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Funcionário é acusado de acumular 8 empregos públicos em home office, receber mais de R$ 2,3 milhões e ter contratos de 183 horas por semana, mais horas do que a semana tem
Homem acumulou contratos que somavam 183 horas semanais; réu afirma que confusão mental decorre de estresse pós-traumático
Um funcionário público britânico acusado de acumular 8 empregos públicos ao mesmo tempo nega ter passado maquiagem branca no rosto para parecer doente numa reunião online com os chefes. Segundo a acusação, ele usou o trabalho remoto adotado depois da pandemia para manter os vínculos. Kashim Chowdhury, de 55 anos, é julgado no Tribunal da Coroa de Southwark, em Londres, e nega as nove acusações de fraude, segundo reportagem do jornal britânico Daily Mail.
De acordo com a promotoria, ele exerceu oito funções em órgãos públicos entre fevereiro de 2020 e setembro de 2023, sem que cada empregador soubesse dos outros. Os salários somados chegaram a £ 349.378, cerca de R$ 2,36 milhões na cotação desta quinta-feira (22).
Contratos somavam mais horas do que a semana tem
Entre os empregadores estavam a Agência de Padrões Alimentares, o Ministério do Interior e o Departamento de Comércio. No auge, os contratos somavam 183 horas de trabalho por semana. Uma semana inteira tem 168 horas.
Em abril de 2023, Chowdhury recebeu £ 11.015,62 líquidos de cinco empregadores em um único mês, cerca de R$ 74 mil. Em maio, foram mais £ 8.745,88, cerca de R$ 59 mil. Segundo a acusação, ele dizia precisar trabalhar a distância para cuidar da mãe idosa e pedia licenças médicas.
“Nunca usei maquiagem na minha vida”
Em 10 de maio, ele participou de uma reunião virtual com chefes que desconfiavam do rendimento dele. Colegas relataram ter visto uma substância branca se desfazendo no rosto dele e uma diferença de cor entre o rosto e o pescoço.
No depoimento, Chowdhury negou ter usado maquiagem para simular doença. “Nunca usei maquiagem na minha vida e não precisei usar naquele dia”, disse. Ele também negou ter encenado tosses ou assoado o nariz de forma teatral. “Naquele dia eu tinha mesmo um resfriado.”
Réu alega estresse pós-traumático
Ao júri, o réu disse ter transtorno de estresse pós-traumático, diagnosticado em 2015, e afirmou que os sintomas voltaram em 2021. Na época, ele trabalhava para o Departamento de Meio Ambiente (Defra) e para a prefeitura de Tower Hamlets. Segundo ele, foi isso que o levou a se candidatar a centenas de vagas públicas, em busca de estabilidade.
Ele marcou “não” quando perguntado se já era funcionário público, mesmo trabalhando na Defra. Confrontado com isso, respondeu: “Naquele momento eu não estava pensando na definição de funcionário público. Eu estava em uma posição precária.”
Em agosto de 2022, enviou um formulário à Agência de Segurança Sanitária em que omitiu três empregos. “Não foi um ato deliberado e consciente. Eu estava sob grande trauma e angústia. Só queria apertar o botão de enviar”, afirmou.
O juiz Mark Weekes apontou a contradição entre dizer que não considerava os cargos relevantes e dizer que agiu sem consciência. “Meu julgamento estava comprometido”, respondeu o réu.
Chowdhury confirmou ter aceitado as propostas do Ministério do Interior, do Departamento de Comércio e da Agência de Segurança Sanitária por causa da piora na saúde da mãe. Disse ainda que avisou cada chefia. O julgamento continua.