Especialistas em psicologia explicam: quem arruma uma desculpa para não ir à confraternização de fim de ano da empresa pode não estar sendo antissocial, mas preservando a energia depois de um ano inteiro de convivência obrigatória - Super Rádio Tupi
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Especialistas em psicologia explicam: quem arruma uma desculpa para não ir à confraternização de fim de ano da empresa pode não estar sendo antissocial, mas preservando a energia depois de um ano inteiro de convivência obrigatória

Estudo da Universidade de Helsinque liga a sociabilidade ao cansaço horas depois, e a OMS explica quando a exaustão do trabalho vira burnout

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Recusar a confraternização pode ser uma forma de preservar a energia após um ano de convivência obrigatória
Recusar a confraternização pode ser uma forma de preservar a energia após um ano de convivência obrigatória - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A confraternização de fim de ano da firma está chegando, e tem gente que já ensaia a desculpa para não ir. Antes de julgar o colega, olhe para o que a psicologia diz: recusar o convite pode ter menos a ver com antipatia e mais com cansaço acumulado. São doze meses de reuniões, metas e convivência que ninguém escolheu. Do Centro do Rio à Baixada, muita gente ainda encara a festa depois do expediente e a condução de volta para casa.

Faltar à confraternização da firma é sinal de antissocial?

Nem sempre. No dia a dia, a palavra antissocial virou rótulo para quem fica na sua. Só que evitar uma festa pontual costuma ser apenas uma escolha sobre onde gastar a energia social, aquele fôlego usado para conversar, sorrir e se adaptar ao ambiente.

A festa da empresa não é um encontro qualquer. Ali, o funcionário continua diante do chefe e dos colegas, controlando o que fala e a imagem que passa. Para quem passou o ano inteiro nesse modo, a confraternização pode parecer mais um turno de trabalho, só que com música alta.

O que a ciência diz sobre o cansaço depois de socializar?

A ciência indica que socializar cansa, inclusive quem gosta de gente. Um estudo da pesquisadora Sointu Leikas, da Universidade de Helsinque, publicado em 2020 no periódico Heliyon, acompanhou 74 universitários durante quatro dias.

O esforço de socializar pode trazer cansaço horas depois, inclusive para quem gosta de conversar
O esforço de socializar pode trazer cansaço horas depois, inclusive para quem gosta de conversar – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Os participantes respondiam a questionários quatro vezes por dia, somando 1.046 registros. Agir de forma sociável e expansiva esteve ligado a mais cansaço duas a três horas depois, e o efeito não ficou restrito aos tímidos. A autora sugere que o esforço de cuidar da própria imagem ajuda a explicar o desgaste.

Curiosamente, a sociabilidade não piorou o humor nem o estresse depois. O efeito observado foi de cansaço mesmo, algo que pesa quando a confraternização de fim de ano cai no meio da semana, depois de um dia cheio.

Esse desgaste também aparece fora do escritório, quando a casa vira ponto de encontro. O tema rendeu outra explicação da psicologia aqui no site.

Quando o esgotamento mental do ano pede atenção de verdade?

O alerta acende quando o cansaço deixa de ser pontual e passa a dominar a rotina. A Organização Mundial da Saúde classifica o burnout, na CID-11, como fenômeno ocupacional causado por estresse crônico no trabalho que não foi bem administrado.

Segundo a OMS, o quadro tem três dimensões bem definidas. Elas ajudam a separar a falta de vontade de ir à festa de um esgotamento mental que merece cuidado.

As três marcas do burnoutOMS
  • Energia em baixa: sensação de esgotamento ou exaustão.
  • Distância do trabalho: afastamento mental, negativismo ou cinismo em relação ao emprego.
  • Eficácia reduzida: queda no desempenho profissional.

Fonte: Organização Mundial da Saúde, CID-11

No Brasil, o Ministério da Saúde chama o quadro de Síndrome do Esgotamento Profissional. Entre os sintomas, o órgão lista dor de cabeça frequente, dificuldade de concentração, alterações no sono e isolamento.

Psicólogos e psiquiatras são os profissionais indicados para o diagnóstico, e o SUS oferece atendimento gratuito nos Centros de Atenção Psicossocial, os CAPS. Faltar a uma festa não prova nada, mas o esgotamento mental que se arrasta por semanas pede conversa com um especialista.

Respeitar quem prefere descansar ou sair cedo ajuda a tornar a confraternização um convite sem cobrança
Respeitar quem prefere descansar ou sair cedo ajuda a tornar a confraternização um convite sem cobrança – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Como a cultura organizacional pode tornar a festa mais leve?

A empresa ajuda quando trata a festa como convite, e não como obrigação disfarçada. Na página da OMS sobre saúde mental no trabalho, a sobrecarga, as jornadas longas e uma cultura organizacional que permite comportamentos negativos aparecem entre os riscos psicossociais.

Na prática, uma cultura organizacional saudável respeita quem prefere sair cedo e não cobra presença na base da piada. Dizer não com educação também é cuidado. Então, se a sua energia social acabou antes de dezembro, descanse sem culpa: a sua cabeça agradece, e você chega mais inteiro ao ano que vem.

Se você gosta de entender os pequenos hábitos do dia a dia, a psicologia tem mais respostas curiosas por aqui.