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A grande reflexão de ‘O Pequeno Príncipe’ que devemos aplicar em nossa vida: “Os homens vaidosos sempre acreditam que todo o mundo os admira; em sua solidão, só ouvem elogios.”
No capítulo XI do clássico de Saint-Exupéry, um homem sozinho em seu planeta exige ser admirado e mostra como a vaidade deixa a gente surdo para as críticas
Entre as figuras estranhas de O Pequeno Príncipe, poucas soam tão atuais quanto o vaidoso. Ele vive sozinho num planeta minúsculo e passa o tempo esperando aplausos. A cena, escrita por Antoine de Saint-Exupéry, ocupa poucas páginas. Mesmo assim, resume um comportamento que qualquer um reconhece no trabalho, na família ou nas redes sociais: quem só quer ser admirado acaba surdo para todo o resto.
Em que capítulo de O Pequeno Príncipe surge o homem vaidoso?
O vaidoso de O Pequeno Príncipe aparece no capítulo XI, a segunda parada da viagem do principezinho pela região dos asteroides 325 a 330. No texto integral de Le Petit Prince, disponível no Project Gutenberg Australia, a cena começa assim: “O segundo planeta era habitado por um vaidoso”. Em tradução livre, o personagem grita de longe ao ver o menino: “Ah! Ah! Eis a visita de um admirador!”.
Logo depois vem a explicação do narrador: “para os vaidosos, os outros homens são admiradores”. O homem usa um chapéu esquisito, que levanta para agradecer sempre que alguém bate palmas. O menino aplaude, ele cumprimenta, e o jogo se repete. É desse trecho que nasce a reflexão: “Os vaidosos nunca ouvem nada além de elogios”.
Por que o vaidoso só escuta elogios, mesmo vivendo sozinho?
Porque, para ele, o mundo só existe para confirmar o próprio valor. Quando o príncipe pergunta o que é admirar, ouve que é reconhecer o vaidoso como o homem mais bonito, mais bem vestido, mais rico e mais inteligente do planeta. A resposta do menino é imediata: “Mas você está sozinho no seu planeta!”.

O vaidoso nem se abala e insiste: “Faça-me esse favor. Admire-me assim mesmo!”. Aqui a vaidade e a solidão se alimentam uma da outra. Sem ninguém por perto, não existe crítica. Sem crítica, a ilusão de ser admirado por todos só cresce.
Depois de cinco minutos de palmas, o principezinho se cansa da brincadeira monótona e vai embora. No caminho, conclui que as pessoas grandes são mesmo muito estranhas, comentário que encerra o capítulo.
Frases curtas assim têm o poder de mudar o jeito como a gente encara o dia a dia. Outra reflexão publicada aqui na Tupi segue a mesma linha.
Essa frase pode fazer sentido para você hoje e ajudar a refletir sobre sua vida➔
Quem foi Antoine de Saint-Exupéry, o piloto por trás da fábula?
Antoine de Saint-Exupéry foi um aviador e escritor francês nascido em Lyon, em 29 de junho de 1900. Segundo o Ministério das Forças Armadas da França, ele pilotou o correio aéreo da Aéropostale e, em 1929, foi para Buenos Aires dirigir a Aeroposta Argentina. Com “Voo Noturno”, de 1931, ganhou o Prêmio Femina.

O Pequeno Príncipe saiu em 1943, quando o autor vivia exilado nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Na manhã de 31 de julho de 1944, ele decolou de Borgo, na Córsega, numa missão de reconhecimento e não voltou. Em 2004, mergulhadores acharam perto de Marselha, a cerca de 70 metros de profundidade, destroços com número de série compatível com o do seu avião.
Essa trajetória ajuda a entender o livro. O piloto que via o mundo do alto escreveu, longe de casa, uma fábula sobre adultos que perderam o essencial de vista. Por isso o clássico da literatura francesa segue conversando com leitores de todas as idades.
O que a fábula do vaidoso ensina sobre ouvir as críticas?
A fábula ensina que quem só aceita aplauso perde a chance de crescer. No escritório, é o chefe cercado de gente que só diz sim. Nas redes, é o perfil que mede o próprio valor em curtidas. Em casa, é quem não aceita uma correção sem se ofender. Em todos os casos, a vaidade isola tanto quanto o planetinha do capítulo XI.
A força da cena está em não dar sermão: Saint-Exupéry mostra, com humor, um homem preso ao próprio eco. Lida hoje, a passagem desse clássico da literatura francesa parece feita para a era das telas e da solidão conectada. Que tal um teste nesta semana? Peça a opinião sincera de alguém de confiança, ouça até o fim e, se der, releia O Pequeno Príncipe com calma.
Se bateu a vontade de voltar aos livros, a Tupi também reuniu sugestões de leitura para aproveitar o tempo livre.