitude escolhida.

Como Adrian Nicholas realizou o salto na África do Sul?
A experiência ocorreu em 26 de junho de 2000, sobre a província de Mpumalanga. O balão levou o conjunto até cerca de 3 mil metros, permitindo iniciar a descida com a cobertura preparada. Nicholas permaneceu suspenso sob a pirâmide enquanto outros paraquedistas acompanhavam o teste. Os principais elementos da operação foram:
- Uma réplica baseada no desenho renascentista, com estrutura rígida e cobertura de tecido;
- Um balão de ar quente para elevar o equipamento e o paraquedista;
- Uma descida acompanhada por outros profissionais;
- Um paraquedas moderno levado por Nicholas para concluir o pouso;
- A separação da estrutura histórica antes de alcançar o solo.
Por que a cobertura piramidal conseguiu frear a queda?
Durante uma descida, o peso atua para baixo, enquanto a resistência aerodinâmica se opõe ao movimento. Uma cobertura ampla aumenta essa resistência em comparação com a queda de uma pessoa sem paraquedas. A velocidade resultante depende de fatores como peso, área, formato e densidade do ar. Portanto, não basta colocar qualquer pedaço de tecido acima de alguém.
No teste, a combinação entre cobertura e armação permitiu que Nicholas descesse suspenso sob a estrutura. Seu relato descreveu uma experiência suave, mas isso não estabelece superioridade geral sobre equipamentos atuais. A demonstração mostrou que aquela reconstrução conseguia funcionar nas condições da operação, oferecendo uma evidência prática sobre a viabilidade da ideia registrada no desenho.
Confira o momento no vídeo divulgado no canal Luuk Hoevenaars:
Por que ele trocou de paraquedas antes de pousar?
Nicholas não completou a aterrissagem pendurado na réplica. A aproximadamente 600 metros do chão, soltou-se da estrutura e acionou um equipamento moderno. O peso do conjunto histórico preocupava a equipe, especialmente pelo risco de atingi-lo durante a chegada ao solo. Essa decisão permite distinguir diferentes aspectos do resultado:
Resultados do experimento e limites para interpretar a segurança do projeto
- 1A réplica sustentou o paraquedista durante parte importante da descida;
- 2O comportamento observado no ar demonstrou o funcionamento do conceito;
- 3A aterrissagem de Nicholas foi realizada com outro equipamento;
- 4O sucesso da descida não equivale a certificar toda a operação como segura;
- 5O experimento não transforma o desenho histórico em alternativa aos paraquedas modernos.
O teste aproximou um desenho renascentista de uma experiência real
A força dessa história está na passagem do papel para uma construção capaz de ser observada em funcionamento. Em vez de permanecer apenas como uma proposta visual, o projeto foi reconstruído e submetido a uma descida com um paraquedista experiente. O resultado permitiu examinar o comportamento da cobertura, enquanto a preparação e o equipamento adicional ajudavam a administrar os riscos.
O paraquedas de Leonardo da Vinci demonstrou, assim, uma possibilidade técnica imaginada no Renascimento. O voo de 2000 confirmou que a configuração podia reduzir a queda de uma pessoa nas condições testadas. Ao mesmo tempo, a troca antes do pouso preserva uma distinção essencial para compreender o feito: funcionar durante a descida e oferecer uma aterrissagem segura são etapas diferentes de um sistema de paraquedas.